23 de fevereiro | 2025

O silêncio que esconde a crise nas escolas

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A violência nas escolas não é um caso isolado e expõe uma crise estrutural que afeta todo o Estado de São Paulo.

José Antônio Arantes – Nos últimos dias, Olímpia registrou tres casos graves de violência escolar e dois deles chegaram à delegacia de polícia. Em um deles, uma professora foi apartar uma briga e levou até mordidas dos envolvidos (veja em matéria específica no site) um adolescente de 13 anos foi brutalmente agredido no pátio da escola; no outro, um aluno de 11 anos sofreu constrangimento público ao ter suas calças abaixadas diante dos colegas. A coordenadora de uma das escolas admitiu que a situação está fora de controle, pois o número de alunos supera a capacidade de gestão dos funcionários.

O mais alarmante é que esses episódios não são isolados. Pais e alunos comentam sobre agressões constantes, mas poucas chegam ao conhecimento da sociedade ou da imprensa. Quando ocorrem registros policiais, ainda assim, o tema parece ser tratado como tabu pelas autoridades educacionais, como se ignorá-lo fosse suficiente para eliminá-lo.

UMA CRISE
QUE SE ESPALHA PELO ESTADO

A realidade de Olímpia se repete em diversas cidades paulistas. Em Araraquara, brigas entre alunas de duas escolas estaduais viralizaram nas redes sociais.

Em Itapecerica da Serra, pais ficaram desesperados ao receberem vídeos de confrontos violentos dentro das salas de aula.

Em Sorocaba, relatos de professores apontam que alunos chegam armados à escola, enquanto diretores e coordenadores lutam para conter a indisciplina com um número reduzido de funcionários.

Esses exemplos confirmam que a crise não é pontual e reflete um problema estrutural do ensino público de modo geral.

O cenário de violência nas escolas se agrava com a falta de estrutura e apoio adequado aos profissionais da educação. A ausência de inspetores suficientes para supervisionar os alunos durante os intervalos e nas trocas de aula favorece a impunidade e a repetição dos episódios de agressão.

Além disso, professores relatam estar sobrecarregados e sem suporte emocional ou psicológico para lidar com situações de conflito dentro e fora da sala de aula.

MEDIDAS SUPERFICIAIS

Diante desse cenário, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) afirma estar implementando medidas para conter a crise. O programa “Conviva SP”, por exemplo, propõe ações como rodas de conversa e aplicação de questionários para identificar problemas dentro das escolas. Mas essas iniciativas, embora importantes, parecem insuficientes diante da realidade enfrentada diariamente por alunos, pais e professores.

A falta de profissionais capacitados para lidar com os conflitos, aliada à ausência de políticas efetivas de inclusão e suporte psicossocial, contribui para o agravamento da situação.

Muitos alunos acabam abandonados dentro do próprio ambiente escolar, onde a única supervisão existente é a de outros estudantes.

A indisciplina e o desrespeito às regras tornam-se práticas comuns, enquanto os educadores enfrentam dificuldades para impor limites diante de uma estrutura falha.

A Seduc-SP precisa entender que não basta apenas promover palestras ou ações pontuais. É necessário investir em segurança escolar, contratar mais funcionários para garantir a ordem e oferecer suporte psicológico contínuo tanto para alunos quanto para professores.

Sem medidas concretas, a violência continuará se espalhando, e a escola, que deveria ser um espaço de aprendizado e crescimento, seguirá como um palco de medo e insegurança, principalmente neste momento que a Educação enfrenta o acúmulo de uma educação familiar que passou a ser inexistente e a influência dos celulares como geradores da própria violência.

UM ALERTA URGENTE

O que está acontecendo nas escolas estaduais não é um fenômeno passageiro ou pontual. É um sintoma de um problema estrutural que exige ação imediata, pois tende a crescer desvirtuadamente.

O poder público precisa olhar para essa realidade com seriedade, fortalecendo o quadro de funcionários, garantindo suporte psicológico aos alunos e professores e promovendo políticas concretas de combate à violência.

Não é salutar aceitar que a normalização da violência escolar continue, nem permitir que os corredores das escolas sejam marcados pelo medo.

Se nada for feito agora, em breve a pergunta não será mais sobre como solucionar a violência nas escolas, mas sim se ainda existirá um ambiente escolar onde seja possível aprender com segurança.

 

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