07 de agosto | 2026
Casal viaja mais de 2,5 mil km para transformar céu do FEFOL em mosaico gigante de bandeirinhas
Artesãos da Paraíba comandaram equipe de mais de 60 pessoas para criar painéis de até 22 metros com malandro carioca, passista e Cristo Redentor. Trabalho artesanal é uma das atrações visuais do 62º Festival do Folclore de Olímpia.

Por trás do trabalho estão os artesãos Maria Ylma Santana da Costa e João Carlos Formiga Leite, de Pombal, na Paraíba. O casal percorreu mais de 2,5 mil quilômetros para chegar a Olímpia e participa pelo segundo ano consecutivo da decoração do FEFOL.
MAIS DE 60 PESSOAS NO TRABALHO
A dimensão da decoração exigiu uma grande operação. Segundo Maria Ylma, mais de 60 pessoas participaram dos trabalhos em Olímpia.
O processo começa ainda na Paraíba, com a produção artesanal dos cordões, e envolve posteriormente transporte de equipamentos e equipes especializadas para fazer a instalação no Recinto do Folclore.
PAINÉIS CHEGAM A 22 METROS
Para o FEFOL deste ano, o casal criou uma espécie de “quebra-cabeça” aéreo. As bandeirinhas são organizadas para formar desenhos que somente ganham sentido quando observados em conjunto.
Entre as imagens escolhidas estão o Cristo Redentor, uma passista e o tradicional malandro carioca, referências ao Rio de Janeiro. Alguns dos painéis ultrapassam 22 metros de comprimento.
O trabalho acompanha o tema “Aquele Abraço”, escolhido pelo festival para celebrar a cultura fluminense.
IDEIA NASCEU DO PONTO CRUZ
A história por trás da técnica começou muito antes da participação do casal no FEFOL. João Carlos conta que encontrou inspiração nos bordados em ponto cruz feitos por sua mãe.
Ainda jovem, imaginou que seria possível reproduzir aqueles desenhos utilizando bandeirinhas. A experiência deu certo e acabou se transformando em uma técnica aplicada em grande escala.
Maria Ylma e João trabalham com esse tipo de decoração há mais de duas décadas. A trajetória com bandeirinhas começou ainda em 1992 e evoluiu até os grandes mosaicos instalados atualmente com estruturas de cabos de aço.
DE OLÍMPIA A GRANDES FESTAS DO BRASIL
Antes de chegar ao Festival do Folclore, o trabalho dos paraibanos já havia passado por algumas das maiores celebrações populares brasileiras.
O casal participou de decorações do São João de São Luís, no Maranhão; Carnaval de Olinda, em Pernambuco; São João de Porto Seguro, na Bahia; e festas realizadas em Belém, no Pará.
Olímpia, segundo os artesãos, é atualmente o único evento realizado por eles no Estado de São Paulo.
ARTE TAMBÉM CARREGA CULTURA PARAIBANA
Apesar de os desenhos deste ano homenagearem o Rio de Janeiro, Maria Ylma ressalta que a própria técnica utilizada na decoração também representa uma manifestação cultural de sua terra.
O trabalho é artesanal e exige planejamento minucioso para que cada bandeirinha ocupe a posição correta e, vista à distância, ajude a formar o desenho completo.
Para a artesã, o esforço é compensado quando a obra finalmente aparece montada sobre o público.
CASAL DESTACA ACOLHIMENTO DE OLÍMPIA
Maria Ylma também destacou ao g1 o caráter nacional do FEFOL e a forma como Olímpia recebe manifestações de diferentes regiões brasileiras.
Para ela, uma das características do festival é justamente colocar culturas diferentes no mesmo espaço sem estabelecer uma como superior à outra.
A decoração criada pelo casal acaba reproduzindo essa mesma proposta. A técnica trazida da Paraíba forma no céu símbolos do Rio de Janeiro enquanto, abaixo das bandeirinhas, grupos de diferentes estados apresentam suas tradições.
O resultado transformou o próprio espaço do Recinto do Folclore em parte do espetáculo do 62º FEFOL.
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