17 de junho | 2026
Mais de um ano após agressão de alunos, professora de Olímpia diz que só dorme com remédio controlado
Heloisa Barbara Cevada Esperandio, de 67 anos, deixou o cargo depois de ser mordida e chutada ao tentar separar dois estudantes do 2º ano. Mesmo após terapia e acompanhamento especializado, ela afirma que ainda enfrenta consequências emocionais do episódio.

Em entrevista ao g1 Rio Preto e Araçatuba, Heloisa contou que ainda passa por momentos de fragilidade emocional e, por vezes, chora ao recordar o que aconteceu. A professora procurou diferentes formas de acompanhamento, incluindo atendimento com psiquiatra, psicóloga, terapia e, mais recentemente, psicanálise, mas afirma que ainda não conseguiu superar completamente os efeitos da violência.
AGRESSÕES OCORRERAM DENTRO DA SALA DE AULA
A professora trabalhava com uma turma do 2º ano do ensino fundamental quando dois alunos se envolveram em um desentendimento. Ao tentar separar as crianças, Heloisa foi atingida por chutes e mordidas.
A educadora já estava aposentada, mas havia decidido permanecer em atividade. Ela informou ter trabalhado durante 31 anos no funcionalismo público e, apesar da experiência acumulada em sala de aula, acabou deixando a função depois das agressões.
PROFESSORA RELATA QUE AINDA CHORA
Ao falar sobre as consequências do episódio, Heloisa afirmou que seu estado emocional continua delicado. Segundo ela, os tratamentos realizados até agora não foram suficientes para eliminar os reflexos deixados pela situação vivida na escola.
“O emocional até hoje é delicado e às vezes choro. Eu já fiz terapia, já passei por psiquiatra e psicóloga. Este ano, fui fazer psicanálise e, infelizmente, ainda não senti o resultado”, declarou ao g1.
MEDICAMENTO PASSOU A SER NECESSÁRIO PARA DORMIR
A professora também relatou que utilizou antidepressivo durante um período prolongado. Posteriormente, decidiu interromper o uso do medicamento por conta própria, mas continua dependendo de um remédio indicado para induzir o sono.
Segundo Heloisa, sem a medicação ela não consegue relaxar nem descansar durante a noite. “Parei com o antidepressivo por minha conta, mas faço uso de remédio para dormir. Eu não consigo dormir sem ele”, afirmou.
PREFEITURA DIZ QUE ADOTOU MEDIDAS ADMINISTRATIVAS
A Secretaria Municipal de Educação de Olímpia informou que, na época dos fatos, tomou as medidas administrativas consideradas cabíveis. Segundo a pasta, foram realizados o registro e a averiguação da queixa, além do acompanhamento do caso.
A secretaria também declarou que houve acolhimento dos envolvidos, direcionamentos pedagógicos e monitoramento por uma equipe multidisciplinar. A manifestação não detalha quais providências específicas foram adotadas em relação aos alunos envolvidos nas agressões.
PESQUISA APONTA VIOLÊNCIA CONTRA PROFESSORES
O caso de Heloisa ocorre em um cenário no qual agressões dentro das escolas são relatadas por uma parcela expressiva dos profissionais da educação. Pesquisa realizada pelo Centro do Professorado Paulista ouviu 1.440 docentes do estado de São Paulo e apontou que 65,6% deles já sofreram algum tipo de agressão no ambiente escolar.
Entre os entrevistados, 50% trabalhavam na rede estadual, 40,2% em escolas municipais e 7,9% em instituições particulares. O levantamento foi realizado em janeiro de 2025.
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