24 de maio | 2020
Trabalho de Freis da “Igrejinha” leva marmitas, sopas e cestas básicas para centenas de famílias
SOLIDARIEDADE NA PANDEMIA! Da teoria à prática, indo ao encontro do povo, dando comida pra quem tem fome.
“Igrejinha está aberta de domingo a domingo, das 8 da manhã às 19 horas. As pessoas podem levar alimentos e também produtos de higiene pessoal, de limpeza e deixar na frente do altar. Estamos precisando bastante”.
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Os âncoras do programa “Cidade em Destaque” que vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 11 às 12 horas pela Rádio Cidade e é transmitido ao vivo pelo Youtube e pelo “Facebook”, Bruna Savegnago e José Antônio Arantes, que fizeram uma campanha recentemente conseguindo quase 500 máscaras cirúrgicas e a cara N95, estiveram na tarde de quarta-feira no barracão da Fenossa entregando as máscaras de rosto de pano e outras que não poderiam ser usadas no hospital para que os freis distribuíssem para os menos favorecidos no trabalho que vêm realizando desde o início da pandemia.
Bruna e Arantes foram recebidos pelo Frei Lucas Lissi que, após receber o material que também continha vários litros de produtos de limpeza e higiene que a paróquia estava em falta, contou para os jornalistas sobre o trabalho que vem realizando nos bairros pobres da cidade.
Frei Lucas contou que está na raiz da formação deles como frades franciscanos este trabalho de solidariedade que já distribuiu centenas de cestas básicas, 1200 litros de sopa e mais de 900 marmitas. “A nossa paróquia atende atualmente por mês 50 famílias, porém nós sabíamos que desde o início com o surgimento da pandemia este número tenderia a aumentar. Hoje nós atendemos em torno de 226 famílias por mês. Foi o tanto de cestas básicas que nós entregamos no mês de abril, então, possivelmente, neste mês de maio nós atenderemos 226”.
AUMENTO DE CESTAS BÁSICAS DISTRUÍDAS FOI DE 400%
E continuou: “Com a pandemia, nós aumentamos quase que quatro vezes mais a distribuição de cestas básicas. É feito uma triagem, a gente tem uma assistente social voluntária da paróquia. Hoje a gente não tem mais território paroquial, pode ser de outra paróquia, porque nessa necessidade a gente está atendendo todas as famílias e todas as necessidades.”
Bruna e Arantes: De onde vem tudo isso (doações)?
Frei Lucas: Da generosidade do povo. Graças a Deus nesse tempo nós estamos despertando no coração do povo, das pessoas na divulgação das nossas lives, nas ajudas que vocês têm dado para nós também. A igreja tem sido mantida aberta com o álcool em gel, com a higienização duas vezes ao dia sendo feita. Os materiais são recolhidos na igreja, trazido para cá, os nossos jovens voluntários todas as quartas-feiras fazem a limpeza, trazem os matérias para cá e daí na outra quarta-feira montam os kits, levam as cestas básicas prontas para outra sala e na quarta-feira da frente as cestas básicas prontas vão sendo levadas. Então, todas as quartas-feiras a gente tem produtos que vem para cá, produtos montados e produtos que são enviados.
Bruna e Arantes: Teve caso de famílias que tinham situação estável e agora estão em estado de vulnerabilidade?
Frei Lucas: Infelizmente. A gente acompanhando famílias mais de perto, pais com filhos na escola que tinham uma vida estável, vamos dizer assim, trabalhando como terceirizado tiveram a sua vida impedida de dar continuidade no aspecto do trabalho, então tiveram que recorrer a essa ajuda da paróquia, alegando inclusive ‘Frei, espero que essa ajuda seja momentânea e que muito em breve quando este vírus ser sanado eu possa voltar ao normal’.
100 LITROS DE SOPA NA SEGUNDA E NA SEXTA-FEIRA
Bruna e Arantes: Alguma região da cidade está em situação pior?
Frei Lucas: A nossa paróquia, de certa maneira, apadrinhou o bairro Pedregal, que compõe o território da nossa Paróquia como o bairro mais necessitado, inclusive, além da assistência com cesta básica nós também estamos distribuindo sopa toda segunda e sexta-feira. São 100 litros de sopa toda segunda e 100 litros de sopa nas sextas-feiras.
—- A sopa a gente também depende da doação das pessoas. Eu enviei vários ofícios para os varejões e tudo mais, temos um grupo de voluntários que prepara essa sopa aqui no salão paroquial, na nossa cozinha, os freis no finalzinho do dia, lá pelas cinco horas da tarde, vão na nossa capela que nós temos lá na no bairro e ao invés de rezar missa, transformamos a igreja numa casa de distribuição e fazendo aquilo que Jesus sempre sonhou, que é dar alimento. ‘Estive com fome, e me deste de comer.’
-— Um fato que nos chama atenção é que quando chegamos lá, por volta das cinco horas da tarde, a maior parte das famílias já está ali esperando com a sua vasilhinha, com a sua panela, sinal que esperam aquela sopa talvez como a sua única refeição da noite ou até mesmo do dia.
COMIDA PARA QUEM TEM FOME
Bruna e Arantes: Mas vocês também distribuem marmitas?
Frei Lucas: Daí nós preparamos o almoço na cozinha do salão paroquial. Fazemos em torno de 150 marmitas todos os domingos desde o início da pandemia. É a sopa na segunda e na sexta-feira e as marmitas nos domingos. As marmitas a gente não faz um ponto de distribuição, então cada domingo a gente escolhe um bairro carente para a gente poder estar distribuindo. A gente vê a necessidade, escolhe um bairro carente, colocamos as marmitas atrás da caminhonete distribuímos. Com um megafone a gente interage com as pessoas, até para evitar aglomerações.
Bruna e Arantes: Essas marmitas geralmente têm o quê?
Frei Lucas: Cada domingo a gente prepara alguma coisa. No Dia das Mães foi feijoada que nós preparamos, agora, graças a Deus, conseguimos frango, coxa e sobrecoxa, então teremos dois domingos que serão coxa e sobrecoxa. Domingo passado tivemos carne de panela e depois do frango nós já ganhamos lagarto, então será lagarto recheado. Então assim, sinal que o povo também está comovido, sensibilizado, nos ajudando. A paróquia ganhou neste tempo uma credibilidade, os nossos jovens, assim como vocês podem ver, estão ajudando, se sensibilizando, arregaçando as mangas.
ESTAMOS INDO AO ENCONTRO DO POVO
— A nossa paróquia tem se mostrado muito viva neste tempo. Hoje passamos para a prática cristã, não mais a teoria da missa onde o padre reza e o povo responde, mas a missa onde ‘ide em paz e que o senhor vos acompanhe’, de ir ao encontro do povo e o povo está reagindo muito bem, graças a Deus.
— Teve um domingo que nós fizemos uma ação de distribuição de produtos de higiene pessoal, então fizemos 330 kits de higiene pessoal e em cada kit tinha uma máscara, um detergente, um sabão em pedra, um sabonete, uma pasta de dente e uma escova de dente. Distribuímos também nos bairros carentes da cidade e junto da distribuição também fizemos uma conscientização de como as famílias deveriam usar isso daí também para prevenção do covid-19.
Bruna e Arantes: O que o frei espera que possa vir após a pandemia. O mundo será o mesmo?
Frei Lucas: “Nesse tempo o que nós mais temos dito para todas as pessoas é que fiquem em casa. Infelizmente nós temos achado muitas pessoas que acham que isso é uma brincadeira. Entendo que a gente possa estar enfrentando uma crise moral e nós precisamos neste momento exercitar aquilo que Jesus sempre pedia, que é o sentimento do amor. Jesus pede que ‘amemo-nos uns aos outros’. Então a todos os fiéis, a todos os ouvintes da rádio, eu gostaria de pedir que através do sentimento também da esperança. Enquanto tivermos esperança acreditaremos que o mundo poderá ser melhor, que o amor possa reinar. Então, ficando em casa, acredito muito que a pós pandemia possa trazer frutos de toda essa situação que vivemos.
SE COLOCAR NO LUGAR DO OUTRO
Bruna e Arantes: Será que a evolução será na empatia? A população vai aprender a se colocar no lugar do outro?
Frei Lucas: Sem dúvida. Acho que o maior legado de Jesus quando ele fala de amor é isso. Jesus não procurou os perfeitos, Jesus procurou os pecadores. Eu acho que isso é o que mais me encanta em Jesus. Ele foi atrás do pecador, ele foi atrás do leproso, ele foi atrás da prostituta, então isso me chama muito atenção no projeto de Jesus. A empatia isso, é olhar para a pessoa e perceber que por detrás dela nem sempre está tudo bem, então eu preciso ter a sensibilidade de me colocar no lugar dela. Ter a empatia de sentir a dor que ela sofre, de me compadecer, ter compaixão como Jesus também teve. Eu acho que a gente tem de crescer muito, aliás nós já estamos crescendo muito.
Bruna e Arantes: Se a pessoa quiser ajudar, como que faz?
Frei Lucas: “As pessoas que quiserem ajudar, a nossa paróquia está aberta todos os dias de domingo a domingo, das 8 da manhã às 19 horas. Conhecida aqui na cidade como “Igrejinha”. Vocês podem trazer os alimentos, lá no altar nós temos um espaço pronto e vocês podem deixar, lá na frente do altar tem escrito ‘deposite aqui o seu alimento’, produto de higiene pessoal, produto de limpeza nós estamos precisando bastante, então vocês também podem trazer, e toda quarta-feira os nossos jovens estão aqui de plantão das 14 às 16 horas no Fenossa, caso você não queria sair do carro eles estão aqui no drive thru, onde você pode deixar a sua doação. Eles mesmos vão no carro, pegam os produtos e já colocam direito na sala”.
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