20 de outubro | 2025
BO de mulher que teve água cortada mobiliza 70 mil pessoas e divide Olímpia entre empatia e julgamento
MISÉRIA DAS REDES!
Caso de mulher sem água gera onda de solidariedade, ataques e debate sobre responsabilidade social. Publicação da Folha sobre jovem grávida e mãe de dois filhos, que registrou boletim de ocorrência após o corte de água em sua casa no Morada Verde, provocou centenas de comentários — de quem ofereceu ajuda e oração aos que a criticaram por “ter filhos demais”.

A publicação, feita no Facebook, superou 70 mil visualizações e gerou uma enxurrada de comentários — um retrato fiel da divisão que existe entre empatia e julgamento social. De um lado, pessoas oferecendo mangueiras, apoio e oração. De outro, críticas duras sobre maternidade, responsabilidade e planejamento familiar.
REDE DE APOIO E GESTOS DE SOLIDARIEDADE
A corrente de solidariedade começou rapidamente. “Gente, algum vizinho passa mangueira de água pra ela, já passei até extensão de energia numa ocasião”, sugeriu Lucyanna Bento, lembrando que a empatia deve falar mais alto em momentos de crise.
Outros apontaram caminhos institucionais. “Essa moça precisa de ajuda da Assistência Social, que tem obrigação de atender. E se informem primeiro: quem tem filhos pequenos ou idosos em casa não pode ter água ou luz cortada”, alertou Renata Cris.
A secretária municipal de Assistência Social, Edna Marques, chegou a responder diretamente nos comentários após ser marcada por Letícia Cardoso, que escreveu: “Edna Marques, a união faz a força, vamos dar atenção às necessidades de quem realmente precisa.”
“NÃO JULGUEM QUEM JÁ SOFRE”:
DEFESA PELA EMPATIA
Diversos internautas criticaram o tom agressivo de parte dos comentários. “Meu Deus, quantos comentários desnecessários. Se não quer ajudar, tudo bem, mas guardem pra si o julgamento. Ela não precisa disso, e sim de pessoas de bom coração”, desabafou Graziela Gotera.
Elisa Gatti reforçou o apelo: “Cada um sabe de suas necessidades. Se não pode ajudar, também não julgue.” Já Papaléguas Pastéis sintetizou o sentimento de indignação: “No momento não é sobre quem é o pai dos filhos, é sobre ter empatia pelo próximo.”
Houve ainda manifestações de fé, como a de Terezinha Barreiro, que escreveu: “Deus abençoe ela e os filhos.” E mensagens de incentivo à ação concreta: “Assistência Social é pra esses momentos, procure a secretária Edna Marques”, recomendou Emerson Garcia.
CRÍTICAS, JULGAMENTOS E PRECONCEITO
Mas o tom de compaixão não dominou os comentários. Muitos usuários optaram por julgamentos severos. “Logo faz mais filho. Se não tem condições de pagar água e luz, não tem capacidade de ter um filho”, afirmou Ma Moraes.
Outros foram ainda mais diretos. “Ainda continua parindo”, ironizou Eline Costa. “26 anos, três filhos e nenhuma noção do que é responsabilidade”, criticou Cleusa Oliveira. “Cadê o pai dos filhos?”, perguntou Angela Ferreira, ecoando uma das frases mais repetidas no debate.
Alguns comentários beiraram o preconceito social. “Pobre adora pôr filho no mundo… fica mais fácil viver de doações”, escreveu Roxzzane Leifeld. “Boletim de ocorrência? Não pagou e ainda quer ter razão!”, publicou Liriane Celestino. “A pessoa vive em miséria e ainda inventa de fazer filho”, completou Claudemir Fachinetti.
DEFESA DOS DIREITOS E CHAMADOS
À RESPONSABILIDADE DO PODER PÚBLICO
Mesmo entre as críticas, surgiram vozes que pediram ações concretas. “Eles poderiam apenas fazer uma negociação, né? Triste”, ponderou Claudia Barboza. Marcos Vinicius foi além e se colocou à disposição para auxiliar judicialmente: “Procura a OAB e entra com um pedido liminar. Juiz nenhum vai negar. Se precisar resolver rápido, eu ajudo.”
Outros cobraram uma postura mais ativa da classe política local. “Cadê os vereadores da cidade? Nessa hora não aparece nenhum desgraçado. Por favor, ajudem”, publicou Luzia Loze, indignada com o silêncio das autoridades.
DEBATE SOBRE A ASSISTÊNCIA SOCIAL E A DESIGUALDADE
O caso também reacendeu discussões sobre a atuação da Assistência Social. “Vejo o CRAS pagando as contas de uns e de outros não. Vai entender”, escreveu Ana Carolina Silva, gerando um debate entre Lenilda Barbosa e Emerson Garcia sobre a eficiência do serviço público.
Alguns comentários tocaram em temas mais amplos. “Com esse desgoverno o custo de vida aumentou muito. Nada é de graça nessa vida”, observou Anitta Lozardo, ligando a situação da mulher à crise econômica nacional.
O CASO ALÉM DO CORTE DE ÁGUA
O boletim de ocorrência da mulher, que a princípio parecia um simples registro de corte de fornecimento, acabou se transformando em um espelho social: revelou como a pobreza e a maternidade ainda são tratadas com desconfiança e moralismo.
Entre as centenas de reações, a que melhor sintetizou o dilema talvez tenha sido a de Renata Amorim: “Que situação… tomara que ela consiga ajuda.”
Em meio à polarização, uma verdade se destaca — há quem julgue e há quem estenda a mão. E foi essa disputa entre o dedo apontado e o gesto solidário que fez da postagem um retrato fiel da realidade brasileira: um país em que a empatia ainda precisa vencer o preconceito.
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