10 de agosto | 2008

Santa Casa denuncia omissão da prefeitura para tumultuar hospital

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 A provedora da Santa Casa de Olímpia, Helena de Sousa Pereira, concedeu entrevista na tarde da sexta-feira desta semana, dia oito, denunciando omissão da prefeitura municipal com a finalidade de tumultuar o atendimento do hospital.

De acordo com ela, a situação acabou gerando um acréscimo de 50% nos atendimentos do pronto-socorro, com casos que poderiam ser solucionados no próprio Recinto de Exposições e Atividades Folclóricas Professor José Sant’anna, principalmente, se seguissem os procedimentos normais verificados em todos os anos.

"Todos os anos, via de regra, era montado, como deve ser este o procedimento, lá no recinto um local onde a Secretaria da Saúde sempre manteve um médico plantonista e equipe de enfermagem para os atendimentos ambulatoriais, aqueles que não fossem de urgência ou de emergência.

Contudo, neste ano, talvez para realmente acontecer o que está acontecendo, ou seja, para entupir a Santa Casa de casos que não deveriam ser atendidos aqui, a Secretaria da Saúde está mantendo apenas a ambulância e o carro do resgate (Corpo de Bombeiros), que vem direto para a Santa Casa", desabafou.

A situação é de preocupação em virtude do aumento do fluxo de pessoas no recinto a partir de ontem até o final da madrugada de amanhã. O recinto, segundo informações dos organizadores do evento, recebeu até na noite da quinta-feira, dia sete, mais de 87 mil pessoas.

Porém, na quinta-feira, por exemplo, quando apenas 12.625 passaram pelas catracas do recinto, de acordo com a provedora, apenas no período entre 18 horas e 21h30, o carro do resgate do Corpo de Bombeiros foi 11 vezes até a Santa Casa.

"O resgate compareceu aqui trazendo pessoas alcoolizadas, que tinham que ser atendidas lá (no recinto) e não aqui, pessoas de casos ambulatoriais. Nós tivemos 150 atendimentos ontem (5.ª feira), e quase que a totalidade de casos que poderiam ser solucionados lá. Estivemos aqui a noite toda e os plantonistas atenderam acidentados, mas, no entanto, a maior parte dos casos eram ambulatoriais. Então, isso é um descaso", acrescentou.

Ponto facultativo

Um fator que, segundo a provedora, confirma seu pensamento, é o fato de ter sido decretado ponto facultativo para esta sexta-feira e nenhum comunicado oficial ter sido encaminhado ao hospital para que se precavesse com o aumento considerável de atendimentos. Quando isso acontece, relata a provedora, no caso as Unidades Básicas de Saúde fechadas, todo o movimento da cidade cai diretamente na porta da Santa Casa.

"Qual era o dever do senhor secretário da saúde? Comunicar que hoje seria ponto facultativo no município e que as UBS não estariam funcionando. Teríamos que ter providenciado um pediatra, para estar aqui. Se bem que os pacientes têm acabado caindo aqui mesmo na Santa Casa, porque não conseguem atendimentos nas UBS. Portanto, com o intuito de prejudicar o nosso trabalho ele não se dignou a comunicar que seria ponto facultativo", asseverou.

A provedora questiona o porquê a prefeitura agiu dessa maneira. "Quero saber o porquê dele estar fazendo isso? Ele tem que dar segurança às pessoas que estão participando da festa. Agora você imagina amanhã", comentou fazendo menção a hoje, sábado, que o recinto deverá receber dezenas de milhares de pessoas.

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