21 de maio | 2026

Em entrevista, Charles Amaral reage às reclamações sobre Área Azul e Sabesp em Olímpia ao IFolha.

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Charles Amaral afirma que contratos da Área Azul e da Sabesp acumulam reclamações de moradores e comerciantes; Câmara busca alternativas jurídicas para rever serviços

Da Redação com Diário de Olímpia –  As reclamações envolvendo a Área Azul e a Sabesp dominaram a entrevista concedida pelo vereador Charles Amaral Ferreira, líder do prefeito Geninho Zuliani na Câmara Municipal, à Rádio Cidade e ao IFolha, nesta quinta-feira (21). Durante conversa com os apresentadores Br una Arantes e José Antonio Arantes, o parlamentar afirmou que os dois contratos se transformaram em “focos permanentes de desgaste para moradores e comerciantes de Olímpia”.

Logo no início da entrevista, Arantes classificou a situação da Área Azul como “uma verdadeira arapuca para os motoristas” e disse nunca ter visto “uma situação tão descabida” envolvendo estacionamento rotativo na cidade. Segundo ele, comerciantes e consumidores vêm evitando a região central por conta das notificações frequentes e da dificuldade de utilização do sistema.

“ROBOTIZAÇÃO DO SERVIÇO”, DIZ VEREADOR

Charles respondeu afirmando que as reclamações acompanham o mandato desde o período eleitoral. Segundo ele, o modelo de gestão mudou após a terceirização do serviço.

“Quando era ordenado pela Proden existia um diálogo maior. Com a terceirização houve uma robotização do serviço”, declarou.

O vereador afirmou que comerciantes, entregadores, motoristas de aplicativo e moradores da região central continuam relatando multas rápidas, falta de tolerância e dificuldade de diálogo com a concessionária responsável pela Área Azul.

Durante a entrevista, José Antonio Arantes relacionou o crescimento do comércio no Vale do Turismo à perda de movimento no centro da cidade e afirmou que o estacionamento rotativo agravou ainda mais a situação.

“O povo não vai mais ao comércio. Isso está acabando com a cidade”, afirmou o apresentador.

ENTREGADORES E PEQUENOS COMERCIANTES ESTARIAM ENTRE OS MAIS PREJUDICADOS

Charles concordou que o sistema atual atinge principalmente pequenos comerciantes e trabalhadores de aplicativos. Ele relembrou que uma das primeiras ações de seu mandato foi solicitar tolerância para carga e descarga rápida, o que resultou na criação das chamadas “vagas verdes”.

Mesmo assim, o parlamentar avaliou que as medidas adotadas ainda estão longe de resolver o problema.

“O cara entrega um lanche e ganha R$ 4 ou R$ 5. Como vai pagar Área Azul para fazer entrega?”, questionou.

Segundo o vereador, a Câmara Municipal vem reunindo reclamações, documentos e questionamentos jurídicos para tentar rever o contrato firmado com a concessionária do estacionamento rotativo.

Ele afirmou que vereadores como Luiz Salata, Marcelo da Branca, Otávio Hial e Sargento Barrera também participam das discussões.

CÂMARA BUSCA FALHAS PARA TENTAR REVER CONTRATO

De acordo com Charles, já teriam sido encontrados possíveis problemas no processo licitatório da Área Azul.

“Nós já encontramos falhas no processo licitatório. A ideia é buscar uma forma jurídica de rever ou cancelar esse contrato”, afirmou.

A parte mais extensa da entrevista foi dedicada à Sabesp. Durante o programa, Arantes classificou a situação como “caos” e afirmou nunca ter visto “uma bagunça dessas num serviço público”.

Charles relatou casos de cobrança duplicada, ameaças de corte e contas consideradas incompatíveis com o consumo registrado pelos moradores.

RELATOS DE CONTAS ALTAS E AMEAÇAS DE CORTE

Entre os exemplos mencionados, o vereador citou um consumidor que teria pago a conta antecipadamente, mas continuou recebendo aviso de corte no fornecimento de água.

Segundo ele, ao procurar atendimento presencial, o morador teria sido orientado a efetuar um novo pagamento para evitar a suspensão do serviço.

“Isso deixa a pessoa sem chão. É uma afronta direta à dignidade dela”, afirmou.

Ao longo do programa, ouvintes encaminharam novos relatos envolvendo a concessionária. Um deles mencionou contas variando entre R$ 1,5 mil e R$ 1,8 mil. Outro relatou problemas com água contendo areia em um bairro da cidade.

Durante a entrevista, Bruna Arantes destacou que muitas pessoas evitam denunciar os problemas por medo de retaliação.

VEREADOR PEDE QUE MORADORES DOCUMENTEM PROBLEMAS

Charles respondeu dizendo que os moradores precisam registrar as ocorrências e encaminhar provas para vereadores e veículos de imprensa.

“A população não precisa ter medo de denunciar”, declarou.

Segundo ele, a Câmara pretende realizar uma reunião envolvendo representantes da Sabesp, da agência reguladora Ares-PCJ, vereadores, Prefeitura e Ministério Público.

A intenção, de acordo com o parlamentar, é discutir medidas emergenciais e formalizar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) para criar mecanismos que impeçam cobranças indevidas e melhorem o atendimento prestado à população.

“O serviço público existe para atender a população. Se isso não está acontecendo, algo precisa mudar”, afirmou.

PRIVATIZAÇÃO DO DAEMO VOLTOU AO CENTRO DAS CRÍTICAS

Durante a entrevista, Charles voltou a criticar a venda do antigo Daemo, realizada na gestão anterior. Segundo ele, Olímpia perdeu autonomia sobre um sistema que conhecia a realidade local e contava com equipes técnicas experientes.

“Até hoje eu não consigo entender o motivo da venda”, disse.

José Antonio Arantes também afirmou que a privatização da Sabesp teria agravado os problemas após a mudança para o controle privado da companhia.

Apesar das críticas, Charles ressaltou que as equipes operacionais responsáveis pelos reparos emergenciais têm atendido demandas encaminhadas pela Câmara Municipal.

Ao final da entrevista, o vereador afirmou acreditar que ainda existe possibilidade de melhorar os serviços, mas ressaltou que isso dependerá de pressão política, fiscalização constante e atuação conjunta entre os órgãos públicos e a população.

 

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