18 de março | 2007
Câmara tem obrigações moral e legal de instalar CP e apurar fantasma do gabinete de Carneiro

"Se realmente sobraram indícios ou se há indícios da existência de qualquer ato de improbidade ou de ilegalidade, eles (vereadores) têm obrigação moral e legal de instaurar uma Comissão Processante, claro sempre observado os princípios e as garantias constitucionais da ampla defesa, do contraditório da parte contrária", definiu.
A opinião do presidente da OAB foi tornada pública na quarta-feira (13) desta semana quando concedeu entrevista a uma das emissoras de rádio da cidade, principalmente para falar dos problemas da violência e da falta de segurança que têm preocupado a população.
"Não conheço a fundo o resultado dessa comissão processante e dos autos em questão, mas a princípio acho que um dos maiores problemas que temos no Brasil com relação à segurança pública e a violência, é efetivamente essa falta de punição daqueles que dilapidam o cofre público. Então não pode ficar no ar essa sensação que realmente tudo vai terminar em pizza. Acho que se apuraram, se há indícios, se há elementos, acho que a câmara, os vereadores, têm obrigação moral e legal de instaurarem a CP, porque na verdade a câmara é a caixa de ressonância dos segmentos da sociedade", afirmou.
Delegar poderes
Delgado explica que de nada adianta o cidadão delegar poderes através do processo do voto e eleger um vereador, se depois de eleito volta atrás naquilo que é obrigação dele e passa a defender interesses pessoais. "Não estou dizendo que isso esteja acontecendo. Mas acho que a obrigação de qualquer câmara é efetivamente apurar", reforçou.
Sobre o que o presidente da câmara, Francisco Roque Ruiz, justificou para não instalar a comissão, cujo pedido deve ser protocolado até o final da próxima semana, afirmou: "Se alegou que hoje está vivendo um momento político um pouco distinto, então ele está preocupado com o momento político dele e não da coletividade, da comunidade de Olímpia. Eu, lamentavelmente, acho que isso não é postura de um político, de um mandatário de cargo público".
Para o advogado a câmara deve ser os olhos da população: "É lamentável que hoje a gente vê muito interesse político sendo colocado à frente do interesse realmente da população. Isto é triste e difícil de fazer uma análise fria, mas como cidadão temos que analisar dessa maneira. Estou falando como eleitor. A pessoa na qual a gente dirige o voto é que deve dar resposta daquilo que a gente espera. Então, como eleitor, como cidadão de Olímpia, tenho direito de falar o que estou falando. Eu não vou mudar minha opinião".
Comissão
Porém, sobre a entidade vir a integrar o movimento pró-instalação da Comissão Processante que está sendo organizado por uma frente suprapartidária, disse que "ainda não houve nenhuma discussão a respeito disso". No entanto, anunciou uma comissão específica na OAB de Olímpia para acompanhar os trabalhos do legislativo.
"Instalei em Olímpia uma comissão que é de acompanhamento legislativo que já existe na OAB em São Paulo, que é justamente nessa finalidade, de analisar, de fazer um acompanhamento dos projetos de leis que estão sendo discutidos na câmara e analisar a questão sob o enfoque jurídico. Esquecendo a questão política. Não quero me meter em questões políticas. Mas acho que sob o enfoque jurídico nós já estamos acompanhando", avisou.
Esta comissão já está criada, segundo o presidente, já teve a ata encaminhada para São Paulo: "Estou aguardando só referendar e estaremos, em breve, se for do entendimento dessa comissão, se pronunciado. Nós apenas nos pronunciaremos quando acharmos que seja necessário esclarecimento à sociedade. Então se for passado alguma informação que não condiz com a realidade jurídica, nós iremos a público pra passar a situação legal. Se tentar ludibriar a sociedade com questão de enfoque jurídico que não seja, a OAB vai se pronunciar".
A princípio a finalidade é evitar que projetos inconstitucionais tramitem sem conhecimento da sociedade. Porém, garante que tudo isso sem politizar a entidade: "Enquanto eu estiver à frente da OAB não vão politizar a classe", enfatizou.
Sinalizando que é hora de atuar para mudar as coisas destacou que às vezes surge a acomodação das pessoas: "Às vezes a gente recua, mas não por má vontade, mas porque a gente vê que nossa idéia não tem apoio, sofre um monte de conseqüências, de perseguição, de tudo que a gente fala infelizmente em Olímpia a gente sofre, a gente paga".
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