12 de setembro | 2021

Chegou a hora de repensar o Turismo? Ou vamos deixar Olímpia virar uma “nova” cidade escravizada por goianos?

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“O homem que entende ser o representante de Deus na terra e em nome dele pode tudo (tese calvinista para explicar o empreendedorismo), pode ou não se preocupar com os que o cercam. Se assim o faz, é um empreendedor social, pois inclui os que o rodeiam no seu próprio sucesso. Se pensa e age ao contrário é um ser ignóbil, sem amor ao próximo, que não enxerga um palmo além do próprio umbigo e que não entendeu que Ele quer que todos possam viver bem, em paz, amando uns aos outros”.

Mestre Baba Zen Aranes.


COM A INAUGURAÇÃO …

… de mais um resort gigante, com centenas de apartamentos, parece chegada a hora de se questionar sobre que se quer conseguir com o turismo de Olímpia. Apenas gerar divisas concentradas nas mãos de poucos, inclusive a maioria de fora e que leva o dinheiro embora, ou transformá-lo num fator de distribuição de renda e de verdadeiro progresso de Olímpia e não apenas de alguns?

FOI ANUNCIADO …

… pelo governador, na quinta-feira, 02, o tal do Distrito Turístico de Olímpia que, entre outras coisas, poderá promover um planejamento do turismo regional. Quem sabe, nesta hora, surja algum ser iluminado que tenha o pensamento claro de que a cidade poderá se transformar, num futuro muito próximo, se nada for feito, uma nova Caldas Novas que, ao que se informa, vive à mercê do interesse de alguns poucos e não conseguiu repartir as benesses do turismo com os cidadãos da terra.

QUANDO O EMPRESÁRIO …

… e precursor do turismo local iniciou sua trajetória rumo ao estágio que imaginou para a cidade que adotou como sua, não tinha como contar com grande parte dos investidores da própria cidade. Então, saiu à cata de grupos que pudessem realizar seu sonho de criar uma rede hoteleira que pudesse fazer com que o Thermas deixasse de receber apenas excursões de apenas um dia e passasse a receber turistas que ficassem mais tempo na cidade e, com isso, consumissem no comércio e serviço do município.

ACONTECE …

… que aqui aportaram empresários de todas as partes, inclusive da própria região de Caldas Novas, cujo exemplo não podemos seguir. Estes, junto a outros empreendedores de outras regiões e também alguns de Olímpia, fizeram o que eram capazes de fazer. Transformaram Olímpia na terceira cidade de São Paulo em número de leitos, a quinta do país.

AQUI TAMBÉM …

… se levou a efeito e se construiu com sucesso o chamado sistema de apartamentos compartilhados, onde a propriedade de um mesmo apartamento é dividida entre vários compradores que têm um certo período do ano para virem curtir as águas quentes de Olímpia.

O SISTEMA …

… além de facilitar a venda dos ditos apartamentos ainda garante a vinda para Olímpia, pelo menos uma vez por ano de milhares de proprietários destes imóveis compartilhados, que pagam impostos por suas propriedades compartilhadas.

ACONTECE …

… que uma coisa para ser boa, tem que ser boa para todos. E o turismo de Olímpia hoje começa a dar mostras de que tem que ser estruturado e regulamentado para poder servir também aos moradores da própria cidade e não só aumentar as contas bancárias de alguns empresários que demonstram não ter nenhum compromisso com o município, pois nem aqui residem e não sabem de seus problemas. E tem os que aqui residem mas não querem saber da cidade e sim de engordar o próprio bolso.

E O QUE É PIOR, …

… como administradores destes empreendimentos, contratam pessoas para administrá-los que também não têm o mínimo comprometimento com a cidade. Aliás, muitos não sabem nem o que existe na cidade e administram os empreendimentos como se a estrutura local fosse apenas para servir os ditos cujos e que não têm obrigação nenhuma para com o local onde o empreendimento está construído.

OS MELHORES CARGOS …

… e empregos não ficam com os moradores da cidade. São tomados por forasteiros que aqui chegam apenas para ganharem dinheiro e, ao depois, iram embora. Olímpia que se lasque.

PARA SEUS …

… moradores sobram apenas o serviço de limpeza dos apartamentos, o de lavar banheiros.

POR SORTE …

… o Thermas dos Laranjais é genuinamente olimpiense e tem nas suas fileiras a maioria absoluta de moradores de Olímpia. Mas, por ser uma associação corre o risco de, no futuro, também ser tomado pelos grandes empreendedores que aqui pularam de paraquedas, ou que vieram de helicóptero.

A MOLA PROPULSORA …

… do turismo e da economia local, trabalha constantemente para ajudar a cidade nas áreas social e de meio ambiente. Nos últimos três meses simplesmente distribuiu 50 toneladas de alimentos não perecíveis.

TAMBÉM POR …

… sorte, também existe outro empreendimento genuinamente olimpiense e que está conseguindo deslanchar no ramo. O Hot Beach, que não concentra seus melhores cargos em profissionais importados e deixa apenas as privadas para serem lavados pelos moradores do município. Contrata gente daqui e faz o dinheiro circular aqui mesmo. Além disso, seus diretores e proprietários também vivem em Olímpia e demonstram ter compromisso com a cidade.

OUTRO SETOR …

… que pode ser gerador da distribuição de renda do ramo, seria o de hotéis, pousadas e casas de aluguel que, num primeiro momento, amarguraram a fase de transição do “Day Use” ou turista de um dia, para o turista de vários dias e, agora, que a coisa está melhorando, correm o risco de ficar no ostracismo por causa dos grandes de empresas paraquedistas. Ou seja, ficar sem clientes.

ESTE PESSOAL …

… parece que não se tocou ainda que está numa redoma que está prestes a ser quebrada e que poderá levá-los ao estrangulamento em breve espaço de tempo.

SEGUNDO A PREFEITURA …

… Olímpia chegou este ano a 30 mil leitos e temos atrativos para no máximo 20 a 25 mil pessoas. E não parece possível se crescer mais na área de atrativos que chamem o turista aqui (que são os parques aquáticos ou temáticos por tradição, ou outras ideias que venham a surgir que tenham condições de atrair visitantes e segurá-los por alguns dias).

DEU PARA PERCEBER …

… os tentáculos do desenvolvimento sustentável para o município? Além do comprometimento com o seu planejamento, com empreendimentos dirigidos por pessoas com um mínimo de preocupação com a cidade, é preciso que o turista permaneça por aqui por alguns dias para poder consumir também no comércio e no serviço de Olímpia e fazer girar a economia.

NÃO EXISTE FÓRMULA …

… mágica. É preciso planejar, discutir com todos os interessados (grandes, médios, pequenos e a própria população) para se chegar num projeto que vise construir uma Olímpia turística que não tenha que esconder suas favelas, ou que fique à mercê dos caprichos de alguns grupetos que só querem se locupletar à custa do fenômeno construído por Olímpia, mas que integre sua população através de atividades inclusivas principalmente dos grandes empreendimentos, com pessoas comprometidas com o futuro da cidade e não apenas com o próprio bolso.

CHEGAMOS NO PONTO …

… crucial. É agora ou nunca. Ou caminhamos para um futuro em que poderemos bater no peito e ter orgulho de ser uma cidade turística ou continuaremos enxergando que o turismo, por enquanto, beneficia apenas alguns privilegiados que por aqui aportam por períodos definidos para sugar o nosso sangue e depois voltarem para suas cidades e usufruírem o que retiraram daqui.

NÃO SE QUER …

… aqui defender nenhuma tese ufanista ou bairrista tipo “Olímpia, Ame-a ou deixe-a”. E nem expulsar os investidores ávidos pelo vil metal. Longe disso. O que se quer é pelo menos fazer com que a própria população entenda que se as coisas continuarem caminhando desestruturadas do jeito que estão, com certeza, em pouco tempo, seremos uma cidade fantasma onde existirá apenas uma parte de seu território que viverá as benesses do turismo.

A DIVISÃO ATÉ JÁ EXISTE. …

… Da Benjamim Constant prá lá (no sentido da rodovia Assis Chateabriant e em todo o trajeto da Avenida Benatti, é o esplendoroso Vale do Turismo, termo cunhado por este colunista em conversa, décadas atrás, com o empresário Benito Benatti. E desta rua (que também é conhecida como Boiadeira) para trás, até o bairro São José, a Olímpia pobre, que pode ser transformada em Cidade Fantasma se nenhum “super-homem vier nos restituir a glória. Mudando como um deus o curso da história”.

José Salamargo, apenas querendo que você pense e reflita se isso pode acontecer ou não, ou se pode ser ainda pior e se é isso que você quer para o seu futuro e dos seus? Perguntar não ofende!

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Comentários

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Todos os Comentários (1)
Cucurbita Maxima há 1 semana atrás
Parabéns!!! excelente raciocínio a respeito do turismo e o município de Olímpia. Tenho comentado nessa mesma linha que o aeroporto (se é que será construído!) beneficiaria quem? Turista? muitos poucos! mas será exaustivamente utilizado pelos administradores de resorts na ponte aérea GO-OLP. Olímpia é refém principalmente, na área da saúde e educação dos municípios de Rio Preto e Barretos. Até 2020 excluindo a rede municipal/estadual existiam apenas duas escolas particulares para ensino médio e fundamental, em 2021 desembarcou a franquia barretense Liceu. Quem já perdeu amigos no trajeto Santa Casa/Olímpia - HB/Rio Preto questiona se houvesse maior investimento da rede publica/privada da saúde em Olímpia será que não teríamos nossos amigos ainda vivos? Olímpia tem potencial e pode fazer isso ser real, basta repartir os ganhos com a população. Troco facilmente um aeroporto pela duplicação da Assis Chateubriand Barretos - São Jose do Rio Preto que favoreceria os Olimpienses e Turistas, AH sem o pedágio João Agripino!!!
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