15 de fevereiro | 2026

A alma foliã de Olímpia: do brilho dos clubes à passarela do samba no coração do Distrito Turístico

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O carnaval olimpiense une a memória afetiva das marchinhas na Praça da Matriz com a grandiosidade dos shows nacionais no Thermas, consolidando-se como um motor econômico que preserva a identidade da Capital Nacional do Folclore.

José Antônio Arantes – O carnaval de Olímpia é uma dessas manifestações que parecem pulsar no mesmo ritmo das águas quentes que nos tornaram famosos. Para além de ser apenas uma pausa no calendário, a folia aqui se confunde com a própria construção de nossa identidade como “Cidade Menina Moça”.

O que começou como uma brincadeira de entrudo e animados bailes de clubes, hoje é o reflexo de uma cidade que aprendeu a profissionalizar sua alegria sem perder a essência comunitária.

PROXIMIDADE FAMILIAR

Se voltarmos o olhar para as décadas passadas, veremos que o carnaval era um evento de proximidade quase familiar. Antes da era dos grandes resorts e da multidão de milhares de turistas, a folia concentrava-se no brilho dos clubes sociais e na Praça da Matriz de São João Batista.

Foi nesse cenário que, em 1976, nasceu a Associação Cultural Samba Sem Compromisso, pioneira que até hoje mantém viva a chama do desfile tradicional, celebrando agora meio século de trajetória ininterrupta.

CAPELA, GATO PRETO

Mas sempre é bom relembrar os áureos tempos dos grandes bailes em locais como Aeroclube, UECIO, Literário Recreativo, Nosso Clube (popularmente chamado de Clube dos Pretos), Clube de Campo Álvaro Brito e o Recinto do Folclore (intitulado carnavais do povão).

Dos carnavais de rua, ficaram marcados os Corsos que desfilavam por diversos pontos do centro comercial, a Escola Capela, Império do Samba, Gato Preto, Gatos do Morro, Sambalú, Rasga Coração e a eterna Samba Sem Compromisso que chega aos seus 50 anos, entre outros.

MARCO DA ERA CLÁSSICA

O ano de 2004, no entanto, com o projeto “Carnapaz”, foi um marco da era clássica, reunindo agremiações como Gaviões da Verde Rosa, Vem Comigo, Mocidade Unidos da São José e Galo Azul.

Naquela época, o carnaval era o ponto de encontro das famílias olimpienses, um tempo em que as escolas de samba eram extensões diretas de nossos bairros, traduzindo em fantasias e enredos as aspirações de uma comunidade que já respirava folclore durante todo o ano.

VOLTOU PARA CASA

Atualmente, enquanto os shows de renome nacional agitam o estacionamento do Thermas dos Laranjais a tradição “voltou para casa”. O retorno dos desfiles das escolas de samba e das matinês para a Praça da Matriz revitalizou o centro histórico, garantindo que o coração da cidade continue batendo no compasso da bateria e das marchinhas da Charanga da ABECAO.

Em suma, o carnaval para nós é a celebração da vida e da nossa capacidade de acolhimento. É o momento em que a Capital Nacional do Folclore mostra ao Brasil que sua sabedoria popular também sabe sambar e receber com excelência.

Que as próximas batidas de tambor continuem ecoando nossa história, honrando os fundadores das primeiras escolas e preparando o palco para as gerações que ainda virão festejar em solo sagrado.

 

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