22 de março | 2025
Cidade registra aumento nos casos de violência doméstica contra a mulher
VIOLÊNCIA DE GÊNERO EM CRESCIMENTO!
Cárcere privado, feminicídio e muitos casos que não são notificados. A reincidência e a brutalidade das ocorrências revelam um problema estrutural que exige resposta imediata das autoridades e da sociedade.

Os registros oficiais mostram que, em 2022, Olímpia teve 33 casos de estupro, um salto de 62% em relação aos 21 casos registrados em 2021, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Em termos proporcionais, o município figura entre os quatro com maior índice desse tipo de crime em todo o estado, evidenciando um problema que extrapola os limites do âmbito doméstico e se coloca como uma grave questão de saúde pública.
FEMINICÍDIO
EM PLENO BAIRRO RESIDENCIAL
Um dos casos mais trágicos registrados recentemente foi o de Suelene Aparecida Silva Santos, de 57 anos, que foi brutalmente agredida no bairro São José, com uma paulada na cabeça. A agressão aconteceu em 17 de dezembro de 2024, e a vítima foi internada em estado grave, falecendo seis dias depois. O caso investigado como feminicídio, chocou pela brutalidade e frieza com que foi cometido.
Casos como esse não são isolados. Eles revelam a face mais extrema da violência de gênero, que muitas vezes começa com pequenos sinais de controle, ciúmes excessivos, xingamentos e humilhações, e pode evoluir para agressões físicas e até a morte da vítima.
REDE DE APOIO AINDA É LIMITADA
Embora o município conte com uma Delegacia de Defesa da Mulher e tenha firmado parcerias com entidades como os CRAS, a OAB e organizações sociais para orientar e apoiar vítimas, o número crescente de casos evidencia que ainda há muito a ser feito. Recentemente, a delegada Débora Cristina Abdala Nóbrega assumiu a DDM com a proposta de fortalecer o atendimento às mulheres em situação de vulnerabilidade, mas a demanda continua alta.
A cidade também oferece canais diretos de denúncia, como o número 153 da Guarda Civil Municipal e o tradicional 190 da Polícia Militar, além de campanhas educativas como o “Agosto Lilás” e ações específicas no 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra a Mulher. Mesmo assim, a subnotificação continua sendo uma das maiores barreiras no combate a esse tipo de crime.
AUMENTO DE
MEDIDAS PROTETIVAS E DENÚNCIAS
De acordo com fontes das forças de segurança, houve crescimento no número de medidas protetivas solicitadas e também nas ocorrências registradas por agressão doméstica. O aumento, segundo especialistas, pode ter relação tanto com o crescimento dos casos quanto com uma maior conscientização das vítimas sobre seus direitos e canais de denúncia.
No entanto, muitas mulheres ainda permanecem presas a relacionamentos abusivos por medo, dependência financeira ou vergonha. Em vários casos, a violência só vem à tona após a divulgação de vídeos, mensagens ou quando a situação chega ao extremo. E, mesmo nesses casos, muitas vezes o entorno – vizinhos, amigos e até familiares – se cala.
VIOLÊNCIA DE GÊNERO
É QUESTÃO ESTRUTURAL
A reincidência e a brutalidade de episódios recentes indicam que não se trata apenas de desajustes individuais, mas de uma estrutura de desigualdade de poder que ainda predomina nas relações de gênero. A cultura machista, que normaliza o controle, a humilhação e a agressão como formas de “disciplinar” a mulher, ainda está presente em muitos lares, silenciosamente.
Por isso, especialistas defendem que o combate à violência contra a mulher precisa ir além da repressão. Deve envolver educação nas escolas, campanhas permanentes de conscientização, formação de servidores públicos, acolhimento qualificado das vítimas e punição rigorosa dos agressores.
Com ao menos dois casos de grande repercussão nos últimos meses – um de feminicídio e outro envolvendo cárcere privado e agressão simbólica –, Olímpia passa a fazer parte do mapa da violência contra a mulher no interior paulista. É hora de a sociedade parar de tratar esses casos como exceção ou fatalidade e enfrentá-los como o que realmente são: reflexo de uma estrutura social desigual que precisa ser desconstruída com urgência.
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