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Olimpia, 01 de Maio, 2017 - 22:05
Carta aos Jovens

Ivo de Souza

Um vazio existencial tem tomado conta de jovens do mundo inteiro. Tão grande a ponto de muitos adolescentes partirem para experiências radicais absurdas (via internet), correndo, em certos casos, risco de morte. Quanto vale a vida, hoje?


Até que ponto o avanço tecnológico invadiu a mente dos jovens? Por que o celular tornou-se objeto de desejo de dez entre dez adolescentes? Que fascínio esse aparelhinho exerce entre essa meninada? É mais fácil (cômodo) do que ler um livro. Isso é verdade.

Nas telas do cinema imperam filmes que cultuam a violência, a traição, a destruição e a morte. Sem falar nas cenas totalmente desnecessárias de sexo pelo sexo. Em muitos filmes (virou moda), rapazes e moças usam a maconha como se fosse algo natural, inofensivo. Indistintamente, personagens ricos e pobres, brancos e negros usam algum tipo de droga. Numa “nice”.

Os filmes com belos temas quase não mais existem (cinema, literatura e teatro, enfim, não fazem outra coisa que isso: contam histórias). Onde, no entanto, estão as belas histórias, os belos roteiros,a bela fotografia, a interpretação de grandes atores? Histórias da vida real (ninguém está propondo aqui o escapismo, a fuga da realidade da vida cotidiana): o mundo não é um parque de diversões, uma maravilha. Um mar de rosas... Há filmes que “parecem” estimular os jovens a determinados comportamentos (negativos, muitas vezes).

Perdidos num oceano de informações (muitas vezes mentirosas, deturpadas, são apenas pós-verdades?), as quais mais obscurecem a cabeça dos jovens do que a clareiam. Essa verdadeira enxurrada de informações de todos os tipos não se transforma em conhecimento, não há tempo para isso ocorrer. Tudo é superficial, casca, tudo é efêmero, descartável (amanhã é um outro dia, para que esquentar a cabeça?).

E o vazio que corrói por dentro (verdadeira tortura!) precisa ser preenchido. Não importa de que forma. Muitas vezes da pior maneira possível. Da mais triste forma possível. Muitas vezes, tragicamente.

Aí aparecem fatos absurdos, nos quais custa-nos acreditar, as aberrações, muitas vezes, via computador, via internet. É nesse momento que surgem “desafios” estranhos como o da baleia azul: o desafio da baleia azul. O desafio que pode levar à morte.

Virou modismo falar de superação, de ultrapassar limites: é irado, sinistro! Chique! Outro exemplo é o velho, ultrapassado, rançoso “Big Brother”. Todos viram aonde chegou a relação doentia de dois participantes. Enquanto não ocorrer (ninguém quer isso) “coisa pior” naquele zoológico humano (de luxo), continuarão no ar os próximos programas da série. O showzinho barraqueiro dá audiência, dá dinheiro pra emissora. Por que parar? Faturar é preciso, não?

Por que induções absurdas a certos comportamentos são tão sedutoras para uma parcela enorme de jovens? Será que esses jovens não conseguem trabalhar para o bem? Estudar, ler, cantar, namorar, conversar... não seriam ações mais positivas do que desenhar no braço a faca ou com agulhas de tatuar uma baleia azul?

O que estaria faltando a esses adolescentes? Diálogo com os pais, com os professores, oportunidade para expor seus sentimentos mais profundos, suas dores, suas angústias, suas alegrias, para contar suas escolhas, do que gostam, do que não gostam, seus medos, para abraçar e beijar os pais, os irmãos, para rir (de qualquer coisa e de si mesmos) para chorar, se for o caso?

Como é que coisas sem sentido ou com sentido totalmente distorcido, negativo, podem ter algum valor, alguma importância algum “sentido” para certos jovens? Qual o sentido da existência para essa parcela da juventude que se sente desconfortável no mundo (a poesia drummondiana aborda essa questão, a questão do “guache”, do que se sente desconfortável (torto, esquerdo) no meio social. Incomodada, sabe se lá com quê?

E a família? Onde anda? Como está? Forte? Fragilizada como quase todo mundo neste mundo desordenado? Que sustento (apoio) podem os pais dar a seus filhos  (falo de apoio moral, intelectual, sexual, psicológico, ético...)?

Além dos bens materiais, os jovens precisam, com ur-gên-cia!, buscar e cultivar os bens (valores) espirituais. A crença, a fé (não falo aqui de religião, falo de Deus), o amor às pessoas, à natureza, aos animais. É preciso, meus jovens queridos, amar o belo, “amar o que o mar traz à praia”, a flor que cresce no campo (“olhai os lírios do campo”) ou sob os teus olhos, sob os teus pés: sem que tu as perceba. Amar sem conta. (Como dizia a maga Clarice: se não nos amarmos, estaremos perdidos). Sonhar sonhos possíveis e impossíveis. Concretizá-los, os grandes e os pequenos sonhos. Buscar. Sempre. Para que criar desafios absurdos, que revelam a insanidade de algumas pessoas, que os usam, irresponsavelmente, até para ganhar algum dinheiro? A vida (“roteirista”) se encarrega (sempre!) de criar os seus próprios desafios e os nossos enredos. Bastam os que ela nos prepara todos os dias (aliás, muito mais profundos, criativos, ricos e saudáveis que as imbecilidades que chegam via “ferramentas” tecnológicas). Jovem, a tua juventude não precisa dessas muletas doentias, da estupidez e da falta de bom senso, que crescem feito erva daninha mundo afora, nas redes sociais, nas tecnologias de última geração. E nem falamos dos políticos †que promovem (há exceções, felizmente) o caos, corrompem os corrompíveis e vendem sua própria alma ao diabo por conta das benesses do poder (e são tantas!), da ganância e da falta do que um dia se convencionou chamar de Ética (ou melhor, brio, pudor, honra, caráter... ou vergonha na cara (desculpem a expressão). E botam o ânimo, a coragem, a vontade de lutar, de buscar novos horizontes, a dedicão e o bom humor da população (de milhões de jovens) na lata de lixo, onde muitos desses desavergonhados deveriam ser jogados para sempre.

Ivo de Souza é professor universitário, poeta, colunis­ta, pintor e membro da Real Academia de Letras de Porto Alegre.

 


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