18 de janeiro | 2026
Samba Sem celebra 50 anos de história e inicia ensaios para o Carnaval de 2026
JUBILEU DE OURO!
Agremiação fundada por universitários em 1976 inicia ensaios neste domingo no Clube de Campo. Já tendo reunido mais de 450 integrantes ao longo de sua trajetória e presença em 40% da história do município, bloco inicia ensaios abertos; cidade projeta ocupação hoteleira acima de 80% e espera mais de 100 mil turistas para a folia.

O início dos ensaios abertos ao público prepara o grupo para os desfiles que ocorrerão no entorno das praças da Matriz e Rui Barbosa, consolidando o retorno da tradição de rua.
SÓ NÃO SAIU NA PANDEMIA
A longevidade do bloco é um dado estatístico relevante no cenário estadual: o grupo esteve presente de forma contínua no carnaval olimpiense desde 1976, com exceção apenas do hiato forçado de dois anos pela pandemia (2021 e 2022).
Ao longo desse período, estima-se que cerca de 450 pessoas já tenham vestido a camisa e desfilado pela agremiação, que nos últimos anos mantém uma base ativa de pelo menos 100 integrantes por desfile.
ORIGEM UNIVERSITÁRIA
E IDENTIDADE RÍTMICA
Fundado originalmente pela União de Estudantes Universitários de Olímpia (UEUO), o Samba Sem nasceu com a ambição de ser uma escola de samba, mas adaptou-se ao formato de bloco para garantir maior liberdade criativa e de improviso, sem as amarras de regulamentos rígidos.
Essa origem acadêmica não impediu a popularização do grupo, que hoje agrega famílias inteiras, registrando casos de até quatro gerações – do bisavô ao bisneto – participando simultaneamente da folia.
INCORPOROU OUTROS TOQUES
Musicalmente, o bloco construiu uma identidade singular que vai além do samba-enredo tradicional. A bateria, formada por uma linhagem de mestres iniciada por nomes como Fernando “Véio” Storto, inovou ao incorporar toques de ijexá, baião, congadas, moçambiques e folias de reis, além de chorinhos e marchinhas clássicas. Essa fusão rítmica sustenta desfiles que, historicamente, também serviram de palco para posicionamentos sociais.
O histórico de enredos do Samba Sem funciona como uma crônica da história política brasileira e local. O grupo abordou o movimento operário em 1979 (“Se Essa Rua Fosse Minha”), defendeu as “Diretas Já” em 1984 e criticou a situação econômica do país em 1989 (“Planos Piratas”) e 1990 (“República de Bananas”). Mais recentemente, pautas como o empoderamento feminino (“Agora é que são elas”, 2011), a tolerância religiosa (“A macumba da nega é boa”, 2017) e a preservação ambiental (“Ecosamba”, 2020) foram levadas à avenida.
ALÉM DA AVENIDA
E PROJETOS FUTUROS
A atuação do grupo expandiu-se para além dos dias de momo com a criação da Associação Cultural Samba Sem Compromisso e do Bloco Boi Boiola, que tradicionalmente desfila nas segundas-feiras de carnaval. A associação resgatou o papel cultural da antiga UEUO, promovendo exposições e programas de rádio.
Para o ciclo comemorativo do cinquentenário, a diretoria, que teve em Fernando Monzani um de seus presidentes mais longevos, projeta o lançamento de um livro, um documentário e a realização de um baile, estendendo as celebrações pelos carnavais de 2026 e 2027.
Comentários
Os comentários não representam a opinião do iFolha; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Você deve se logar no site para enviar um comentário. Clique aqui e faça o login!
Ainda não tem nenhum comentário para esse post. Seja o primeiro a comentar!






