23 de novembro | 2025
Arantes lança ensaio sociológico sobre o desafio de manter a humanidade em meio ao caos digital
NO BERÇO, UM ROBÔ!
Obra aponta que a ausência dos pais e excesso de telas criam uma Geração de Robôs Humanos. Terceira obra do fundador da Folha da Região já está disponível na Amazon e Estante Virtual; livro propõe a retomada do diálogo familiar e questiona a eficácia da escola tradicional frente aos algoritmos que dominam a atenção dos jovens.
O jornalista, advogado, filósofo e cientista social José Antônio Arantes, fundador e editor da Folha da Região, acaba de lançar seu terceiro livro, “No Berço, um Robô? – Um Ensaio Sobre Querer Ser Humano em Tempos de Caos Digital”, já disponível para venda na Amazon e na Estante Virtual, tanto em formato impresso quanto em PDF.
Diferente de suas obras anteriores – uma interpretação pessoal da filosofia de Friedrich Nietzsche e uma biografia do folclorista José Sant’anna, criador do Festival do Folclore de Olímpia —, este novo trabalho apresenta uma análise sociológica profunda sobre os tempos modernos dominados pela tecnologia.
O livro traz um prefácio assinado por sua filha, Bruna Silva Arantes Savegnago, que co-apresenta com o autor o podcast “Pod Pai & Filha”, pela Rádio Cidade, 98,7 MHz e redes sociais.
FAMÍLIA AUSENTE
E ESCOLA ANACRÔNICA
A obra parte de uma tese central preocupante: estamos vivendo o desmantelamento da educação familiar. Segundo Arantes, por falta de tempo – impulsionada por um sistema econômico que exige cada vez mais dos trabalhadores – e pela sedução inescapável das telas, os pais estão deixando de ser os principais educadores de seus filhos. Essa responsabilidade vem sendo delegada à escola, instituição que o autor considera também em crise profunda.
O livro descreve uma cena emblemática: uma família reunida em uma pizzaria, fisicamente presente, mas cada membro isolado em sua própria “ilha digital”, absorvido por smartphones enquanto a pizza esfria sobre a mesa. Para o autor, essa imagem não é apenas um retrato do nosso tempo, mas “o sintoma visível de uma fratura muito mais profunda”.
CINCO DÉCADAS
DOCUMENTANDO TRANSFORMAÇÕES
Com 66 anos e uma trajetória que começou no jornalismo aos 14, em 1973, Arantes traz uma perspectiva única sobre as transformações tecnológicas. Ele atravessou cinco décadas documentando o mundo, vendo “a máquina de escrever dar lugar ao computador” e assistindo “à internet nascer como promessa de democratização do conhecimento e se transformar em um labirinto de desinformação”.
Sua experiência como professor de Filosofia em escola pública por quase seis anos forneceu material fundamental para as reflexões do livro. O autor relata que estava “diante de jovens que já nasceram com um smartphone como chupeta digital, tentando ensinar Platão e Kant a mentes programadas para vídeos de 15 segundos”. Foi nessa trincheira pedagógica que ele compreendeu que não se trata de uma falha geracional, mas de “uma mutação civilizatória”.
BABÁ ELETRÔNICA
E ALGORITMOS DOUTRINADORES
Um dos capítulos centrais da obra analisa a evolução da “babá eletrônica”, desde a televisão dos anos 1980 até o TikTok contemporâneo. Se a TV antiga era criticada, mas ainda funcionava como “fogueira moderna ao redor da qual a tribo familiar se reunia”, o smartphone representa algo radicalmente diferente: uma tela individual, portátil e neurologicamente irresistível, projetada “por milhares dos engenheiros mais brilhantes do mundo com um único objetivo: ser o mais viciante possível”.
O autor dedica atenção especial ao poder dos algoritmos, que chama de “novo deus de nosso tempo”. Segundo ele, essas ferramentas não apenas personalizam conteúdos, mas aprisionam usuários em “bolhas informacionais” que reforçam crenças pré-existentes e destroem o debate público.
Arantes argumenta que plataformas como Facebook, Google e Amazon se tornaram “uma forma de Estado paralelo”, com poder sobre nossas vidas maior que a maioria dos governos, mas sem nenhuma das limitações democráticas.
SISTEMA ECONÔMICO
COMO ARQUITETO DO CAOS
A análise não se limita à tecnologia. Arantes identifica o sistema econômico como o verdadeiro arquiteto da crise educacional. Ele argumenta que o capitalismo contemporâneo coloniza o tempo familiar através da “lógica da disponibilidade total”, onde “o bom profissional é aquele que responde e-mails à noite, que participa de reuniões no fim de semana, que nunca se desconecta”.
O autor é especialmente crítico da “precarização como projeto”, citando empresas como Uber e iFood como modelos de um capitalismo que transforma trabalhadores em “empreendedores de si mesmos”, sem vínculos, sem proteção e sempre disponíveis. Para que esse modelo funcione, segundo ele, é necessário produzir indivíduos incapazes de pensamento crítico, que não se vejam como classe coletiva, mas como competidores individuais.
CONSUMISMO COMO RELIGIÃO SECULAR
O livro dedica um capítulo ao que Arantes chama de “Eu Compro, Logo Existo”, descrevendo como o consumismo se tornou a “religião secular” que preenche o vazio existencial deixado pela ausência familiar e pela escola falida.
O autor argumenta que “a identidade deixou de ser uma construção para se tornar uma performance”, onde marcas de celulares, roupas e destinos de viagem constituem o “vocabulário primário para expressar quem somos”.
A crítica se estende à cultura da gratificação instantânea, que cria jovens com “baixíssima tolerância à frustração”, incapazes de lidar com processos lentos que caracterizam qualquer aprendizado significativo ou relação humana verdadeira.
RECONQUISTA ATRAVÉS DE PEQUENOS ATOS
Apesar do diagnóstico sombrio, Arantes não adota uma postura fatalista. Os capítulos finais propõem caminhos concretos de resistência, começando pelo que chama de “micro-revolução familiar”. O autor sugere rituais como o “jantar sagrado”, onde celulares são banidos e a família se reconecta através do diálogo, e o “Domingo Analógico”, um dia inteiro offline dedicado à convivência presencial.
Outra proposta é a reconquista da leitura através da criação de uma “biblioteca familiar” e momentos de leitura compartilhada, para cultivar “a capacidade de atenção profunda, de imersão em narrativas complexas, de empatia com perspectivas diferentes”.
TESTEMUNHO PESSOAL E ESPERANÇA
O livro se encerra com um testemunho pessoal honesto. Arantes admite não escrever “de um lugar de superioridade moral ou de sucesso garantido”, mas “do lugar da luta diária, do erro, da contradição”. Ele reconhece ter sido “um pai ausente em muitos momentos, absorvido pelo trabalho”.
No entanto, o autor mantém a esperança: “Cada família que decide desligar os celulares no jantar é uma pequena vitória. Cada professor que se recusa a ser apenas um entregador de conteúdo é um ato de rebeldia. Cada jovem que questiona o sistema em vez de apenas consumi-lo é uma semente de mudança.”
“No Berço, um Robô?” é mais que um livro sobre educação ou tecnologia. É um manifesto pela reconquista da humanidade em tempos de caos digital, um chamado à coragem de educar verdadeiramente em um mundo que, segundo o autor, prefere fabricar robôs a formar seres humanos completos, críticos e empáticos, já está a venda na Amazon e na Estante Virtual.
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