14 de janeiro | 2026

Reviravolta: Celta dado como furtado em pátio foi, na verdade, leiloado como sucata em 2010

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Levantamento junto ao Detran aponta que veículo teve baixa permanente há 16 anos pela Ciretran de Olímpia e não poderia estar em circulação; pátio de Severínia nega que carro tenha passado pelo local na gestão atual.

Uma reviravolta marcou o caso do GM/Celta vermelho, placas EBC-4551, que havia sido registrado como furtado de um pátio em Severínia nesta semana. Diferente do que constou no Boletim de Ocorrência elaborado na terça-feira (13), documentos extraídos pelo sistema digital do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP) revelam que o automóvel não desapareceu, mas foi leiloado como sucata há quase 16 anos.

O proprietário havia registrado a ocorrência policial alegando que o carro, apreendido em 2008, havia sumido do “Pátio Juna” e estaria circulando atualmente em São Paulo. Contudo, uma pesquisa detalhada no sistema “e-CRVsp” contradiz a versão de furto e circulação regular. O relatório aponta um bloqueio datado de 11 de maio de 2010, com o motivo explícito: “Veículo leiloado dia 14/04/2010 como sucata lote 006, NF 021498, Baixa Permanente”.

BAIXA PERMANENTE E SUCATA

A classificação como “sucata” e a “baixa permanente” no sistema impedem legalmente que o veículo volte a circular, derrubando a tese de que o carro estaria rodando normalmente pela capital paulista. O registro de município “São Paulo” que aparece no sistema refere-se, na verdade, ao domicílio tributário da empresa proprietária original, a Dibens Leasing S.A., e não à localização física atual do automóvel.

O leilão foi realizado pela 44ª Ciretran de Olímpia, e não por órgãos de Severínia. Isso esclarece a confusão sobre o local do suposto desaparecimento. Gestores de pátios da região explicaram que, na época da apreensão (2008) e do leilão (2010), a administração e o fluxo de veículos apreendidos seguiam diretrizes diferentes das atuais, e que o veículo sequer estava sob responsabilidade do pátio citado no B.O. na data do leilão.

ERRO ADMINISTRATIVO E COBRANÇAS

A existência de cobranças recentes de IPVA, que assustaram o proprietário, indica um provável erro administrativo no sistema fazendário, uma vez que veículos baixados como sucata não geram mais esse tipo de tributo. A “queixa de furto” que consta atualmente no sistema é reflexo apenas do boletim de ocorrência registrado equivocadamente nesta semana, e não de um crime anterior.

Diante dos fatos, o “mistério” do carro que ressurgiu das cinzas se trata, na realidade, de uma falha de comunicação e interpretação de dados antigos. O veículo foi processado legalmente pelo Estado há mais de uma década, restando ao antigo dono buscar a correção dos débitos indevidos junto à Secretaria da Fazenda, munido da certidão de baixa permanente do Detran.

 

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