14 de setembro | 2025

Setembro Amarelo: a urgência de acolher o silêncio e dar voz à vida

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A cada Setembro, o país se cobre de laços amarelos, faixas, discursos e campanhas. “Setembro Amarelo” tornou-se uma marca forte de conscientização sobre suicídio, saúde mental e acolhimento — e, na Estância de Olímpia, há motivos reais para mover essa marca para além da simbologia: para a ação concreta, para o cuidado próximo, para a prevenção cotidiana.

José Antônio Arantes

Os dados alarmantes que circulam no Brasil não são exagero — estão sustentados em estatísticas oficiais recentes. Um relatório da Secretaria de Vigilância em Saúde apontou que houve um aumento de 43% no número absoluto de suicídios no país entre 2010 e 2019, saltando de 9.454 para 13.523 casos. Entre adolescentes, o crescimento nesse mesmo período foi ainda mais expressivo — 81% de elevação nas taxas.

E não param por aí os sinais de alerta: estudos apontam que os comportamentos de autolesão e as tentativas de suicídio estão aumentando, e que muitos jovens vivem sofrimento silencioso, subdiagnosticado e sem redes de apoio suficientes. Esses números reforçam: o país enfrenta uma emergência de saúde mental.

OLÍMPIA: DISCURSO E REALIDADE

Nesse cenário nacional desafiador, Olímpia apresenta uma resposta que merece ser vista com atenção – tanto para reconhecer o esforço quanto para inspirar melhorias.

Recentemente, o CAPS I de Olímpia ganhou nova sede, mais confortável e apropriada para os atendimentos, garantindo dignidade no acolhimento tanto para usuários quanto para profissionais. Anteriormente, o prédio da unidade foi interditado por causa de condições estruturais graves, o que levou à realocação temporária do serviço para outras instalações.

Além disso, Olímpia estendeu seus serviços de psicologia e apoio emocional especificamente para profissionais da saúde que atuaram na linha de frente da pandemia — um grupo claramente exposto a riscos elevados de desgaste mental, ansiedade, depressão. Essas ações demonstram que o município não está apenas reagindo às emergências, mas também buscando construir uma rede de apoio preventivo.

O novo CAPS está situado na Avenida Deputado Waldemar Lopes Ferraz, 1216 – Centro, telefone (17) 3279-4200. Há relatos recentes de que o serviço realiza atendimentos médicos, psicológicos, oficinas terapêuticas, acompanhamento familiar, rodas de conversa, dentre outras ações comunitárias.

Embora haja consenso sobre o crescimento dos casos de suicídio no Brasil na década de 2010–2019, os dados mais recentes (pós-pandemia) ainda estão em consolidação, e há variação grande entre regiões, faixas etárias e gênero.

O QUE OLÍMPIA PODE FAZER COM URGÊNCIA

Diante das evidências nacionais e da realidade local emergente, aqui vão algumas reflexões e recomendações para Olímpia – que servem para Olímpia, e para todas as cidades com desafios semelhantes:

FORTALECER A REDE DE PREVENÇAO LOCAL

O CAPS de Olímpia já funciona como referência — mas é preciso ampliar, descentralizar. Levar equipes de saúde mental às unidades básicas (UBS), às escolas, às comunidades rurais, às periferias urbanas. Diagnosticar sofrimento mental precocemente.

DADOS LOCAIS CONCRETOS E REGULARES

Criar ou intensificar um sistema de monitoramento municipal de suicídios, ideação suicida e autolesão. Quantos jovens? Em quais bairros? Quais grupos de risco (sexo, gênero, classe social, etnia)? Isso permitirá direcionamento efetivo de políticas e medir o impacto das ações.

EDUCAÇÃO EMOCIONAL NAS ESCOLAS

Professores, direção e comunidade escolar precisam de capacitação para identificar sinais de sofrimento: isolamento, mudança de comportamento, queda de rendimento, expressão verbal de desesperança. Programas curriculares que incluam promoção da saúde mental são fundamentais.

AÇÕES CONTÍNUAS E NÃO APENAS DE CAMPANHA

Setembro Amarelo é importante — mas o cuidado com a saúde mental não pode se restringir a este mês. O CAPS precisa de suporte sustentável, com equipe suficiente, estrutura adequada, recursos psicológicos, psiquiátricos, sociais. E ações de conscientização precisam se repetir ao longo do ano.

COMBATE AO ESTIGMA
Estigma é uma das maiores barreiras para a busca de ajuda. Conversar abertamente, promover histórias de quem superou, mostrar que cuidado psicológico é cuidado médico, visível no corpo também.

Saúde, Educação, Assistência Social, Cultura, Esporte — todos podem contribuir. Espaços comunitários, igrejas, clubes, empresas podem ser aliados na oferta de atividades que promovam pertencimento, autoestima, redes de apoio social.

É POSSÍVEL AVANÇAR

Setembro Amarelo só cumpre verdadeiramente sua missão quando ilumina o que muitas vezes fica na sombra: pessoas em sofrimento invisível, muros de silêncio, serviços insuficientemente estruturados.

Olímpia mostra que se pode fazer diferente — que se pode avançar com boas práticas, com nova sede do CAPS, com atendimento ampliado, apoio aos profissionais de saúde e atuação educativa. Mas ainda há muito por fazer para que esses gestos não sejam exceções nem paliativos; para que se tornem norma.

É preciso conclamar as autoridades municipais, os cidadãos, os profissionais de saúde e todos os setores da sociedade a transformar a boa vontade do Setembro Amarelo em políticas permanentes.

Saúde mental é direito de todos. Prevenção ao suicídio não é escolha: é urgência. E Olímpia — como cada cidade brasileira — precisa honrar essa urgência todos os dias, não apenas em setembro.

 

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