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Olimpia, 02 de Setembro, 2018 - 20:01
A intolerância, o preconceito e o ódio presentes nas redes sociais fizeram a primeira vítima fatal

“Pode ser o mal do século. Um círculo vicioso próprio de um mundo que cultua o poder de uns poucos sobre a grande maioria, robotizada, alienada, perdida, que tem o dom de pensar, imaginar, mas que é levada a viver apenas pela mera sobrevivência. Aí, não consegue vislumbrar um caminho plausível para seguir, pois não foi ensinada a buscar o conhecimento como luz para se enxergar a própria verdade. Perambula como zumbi pelas ruas da vida e, sem ter noção do que é viver, acaba sucumbindo, dilacerada pela angústia, esta chama que destrói o peito, dilacera a alma e abrevia a existência”.

Mestre Baba Zen Aranes.

SIMPLESMENTE, ...

... estarrecedor. Como não entender e aceitar que estamos revivendo os momentos da idade média, onde a igreja, no afã de dominar o mundo europeu, promoveu a chamada caça às bruxas, demonizando todos os que não comungassem com seus próprios princípios, teses e crença, julgando-os de maneira arbitrária e sempre os condenando ao sofrimento através de seus milhares de instrumentos de tortura, dentre os quais o “Tripallium” – denominação de um instrumento de tortura formado por três (tri) paus (pallium), de onde teria surgido a nomenclatura, o nome para um dos principais instrumentos de dominação e subjugação da história da humanidade: o trabalho. O que fez com que fosse perpetuado o estado de escravidão de maneira a que o escravo acreditasse na falsa ideia de sua própria liberdade. Verdadeiro instrumento de enganação e tese para manter a grande massa anestesiada e confiante que, inclusive, um dia poderá deixar a senzala e construir seu próprio império.

E ASSIM COMO ...

... no período que ficou conhecido historicamente como os mil anos de escuridão, pelas atrocidades cometidas, pelo arbítrio e pelos chamados tribunais de inquisição, estamos presenciando hoje em dia, situação parecida e até mais grave, se considerarmos que hoje o mundo é totalmente diferente e infinitamente mais tecnológico.

HOJE, O PLANETA ...

... vive a era da desinformação, uma vez que as coisas trafegam de forma rápida demais e não se vê mais o compromisso com a checagem dos fatos, a busca da proximidade com a realidade. Mas, sim, tudo baseado no achismo, no julgamento lastreado na falta de conhecimento histórico e científico, na própria moral que é produto do entendimento de cada um, carregada de hipocrisia, de preconceitos e de discriminação.

É NESTE TERRENO, ...

... que se estabelecem os atuais tribunais de inquisição, o nosso “caça às bruxas”, onde, as reuniões de “notáveis” donos da verdade, no cara a cara, foram substituídas pelas redes sociais, onde as tribos de “sábios” analfabetos ou “semialfabetizados”, os “amigos distantes”,  acham isso e aquilo e também condenam a tudo e a todos, mas não a irem às fogueiras da inquisição, e sim ao achacamento, às taxações de rótulos de baixo calão, levando os assacados ao exílio da vergonha e da discriminação, do rebaixamento social.

E NESTA SEMANA ...

... acabamos chegando à nossa primeira morte ocasionada por estes achaques morais, por estes verdadeiros tribunais de inquisição, que se arvoram de uma só vez em acusação e defesa e já prolatam a sentença em pequenos comentários de umas poucas e analfabetas linhas cheia de ódio, de discriminação e de preconceito.

UMA PROFESSORA ...

... da rede municipal de ensino, na manhã de segunda-feira, foi flagrada pelos funcionários do Supermercado Extra, na General Osório, numa tentativa de furto de alguns poucos gêneros alimentícios.

EM TEMPOS ...

... de ódio, os encarregados da segurança do estabelecimento comercial, ao invés de usarem da temperança e levarem a pessoa para um escritório, de forma acintosa, expuseram publicamente o deslize da professora, inclusive, dando oportunidade pra alguém que gosta de ver o circo pegar fogo fotografar todos os detalhes.

ALÉM DO FLAGRANTE, ...

... ter sido registrado na delegacia, com a professora pagando fiança para responder o processo em liberdade, por uma tentativa de furto de bagatela (os produtos juntos, não passavam de R$ 50,00), ou mesmo um fato impunível, pois nestes casos, os nossos tribunais já têm entendido que os mercados já colocam na margem de lucro a possível perda dos pequenos furtos; ou mesmo por não se consumarem, uma vez que todo o desenrolar do fato é acompanhado pelas câmeras de segurança e pelos próprios seguranças que não deixam acontecer, ou propositalmente deixam que ocorra; o sujeito que fotografou “viralizou” as fotos da professora em situação constrangedora pelos grupos de Whats.

AS FOTOS, ...

... sempre acompanhadas de comentários discrimina­tórios, agressivos, carregados de ódio, como se o erro cometido pelo ser humano, que ninguém sabe em quais circunstâncias ocorreu, ou quais as razões que levaram a professora a cometer tal despautério, fosse imperdoável, de gravidade mundial.

PRATICAMENTE ...

... 12 horas depois, a situação já se mostrava insustentável para a professora que, via WhatsApp, desabafava com sua advogada, dando a entender que havia perdido o chão, prenunciando que iria tomar uma decisão drástica (veja o diálogo completo na matéria da página 4), pois não iria suportar tantos julgamentos e exposição nas redes sociais.

FORAM TANTOS ...

... os compartilhamentos e as sentenças desabona­doras, condenatórias e apenadas com xingamen­tos e demonstrações de ódio, que a professora, não conseguiu resistir, acabou se jogando debaixo de um veículo, tirando a própria vida.

O MOTORISTA ...

... que estava passando pelo lugar errado, na hora errada, nem parou para ver o que tinha acontecido e desapareceu. O corpo da professora ficou tão desfigurado que nem seu irmão conseguiu reconhecê-lo.

QUAIS OS PROBLEMAS...

... que a professora vivia? Qual sua situação psicológica? Nada disso foi levado em consideração e o “tribunal” das redes sociais de nossa cidade conseguiu executar sua primeira sentença de morte. Um ser humano que, sem dúvidas, devia ter seu lado lindo, não apenas físico, mas da própria alma, foi executado sem dó nem piedade pelos donos da verdade, por aqueles covardes que atrás da tela do computador ou com Smartphone nas mãos, se transformam em deuses com o poder de julgar e executar a própria sentença.

PARA AS ...

... crianças vai ficar a saudade da “Tia Carlinha”, como era chamada. Para os familiares, muito mais que a ausência, vai faltar uma parte de suas vidas que não pode ser vivida.

MAS PARA ...

... a legião de iletrados, semialfabetizados, que acredita ser a dona da verdade absoluta, foi apenas mais um caso. Não ficou nenhuma ferida. Vão precisar muitos ainda para que possa entender que é por isso que os tribunais têm todo um processo para cumprir, cheio de técnicas que garantam um mínimo de imparcialidade e de busca de provas para que injustiças não sejam cometidas. E ainda assim, elas acontecem o tempo todo.

 

José Salamargo – acreditando piamente que a maioria do povo brasileiro está caminhando do nada para o lugar nenhum, pois, não tem capacidade mínima de compreensão, de análise, de reflexão, de busca da realidade e ainda crê em gnomos, em Momos, mulas sem cabeça e outros seres esotéricos, construindo sempre um mundo irreal, cheio de mágoas, muito ódio e preconceito, que está levando toda uma sociedade a viver num estado zumbi. Mortos vivos que não sabem o que fazer e nem pra onde ir.


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