17 de fevereiro | 2008
Ex-juiz de Olímpia é acusado outra vez

Desta feita se trata de um caso de 1999, quando um novo saque irregular no valor de R$ 4.583,25 ocorreu no final de um processo de falência da empresa Nutrimar Comércio de Pescados, de São Bernardo do Campo, que envolvia outra empresa, a credora Rodobens, de Rio Preto.
A Rodobens havia vendido um caminhão à Nutrimar que não conseguiu pagar todas as prestações. Por isso a empresa rio-pretense tomou o caminhão, no qual a compradora já havia instalado uma carroceria do tipo baú frigorífico isotérmico. A Nutrimar reclamou de volta o baú.
Quando os advogados da empresa vieram a Rio Preto, em 1999, receberam a informação de que o caminhão havia sido vendido com a carroceria frigorífica. A Nutrimar insistiu em seu direito de ser ressarcida pelo benefício que havia acrescentado ao caminhão e pediu de volta o valor pago.
A reclamação prosseguiu e o juiz de São Bernardo, Celso Alves de Rezende, julgou procedente o pedido para que a firma vendedora de caminhões devolvesse o valor, estimado em R$ 4.583,25.
Em 10 de março de 2000, a Rodobens levou ao processo a cópia de um cheque do Bradesco, no valor reclamado, que ela havia depositado na conta judicial da 4ª Vara Cível de Rio Preto. O juiz de São Bernardo pediu que o valor fosse transferido para uma agência da Nossa Caixa daquele município.
Quando o juiz de Rio Preto pediu informações ao Bradesco sobre a situação do cheque depositado, foi informado de que o valor havia sido transferido para o Banespa, agência central de Rio Preto.
Depois de trocar informações com o Bradesco e com a Caixa Federal, a justiça soube que o cheque havia sido depositado em uma conta da agência central do Banespa. Toda movimentação de conta judicial é feita por meio de guias assinadas pelo juiz e pelo diretor do cartório.
Em 20 de abril de 2006, o juiz Vicente Rodrigues, que assumiu o lugar de Cuginotti, pediu o desarquivamento do processo. Para surpresa do cartório e do juiz, o processo não tinha registro no arquivo, que fica em Jundiaí e não existia mais no cartório de Rio Preto.
Porém, uma consulta ao Santander confirmou que dois saques que somavam os R$ 4.583,25 haviam sido efetuados com assinaturas do ex-cartorário e do ex-juiz Cuginotti.
Fernandes é o mesmo cartorário que foi demitido em 2004 a bem do serviço público e condenado pela Justiça por sacar ilegalmente dinheiro em processos de inventário e de falência, com participação do ex-juiz Júlio César Afonso Cuginotti, também condenado.
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