04 de agosto | 2013

Sobre a Cenapec – Biblioteca Adir Gigliotti.

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Luiz José Moreira Salata

A Associação Centro Auxiliar de Pesquisas Culturais, localizada em Campinas, se trata de uma Oscip – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, idealizada, criada e administrada por Alcy Gigliotti, com o nome de Biblioteca Adir Gigliotti, cadastrada sob nº 3.521, no Conselho Regional de Biblioteconomia. É entidade particular declarada de utilidade pública, organizada para fins não econômicos, tendo o objetivo principal de fomentar a leitura, divulgação do livro, formação da identidade cultural e construção de conhecimento para o exercício pleno da cidadania.  

Alcy Gigliotti nasceu em Olím­pia – SP, aos 22 de dezembro de l.930, filho de Júlia Branco Gigliotti, poetisa (Jublangi) e de Paschoalino Gigliotti, faleceu em Campinas aos 02 de agosto de 2.007. Foi casado com Maria Lair Vaz Gigliotti, tendo os filhos Luciana, Alcymar e Fátima, quatro netos e bisneto.

Em Olímpia foi professor e proprietário do semanário A Voz do Povo. Vindo para a Capital, estudou no Colégio Mackenzie e ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, colando grau em Ciências Jurídicas e Sociais. Exerceu a advocacia por certo tempo, até ser aprovado e assumir a Magistratura, em 1.966, percorrendo diversas Comarcas.

O fato marcante de sua carreira de Magistrado foi ter instalado a Comarca de Diadema e sido seu primeiro Juiz, aos 08 de dezembro de l.969, data consagrada à Imaculada Conceição – Padroeira da Cidade, e Dia da Justiça, tendo ali  judicado com firmeza e dedicação, quando granjeou muitas amizades e simpatia, atitudes próprias de sua personalidade.

Através do acervo amealhado desde a sua adolescência, Alcy Gigliotti colecionou livros, obras jurídicas, jornais, revistas, discos, cd’s, dvd’s, fitas em VHS e recortes em geral. Além de inúmeras peças de telas de pintura, esculturas, máquinas de escrever e outros apetrechos, e até gibis dos tempos de  juventude e durante toda a sua vida pessoal e profissional. A origem da biblioteca e o acervo se confundem com a própria vida do seu fundador.

Em l.995, a família mudou-se para Campinas, levando a biblioteca e todo o acervo. Denominou-a – Biblioteca Adir Gigliotti – para homenagear seu falecido irmão mais novo, que era jornalista renomado em Campinas, publicitário e escritor.

Já antes da oficialização da biblioteca, permitia o acesso dos estudantes e público em geral nas instalações em casa anexa à sua residência, locada às suas ex­pensas, para fins de pesquisas, divulgação do livro, educação por meio das informações obtidas pela  leitura, visando as manifestações literárias, musicais e audio­visuais, com o intuito de colaborar com a ampliação e acesso aos meios de produção e difusão científica e cultural.

Foi oficialmente  criada em 2.003, visando promover a abertura de forma geral e mais organizada à população e ampliar a ação dos seus projetos sociais e culturais, expandindo assim os limites do seu grande sonho de facilitar o exercício das letras e da cultura.

Foi poeta, jornalista, escritor, magistrado, advogado, acadêmico de letras e bibliófilo. Pertenceu à Academia Campineira de Letras e Artes, Academia Campinense de Letras, Centro de Ciências Letras e Artes de Campinas, Casa dos Poetas de Campinas, Associação Campineira de Imprensa e Clube dos Escritores de Piracicaba, tendo recebido a Medalha Carlos Gomes, instituída pela Câmara Municipal de Campinas, pelas ações e atividades que contribuíram para destacar e enaltecer a figura e obra do festejado músico campineiro Carlos Gomes.

Escreveu desde a infância, publicou livros entre poesias e crônicas: Sonetos e Poemas para o Amor, Poemas sem Tempo, O Seu Natal com Amor, Palpites de um Palpiteiro Feliz, e os artigos: Verdades e a Morte na Poesia, Gênese & Memória: um Livro Sincero. Além disso, organizou os “Poemas Olim­pienses” escritos por sua mãe, com o pseudônimo de Jublangi, e Sete Contos Curtos e Jogo da Vida, de seu irmão Adir.

Atualmente, o acervo conta com 55.000 volumes, entre obras jurídicas, romances, bibliográficos e dos mais diversos, entre os quais perto de 800 livros autografados por seus autores, brinquedoteca, biblioteca infanto-juvenil com 2.000 livros, denominada Patrícia Vaz Castilho, sua falecida sobrinha, discoteca na Sala Nisa de Castro Tank, para audição, com 3.000 lp’s, 500 discos de vinil de 78 rotações, e 1.200 cd’s, videoteca com 2.000 fitas, pequeno Museu “Momentos da Evolução”, jornais e revistas, que podem ser lidos na Sala de Leitura Padre José Valsânia, ambiente acolhedor, para tanto. Tem, ainda, os originais do semanário “A Voz do Povo”, de Olímpia, dos anos de 1.925 a l.960.

Instituiu Alcy Gigliotti o “Projeto Semeador de Livros e de Bibliotecas” autogeridos nos bairros mais carentes e distantes, visando o acesso e o hábito à leitura, através das trocas dos livros repetidos que foram doados pela própria população.

Promove Saraus de Poesia bimestrais, tem Salão de Artes com o nome do homenageado para exposições, Cursos para Formação de Agentes de Leitura, Projeto de Disseminação de Línguas Estrangeiras, Exposições de Arte e Cultura, Cursos de  Música para formação e Palestras e Cursos para Melhoria de Qualidade de Vida.  Mantém tudo isso colocado gratuitamente à disposição dos estudantes, interessados e população em geral de Campinas e região, e para os que procuram a entidade, que nunca recebeu qualquer verba ou auxílio público para custear a sua manutenção, contando apenas com doações e mínima arrecadação.

A entidade é gerida pela incansável e batalhadora Luciana Gi­gliotti, filha do idealizador. Um sonho realizado e exemplo para todos. Local: Rua Mogi das Cruzes, nº 255, Bairro Chácara da Barra, próximo ao Bairro Ta­quaral, em Campinas – SP – fone: 19-32947801 – site:www.cenapec . org.br – e-mail: cena [email protected] pec.org.br – blog: htpp://cenape c-cultural. we bno de.com/. – Um país melhor é feito de homens e livros -. “Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever – inclusive a sua própria história. Bill Gates.”

Luiz José Moreira Salata é Advogado, conterrâneo, ex-aluno, amigo e grande admirador da obra do seu idea­lizador Alcy Gigliotti.

 

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