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Olimpia, 05 de Maio, 2019 - 17:23
A cara, ineficiente e apática Câmara Municipal

Do Conselho Editorial

Sabidamente não há nada mais caro e que possa parecer desnecessário no Brasil que a representação legislativa em todos os níveis.

Se há um sistema ativo e atuante de corrupção no país ele tem suas raízes fundadas exatamente nos órgãos encarregados de elaborar leis que contribuíssem para coibir ilegalidades.

No entanto, é no parlamento que urde as maiores falcatruas e onde se instalou uma rede de corrupção tão gigantesca e resistente aos avanços civilizatórios mínimos que acreditar na possibilidade de mudanças é tratado como utopia.

Basta abrir os noticiários, ouvir telejornais, ler para se inteirar da gama imensa de sórdidas manipulações visando a perpetração e continuidade de ações claramente contrárias ao interesse da nação.

Não precisaria ir muito longe para se ilustrar o que está se discutindo, bastaria observar que as discussões em torno da reforma da previdência que está sendo tratada no nível da distribuição de 40 milhões em emendas e distribuição de cargos nas estatais para deputados e senadores.

Muitas outras observações poderiam aqui ser anotadas em razão dos inúmeros casos de maus exemplos, cargos em comissão, resistência ao fim do nepotismo, funcionários fantasmas, divisão de salários e tantas outras.

Como isto é do total conhecimento da população brasileira que elege exatamente quem os representa pelo padrão de moralida­de e ética que parece ter adotado para si, tudo pode parecer normal quando não é.

Interessa, porém, mesmo que não se acredite em mudanças, transportar es­ta discussão, que em pouco ou nada difere do universo estadual ou federal, para a realidade que cerca o cidadão olimpiense.

Evidente que o Legisla­tivo local também se mo­ve por interesses, os mais variados possíveis, que mesmo que justificados, alguns pela legalidade, assombram os sérios pela ausência de moralidade.

Chega a ser chocante a desfaçatez e o cinismo como certas situações são tratadas por alguns membros do Legislativo local, e ai pode se incluir parcela do Executivo no pacote que não se estará exagerando na receita da inope­rância e da inutilidade.

É, para se questionar no mínimo, o porquê o Legislativo e o Executivo contenham tantos cargos comissionados em uma cidade tão pequena.

Na questão do Executivo houve até uma anotação do Procurador Geral: “É inverossímil crer que o governo de uma cidade do porte de Olímpia necessite de um total de 49 servidores para exercer atividades de assesso­ramento do prefeito, ainda mais levando em consideração já existir 11 secretários municipais”.

Levando-se em conta a somatória dos comissionados e secretários chegaria ao número nada inexpressivo de 60 “servidores”, como Olím­pia tem menos de 60 mil habitantes conclui-se que seria mais de um por mil habitantes, o que pode ser considerado um absurdo.

Na Câmara conta-se com 10 vereadores e quase idêntico número de assessores, o que poderia, em tese, adicionar mais vinte pessoas nesta conta que ampliaria para 80, que daria, fora o alcaide, quase 80 pessoas cuidando de interesse de menos de 60 mil habitantes.

E a cidade está do jeito que está e alguns membros da Câmara, responsáveis por fiscalizar e colocar ordem nesta pretensa bagunça, com toda a assessoria a disposição, parece destinada a dar colaboração nefasta a máquina pública para que assim como a estadual e federal, seja nada mais que laboratório de mazelas infindáveis.

Com todo este grande número de colaboradores a cidade pegando fogo, a Saúde um caos total e nenhum, “nenhunzinho” sequer elabora um projeto que seja para discutir uma solução, uma saída, uma busca de solução, como se estivessem deitados na rede esperando o salário cair na conta.

Alguns vereadores, por sua vez, preferem tirar proveito da situação embaraçosa e problemática que pode conduzir a morte, denunciando de forma vazia, exótica e absurda sem propor modificações no sistema ou conseguindo vagas para pacientes e assim passar à família a ideia da salvação do membro e angariar simpatia de seus membros e da população, pelo “gesto humanitário” que se transformará em votos.

Não seria dever e obrigação de cada um destes parlamentares, observando o Executivo contratando médicos, enfermeiros, promovendo mutirões de limpeza, divulgando números assustadores de casos, o povo denunciando nas redes sociais, chamar uma discussão no plenário, com seriedade, espírito público, para buscar solução para o que não deveria estar acontecendo?

Não seria dever desta gente paga com dinheiro da população convocar sem partidarismo, politicagem barata, o prefeito e o pretenso titular da Secretaria de Saúde para exigir esclarecimentos exigindo um plano eficaz para por um fim a situação catastrófica que temerosos os cidadãos estão vivendo em razão da falta de políticas públicas que produzam melhores resultados na área da saúde?

 


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