21 de outubro | 2025

Entre o giz e o algoritmo: os desafios de ser professor na era tecnológica

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DIA DO PROFESSOR!
Homenagem que revela conquistas, desafios e a urgente necessidade de adaptação à era digital. Enquanto a rede municipal avança em valorização e reconhecimento, educadores vivem a difícil transição entre o ensino tradicional e as exigências de um mundo dominado pela tecnologia e pela inteligência artificial.

José Antônio Arantes

No último dia 15 de outubro, o Brasil celebrou o Dia do Professor, uma data que convida à reflexão sobre a espinha dorsal da sociedade: a educação. Mas, para além das homenagens simbólicas, a pergunta que se impõe é prática e direta: em Olímpia, os professores tiveram razões concretas para comemorar?

Ao mergulhar na realidade local, a resposta pode ser positiva para os docentes da rede municipal, embora o cenário não esteja livre de contradições, desafios e transformações aceleradas — especialmente as impostas pela revolução tecnológica, que redefine, a cada ano, o papel do educador.

VALORIZAÇÃO VISÍVEL

Para os servidores municipais, a comemoração se ancora em uma política de valorização não ideal, mas palpável. Não se trata de discurso, mas de ações concretas: salários entre os mais competitivos da região, reajustes consistentes que superam a inflação, investimento em formação continuada e mecanismos de reconhecimento público, como o projeto da iniciativa privada em parceria com o município, Educação no Parque, que premia não só os alunos, mas também os professores-orientadores.

O caso de Olímpia mostra que, quando a educação é tratada como política estratégica, os resultados aparecem — seja nos índices de alfabetização, seja na motivação de quem ensina.

ENTRE A TRADIÇÃO E A TECNOLOGIA

Mesmo em meio aos avanços, o ofício de ensinar nunca foi tão desafiador. O professor contemporâneo se vê diante de um novo tipo de sala de aula — povoada por telas, distrações e inteligências artificiais. O aluno de hoje acessa mais informação em um dia do que gerações anteriores em meses. A escola, contudo, ainda luta para transformar esse volume de dados em conhecimento, e esse é o novo campo de batalha do magistério.

O docente precisa ser, ao mesmo tempo, mediador e filtro, capaz de transformar o excesso em sentido, a velocidade em reflexão. As metodologias ativas, o ensino híbrido e o uso de ferramentas digitais exigem novas competências pedagógicas, mas também cobram tempo, preparo e infraestrutura — nem sempre disponíveis.

O PROFESSOR NA ERA DIGITAL

Enquanto o giz e o quadro negro se tornam símbolos nostálgicos, o professor da era tecnológica precisa lidar com algoritmos que personalizam o aprendizado, plataformas que substituem exercícios e, mais recentemente, com inteligências artificiais generativas capazes de redigir textos, resolver problemas e até “explicar” conteúdos.

O desafio, agora, é ensinar o aluno a pensar para além da resposta pronta — e ensinar-se, também, a usar a tecnologia sem se deixar substituir por ela. A inovação precisa ser aliada, não competidora. A inteligência artificial pode corrigir textos, mas não substitui o olhar humano que reconhece o esforço, a criatividade e a emoção do aprendizado.

REALIDADES PARALELAS

Contudo, a realidade da educação é complexa e nunca homogênea. Os professores da rede estadual, que também atuam em Olímpia, enfrentam uma conjuntura diferente — marcada por carreiras mais rígidas, histórico de greves e um horizonte de incertezas com a chegada de novos modelos de gestão, como as escolas em Parceria Público-Privada (PPP), previstas para operar a partir de 2026.

Enquanto os municipais vivenciam um ciclo de aparente e ainda não tão consistente estabilidade, os estaduais convivem com a expectativa de mudanças estruturais e a necessidade de adaptação a sistemas híbridos de ensino e gestão.

Ambos, contudo, enfrentam a mesma angústia universal da profissão: a sobrecarga de trabalho, a luta por disciplina em tempos de dispersão digital e a pressão constante por resultados que, muitas vezes, ignoram o fator humano do aprendizado.

A ORIGEM DE UMA HOMENAGEM

A escolha do 15 de outubro para homenagear os professores tem uma origem dupla, que une um ato do poder imperial a uma iniciativa da própria categoria. O marco inicial remonta a 1827, quando Dom Pedro I assinou o decreto que criou o ensino elementar no país, determinando que todas as vilas e cidades tivessem suas “escolas de primeiras letras”.

Mais de um século depois, em 1947, o professor Samuel Becker, de São Paulo, propôs transformar a data em um dia de descanso e confraternização entre os educadores. O gesto simples ganhou força e se espalhou pelo país, até ser reconhecido oficialmente em 1963, quando o presidente João Goulart instituiu o Dia do Professor como feriado escolar nacional.

REFLEXÃO FINAL

Em 2025, ser professor é mais do que transmitir conhecimento — é reaprender a ensinar em um mundo onde o saber está em todos os lugares, mas a sabedoria é cada vez mais rara. Entre o giz e o algoritmo, o professor continua sendo o elo essencial entre a informação e a humanidade.

E se Olímpia mostra que é possível valorizar o educador de forma concreta, mesmo que acanhada, o grande desafio dos próximos anos será garantir que, diante das máquinas, nenhuma tecnologia substitua o brilho de quem ensina com o coração.

“EDUCAÇÃO NO PARQUE”,
PREMIANDO ALUNOS E PROFESSORES

Uma iniciativa do parque aquático Thermas dos Laranjais está transformando a maneira como os alunos da rede municipal aprendem sobre sustentabilidade e cidadania, ao mesmo tempo em que cria um mecanismo consistente de reconhecimento a estudantes e professores.

Criado em 2016 pelo Thermas Social, o projeto “Educação no Parque” organiza visitas monitoradas para turmas do 5º ano, com foco em educação ambiental e vivências práticas.

Na edição de 2024, o programa mobilizou mais de 660 estudantes e trouxe um roteiro pedagógico que inclui a Estação de Tratamento de Água — responsável por processar mais de 7,5 milhões de litros por dia —, além de paradas na “fazendinha” e no minizoo, com mais de 260 animais de 41 espécies.

Ao final, os alunos participam de um concurso cultural com premiações para alunos e professores como tablets, bicicletas e notebooks.

O RECONHECIMENTO AO MESTRE

Em 2025, a iniciativa atendeu cerca de 700 alunos do 5º ano de toda a rede municipal. A cerimônia de premiação deste ano reconheceu as melhores poesias sobre o tema “O Thermas e a Sustentabilidade como aliados do seu futuro”, com entrega de notebook ao aluno vencedor e, de um notebook também à professora-orientadora.

Houve ainda bicicleta para a segunda colocada e tablets aos demais finalistas, além de convites para retorno ao parque com as famílias.

A valorização explícita do trabalho docente — colocando o educador no pódio junto com o estudante — reforça a mensagem de que resultados de aprendizagem são indissociáveis de orientação qualificada em sala de aula.

O gesto também cria um incentivo concreto ao planejamento pedagógico e à mediação de leitura e escrita nas escolas municipais.

CONTEÚDO, ESG E EXPERIÊNCIA

O “Educação no Parque” integra pautas de sustentabilidade e gestão ambiental do próprio Thermas, que associa as ações ao seu programa ESG e iniciativas como a ISO 14001.

Em 2024, por exemplo, o parque agregou ao projeto uma atividade especial do “Dia da Botânica”, conectando os alunos a temas como sementes, biodiversidade e origem da efeméride, além do circuito sobre reuso e tratamento da água.

Desde 2016/2017, mais de 3 mil crianças já participaram do programa, que passou a compor o calendário pedagógico da rede municipal de ensino com edições anuais, sempre ancorado em visitas guiadas, conteúdos práticos de educação ambiental e fechamento com concurso cultural.

 

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