06 de fevereiro | 2026

Chacina no Paraná completa seis meses sem prisões e com suspeitos foragidos

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Três homens de São José do Rio Preto e um de Olímpia foram mortos durante cobrança de dívida em Icaraíma; investigação segue em sigilo.

Seis meses após a chacina de quatro homens do interior de São Paulo no Paraná, o caso segue sem conclusão e com os principais suspeitos foragidos. O crime ocorreu em agosto do ano passado, em Icaraíma, e até o momento o inquérito policial não foi finalizado. 

As vítimas, Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza, foram mortas em uma emboscada logo após realizarem a cobrança. Segundo a Polícia Civil, os homens foram executados a tiros e enterrados em uma área rural do município. 

INVESTIGAÇÃO ENTRA EM NOVA FASE 

O delegado Isaias Cordeiro de Lima assumiu em janeiro a comarca de Umuarama, responsável pela Polícia Civil em Icaraíma, e afirmou que a investigação dos homicídios será tratada como prioridade em 2026. Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, ele informou que a equipe permanece a mesma e seguirá a linha de apuração iniciada anteriormente. 

De acordo com Isaias, o caso chamou atenção pela violência e pela dinâmica dos fatos. “Em 2025 teve esse ápice de sete homicídios em razão dessas quatro mortes que elevaram bastante o índice. A dinâmica dos fatos nos impressionou pela crueldade com que foi praticado. Uma situação que fugiu da realidade da comarca”, afirmou. 

SUSPEITOS CONTINUAM FORAGIDOS 

Os principais suspeitos são Antonio Buscariollo, de 66 anos, e o filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22. Eles estão foragidos desde o dia 9 de agosto, dois dias após prestarem depoimento na delegacia. A defesa afirma acreditar na inocência dos clientes. 

Na ocasião, pai e filho confirmaram a existência de um negócio envolvendo a venda de uma propriedade rural, mas negaram relação direta com a dívida cobrada pelas vítimas. Após serem liberados, eles deixaram a cidade, assim como outros familiares que moravam no mesmo local. 

DÍVIDA DE R$ 255 MIL MOTIVOU A VIAGEM 

A investigação apontou que o motivo da viagem foi a cobrança de uma dívida de R$ 255 mil, relacionada à venda de uma propriedade rural por Alencar Gonçalves de Souza à família Buscariollo. O pagamento foi dividido em dez notas promissórias de R$ 25 mil, mas nenhuma parcela teria sido quitada. 

Diante da inadimplência, Alencar, Robishley, Rafael e Diego foram até Icaraíma. O grupo saiu de São José do Rio Preto e chegou à cidade paranaense no início de agosto. 

ÚLTIMOS CONTATOS E DESAPARECIMENTO 

No dia 4 de agosto, os quatro homens se encontraram em Icaraíma. Na manhã do dia 5, uma câmera de segurança de uma panificadora registrou a última imagem deles juntos. Por volta das 12h, ainda conversaram com familiares por telefone. 

No dia seguinte, sem notícias do grupo, a esposa de Robishley procurou a polícia em São Paulo para registrar o desaparecimento. A partir disso, as investigações foram iniciadas de forma conjunta entre os estados. 

CARRO FOI ENCONTRADO ENTERRADO 

Em 12 de setembro, mais de um mês após o desaparecimento, a Polícia Militar Ambiental localizou a picape usada pelas vítimas. O veículo estava enterrado em um bunker, em uma área de mata fechada na zona rural de Icaraíma, coberto por uma lona. 

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Paraná, o local foi descoberto após o pai de uma das vítimas receber uma carta anônima com a localização do carro. Um informante também colaborou com as autoridades. 

VESTÍGIOS DE VIOLÊNCIA NO VEÍCULO 

A perícia constatou que a picape apresentava vestígios de sangue, marcas de disparos de arma de fogo, vidros quebrados e bancos danificados. Os indícios reforçaram a suspeita de que o crime havia sido cometido no próprio veículo ou em suas proximidades. 

Após a localização do automóvel, as buscas na região foram intensificadas pela polícia. 

CORPOS FORAM ACHADOS EM VALA 

Os corpos das quatro vítimas foram encontrados na noite de 18 de setembro, a cerca de 650 metros do local onde a picape estava enterrada. Eles estavam em uma vala coberta por vegetação, em uma área de difícil acesso. 

A confirmação oficial foi feita na manhã do dia 19 de setembro pelos delegados responsáveis pelo caso. Todos apresentavam marcas de tiros, indicando execução. 

IDENTIFICAÇÃO DAS VÍTIMAS 

A identificação inicial foi feita com base nas roupas utilizadas pelas vítimas. Posteriormente, exames de papiloscopia confirmaram oficialmente as identidades, por meio da Polícia Científica. 

Também foram elaborados laudos necroscópicos para auxiliar nas investigações e esclarecer as circunstâncias das mortes. 

INQUÉRITO SEGUE EM SIGILO 

Até o momento, não há previsão para a conclusão do inquérito. A Polícia Civil informou que a investigação segue em sigilo para não comprometer o andamento das diligências. 

O caso é considerado um dos mais graves já registrados na região nos últimos anos e segue sem respostas definitivas para as famílias das vítimas, enquanto os suspeitos permanecem foragidos. 

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