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Olimpia, 02 de Julho, 2018 - 18:11
Um grande artista chamado Marco Nanini

Marco Nanini na pele do Rei Augusto, soberano do reino de Artena. O personagem é completamente diferente dos anteriores vividos pelo ator; Augusto é sensível e reprimiu seus verdadeiros talentos quando se tornou rei / João Miguel Jr-RG



Marco Nanini contracena com Bruna Marquezine na novela “Deus Salve o Rei”, interpretando Rei Augusto e Princesa Catarina, respectivamente / Marília Cabral-RG

 

 

 

Ele tem mesmo mil e uma faces e o Lineu de “A Grande Família” foi apenas uma delas. Depois veio o Pancrácio, de “Êta Mundo Bom!”, e agora está interpretando o sensível Rei Augusto, em “Deus Salve o Rei”, isso citando apenas três de seus grandes personagens! Estamos falando do veterano e competente ator Marco Nanini, um verdadeiro ícone quando o assunto é dramaturgia brasileira.

Nos próximos capítulos de “Deus Salve o Rei”, o rei Augusto tenta se manter incógnito e ingressa na companhia de teatro. Ele pretende viver como ator, mas seu plano será descoberto por Selena (Marina Moschen) e ela contará a Amália (Marina Ruy Barbosa) que sabe onde o Rei Augusto está. Para saber o que será então, somente assistindo os capítulos do folhetim.

Os seguidores da trama torcem para que Catarina (Bruna Marquezine) seja castigada, afinal foi ela mesma quem mandou prender o pai, a fim de tomar conta do reino de Artena e dar sequência aos seus planos ambiciosos e torcem pela volta do Rei Augusto ao trono e assim assegurar a paz novamente.

Voltando à vida real, o ator tem uma belíssima trajetória no cenário artístico. Nascido Marco Antônio Barroso Nanini, em Recife, capital do Pernambuco, no dia 31 de maio de 1948, Marco Nanini, como é conhecido, antes da fama trabalhou em um banco e em um hotel, até que sentiu o gostinho de atuar pela primeira vez em uma peça infantil no ano de 1965.

Seu primeiro papel na televisão foi em 1969, como um figurante, lutador de esgrima na novela "A Ponte dos Suspiros" da Rede Globo. A partir dos anos 70 fez filmes para o cinema e com o passar dos anos até o final da década 90 esteve envolvido na produção de novelas na Rede Bandeirantes, na extinta Rede Tupi e em sua maioria na Rede Globo, fazendo uma carreira de sucesso na telinha. No ano de 1986 estreou a peça “O Mistério de Irma Vap”, montagem protagonizada junto com Ney Latorraca e reconhecida pelo Guinness Book como a peça que manteve o mesmo elenco por mais tempo, sendo 11 anos em cartaz.

Na época em que estava atuando em “A Ponte dos Suspiros”, o ator foi convidado por Dary Reis para entrar na companhia de teatro de Dercy Gonçalves. Tendo aceitado, ao lado da grande atriz fez várias peças.  A paixão pelos palcos falou mais alto, mas ele voltaria à TV pouco depois, para não mais sair.

O primeiro papel de destaque de Marco Nanini na televisão foi interpretar o cineasta Julinho da novela “O Cafona”, exibida em 1971. “Eu nunca tinha trabalhado num papel com a importância que o Julinho teve. Durante muito tempo, fiquei intimidado pelas câmeras. Meu habitat era mais o teatro”, revela o ator.

A novela “O Primeiro Amor”, de Walther Negrão, marcou muito a memória de Nanini. É que o protagonista da trama, interpretado por Sérgio Cardoso morreu durante as gravações e teve que ser substituído por outro ator, abalando assim todo o elenco da novela.

Na Globo fez muitas novelas de sucesso, mas Marco Nanini também se destacou no humorístico “TV Pirata” de 1988. Apesar de sua passagem pelo “TV Pirata” ter sido curta, ela marcou o início de sua produtiva parceria com Guel Arraes. Nanini trabalhou em vários projetos do diretor, em séries como “Terça Nobre”, “A Comédia da Vida Privada” e especiais como “Brava Gente”.

Entre 2001 e 2014, o ator viveu o Lineu no remake do seriado “A Grande Família” e até hoje é lembrado por este personagem. “Eu sofri bastante para compor o Lineu, porque nunca tinha feito uma sitcom”, revela Nanini.

Em 2011, Nanini aceitou o desafio de protagonizar a minissérie “O Bem-Amado”, como personagem Odorico Paraguaçu, o prefeito de Sucupira que foi eternizado por Paulo Gracindo, no início da década de 80. A minissérie inicialmente foi exibida nos cinemas como um longa-metragem e depois foi reeditada por Guel Arraes para estrear na televisão com cenas extras. 

Com o final da série “A Grande Família”, Marco Nanini voltou para o elenco de novelas e os personagens Pancrácio e Pandolfo, de “Êta Mundo Bom!” é uma espécie de marco de sua volta aos folhetins.

Quanto aos aspectos de sua vida pessoal, Nanini sempre foi muito discreto e prefere ficar bem longe dos holofotes. Ele nunca se casou e também não tem filhos e assumiu a sua homossexualidade há algum tempo. Inclusive é engajado em causas de direito humanos e de defesa da liberdade de expressão.

Sem dúvida alguma, Nanini é um exemplo de profissionalismo e cidadania.


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