28 de junho | 2009
Moçambique ilustra cartaz do 45.º Fefol e pode ficar de fora da ‘festa’

“Um grupo igual a esse meu precisa de muitas coisas, enfeites, chocalhos, brincos e, é coisa que todo ano estraga porque o povo perde e você tem que fazer novamente. É difícil”, lamenta Santos. E se trata de uma situação que, mais uma vez, está preocupando e chateando o coordenador. “Querer participar eu quero”, enfatizou.
Entretanto, Santos relata que está ainda aguardando uma resposta da Coordenadoria do Festival e até ontem não recebeu nenhuma resposta, mesmo que fosse negativa. “Por enquanto eles não resolveram nada ainda e sem a roupa não tem como participar”, reforça. Santos conta que pediram que aguardasse até na semana passada. “Aguardei e não me falaram nada”, reclama.
Sem a ajuda financeira, Santos insiste que não há como o grupo participar do festival. “Não posso fazer a roupa pagando do meu bolso porque é muita coisa”, avisa. De acordo com ele, o Moçambique São Benedito tem 60 componentes e tem que vestir a todos sem distinção.
Ainda de acordo com Santos, até com o prefeito Eugênio José Zuliani, Geninho, que lhe procurou pedindo autorização para ilustrar o cartaz com a foto do grupo, ele conversou a respeito. “Me mostrou o cartaz e perguntou se podia lançar e falei que podia. Aí ele falou que o resto ele resolvia. Só que fui lá na comissão, atrás da roupa e até hoje não resolveram nada”, se queixou.
DESCASO
O descaso de integrantes da comissão executiva do festival e a desilusão que isto gerou, fizeram com que o Terno de Moçambique de São Benedito deixasse de participar dos Festivais de Folclore a partir do ano de 2001, coincidentemente, o primeiro ano da primeira administração do prefeito Luiz Fernando Carneiro.
Até o ano de 1999, penúltimo do mandado do ex-prefeito José Fernando Rizzatti, de acordo com Santos foi cumprido um acordo de ajudar na roupa um ano sim e outro não.
O fato é que em 2001, quando seria o ano sim, já com o novo prefeito que escalou o comerciante Márcio José Ramos, como presidente da comissão executiva e houve também a mudança da coordenação cultural do evento, ele encontrou dificuldades com a professora Cidinha Manzolli e acabou desiludindo e desativando o grupo.
Até então, depois do falecimento de Sant’anna, a parte cultural do evento era coordenada por Antônio Clemêncio da Silva, Célio José Franzin e André Luiz Nakamura.Pouco antes do festival de 2001, Adelis procurou a coordenação para ver a questão das roupas que, segundo ele, na ocasião custariam em torno de cinco mil reais e acabou recebendo uma proposta para que pegasse apenas mil reais.
Adelis explica que esse acordo vinha sendo mantido desde o primeiro festival, quando apenas quatro grupos locais eram apresentados, na época em que o evento era realizado em apenas um final de semana, no ano de 1964.
Na ocasião o grupo foi reestruturado pelo professor Sant’anna, que se transformou, por desejo próprio, o padrinho da bandeira do Terno de Moçambique, incentivando Adelis a seguir a tradição que já vivia desde criança, quando acompanhava seu avô.
Entretanto, segundo ele, depois que o prefeito Luiz Fernando Carneiro assumiu a prefeitura e entregou a coordenadoria do festival para a professora Maria Aparecida de Araújo Manzolli, o que era expectativa de sobrevivência do grupo, se transformou em decepção e desilusão que o fizeram deixar de apresentar já no ano de 2001.
O capitão Adelis conta que o acordo que tinha com o professor Sant’anna e que foi mantido pelo ex-prefeito Rizzatti em seus dois últimos anos de mandato, era de que a cada dois anos, ou seja, ano sim, ano não, o grupo receberia novas vestimentas para fazer sua apresentação no festival.
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