17 de dezembro | 2025

Bilhete escondido em mamadeira leva polícia a investigar suspeita de maus-tratos em creche de Rio Preto

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Denúncia envolve criança com autismo e imagens enviadas por ex-funcionária; Polícia Civil instaurou inquérito e ao menos dez mães procuraram a delegacia.

Um bilhete escondido dentro de uma mamadeira deu início a uma investigação policial sobre suspeitas de maus-tratos contra crianças em uma creche particular de São José do Rio Preto (SP). O caso chegou à Polícia Civil no sábado (13) e resultou na instauração de um inquérito para apurar as denúncias, que envolvem possíveis situações de negligência, isolamento e condições inadequadas de higiene e atendimento. 

Segundo as informações, a suspeita surgiu após uma ex-funcionária da creche tentar alertar a mãe de um menino de dois anos, diagnosticado com autismo nível 2, sobre o que estaria acontecendo no local. A berçarista colocou um bilhete na mamadeira da criança com o recado: “Me chama, preciso falar com você urgente sobre os cuidados do seu filho”. 

DENÚNCIA CHEGA À POLÍCIA 

A mãe da criança não percebeu o bilhete quando recebeu a mamadeira, mas foi procurada posteriormente pela ex-funcionária por meio das redes sociais. Segundo o relato, a berçarista enviou fotos e vídeos que, na avaliação da mãe, indicariam possíveis maus-tratos e negligência no atendimento. 

Diante do material recebido, a mulher procurou a Polícia Civil na madrugada de sábado (13) para registrar a ocorrência.  

IMAGENS E RELATOS 

Entre as imagens enviadas, uma mostra a criança dormindo, aparentemente suada, e, de acordo com a mãe, com fezes. Em outra foto, o menino aparece sozinho em uma sala vazia, sentado em uma cadeira de refeição, sem possibilidade de sair do local por conta própria. 

Ainda segundo o relato da ex-funcionária, a criança teria sido mantida isolada, sem refrigeração adequada, mesmo sob calor intenso. A profissional também afirmou que os alimentos oferecidos às crianças eram armazenados de forma inadequada. 

CONDIÇÕES DO LOCAL 

A ex-berçarista relatou ainda que o ambiente apresentava condições insalubres de higiene, estrutura precária para o atendimento infantil e situações em que bebês dormiam no chão ou sobre colchões velhos e sujos. 

Ela afirmou também ter presenciado gritos e xingamentos direcionados às crianças durante as duas semanas em que trabalhou no local. As informações foram repassadas à mãe do menino e incluídas na denúncia registrada na polícia. 

SUSPEITAS DA FAMÍLIA 

A mãe relatou que já vinha desconfiando da situação após perceber mudanças no comportamento do filho, que passou a apresentar agressividade incomum. Segundo ela, a criança está em acompanhamento médico e faz uso regular de medicação, o que reforçou a suspeita de que as alterações comportamentais poderiam estar relacionadas ao ambiente da creche. 

Além do registro policial, a mãe informou que procurou uma advogada para formalizar a denúncia na esfera cível. De acordo com a Polícia Civil, pelo menos dez mães já procuraram a delegacia para relatar suspeitas semelhantes envolvendo a mesma instituição. 

SITUAÇÃO DA CRECHE 

A Secretaria Municipal de Educação de São José do Rio Preto esclareceu, por meio de nota, que o estabelecimento mencionado não é credenciado como escola de educação infantil e, por isso, não integra a rede supervisionada pela pasta. Conforme o órgão, o local consta como empresa voltada à recreação e lazer, categoria que não faz parte do sistema municipal de ensino. 

A pasta explicou que, para funcionar como escola de educação infantil particular, é necessário apresentar requerimento formal, proposta pedagógica, regimento escolar, comprovação de habilitação dos profissionais, adequação da estrutura física às normas educacionais e licenças obrigatórias de órgãos como a Vigilância Sanitária e o Corpo de Bombeiros. 

POSIÇÃO DA INSTITUIÇÃO 

Também por meio de nota, a direção da creche negou as acusações. A instituição declarou que os registros visuais divulgados não representam a realidade do cotidiano no local, afirmando que o material teria sido produzido e compartilhado de maneira descontextualizada por antigos colaboradores. Segundo a direção, não houve qualquer situação de violência envolvendo as crianças atendidas. 

Segundo o comunicado, “o material divulgado não reflete a rotina, os valores, nem o padrão de cuidado adotado pela escola ao longo de sua trajetória”. 

INVESTIGAÇÃO EM ANDAMENTO 

O delegado Amaury Scheffer de Oliveira Junior, responsável pelo 4º e 6º Distritos Policiais de São José do Rio Preto, confirmou que instaurou inquérito policial para apurar os fatos. De acordo com ele, algumas mães já foram ouvidas no dia 15 de dezembro. 

As investigações seguem em andamento, e a Polícia Civil informou que irá analisar os depoimentos, imagens, vídeos e demais elementos apresentados para esclarecer as circunstâncias e verificar se houve prática de crime. 

 

 

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