06 de novembro | 2026
De falso advogado a celular invadido: quatro golpes envolvem quase R$ 15 mil em Olímpia
Boletins de ocorrência obtidos pelo iFolha revelam diferentes estratégias para enganar vítimas, envolvendo falsas cobranças bancárias, decisões judiciais, movimentações suspeitas em contas e até possível adulteração de cheque. Três casos somam R$ 10,9 mil em pagamentos e transferências, além de um cheque de R$ 3,9 mil devolvido por suspeita de fraude.

Os registros, formalizados em 5 de novembro, envolvem aproximadamente R$ 14,9 mil, considerando três operações financeiras que somaram R$ 10.910,45 e um cheque de R$ 3.943 devolvido sob suspeita de fraude. Os casos não comprovam, isoladamente, um aumento estatístico desse tipo de crime, mas mostram como os golpes atingem situações cada vez mais variadas do cotidiano.
CELULAR COM SUSPEITA DE VÍRUS
Uma aposentada de 68 anos descobriu movimentações bancárias desconhecidas depois de enfrentar problemas com seu telefone celular. Segundo o boletim, no dia 19 de outubro, o aparelho apresentou sinais de possível contaminação por vírus, levando a mulher a procurar assistência técnica.
Em 3 de novembro, ao comparecer a uma agência do Banco Itaú, foi informada de que três transferências haviam sido realizadas de sua conta, totalizando R$ 3 mil, sem sua autorização. As operações ocorreram no dia 2, conforme as informações bancárias recebidas pela vítima.
A aposentada afirmou não reconhecer o destinatário dos valores. O boletim não esclarece de que maneira as transações foram executadas nem confirma se o problema apresentado pelo celular permitiu o acesso indevido à conta.
FALSO FINANCIAMENTO DE VEÍCULO
Em outro caso, uma mulher de 33 anos, moradora do bairro Menina Moça, perdeu R$ 2.911,45 ao tentar regularizar parcelas atrasadas de um financiamento de veículo.
Segundo o registro policial, o automóvel havia sido adquirido em nome dela, mas seu ex-companheiro era responsável pelo pagamento das prestações. Com duas parcelas em atraso, a vítima recebeu contato de uma pessoa que se apresentou como representante da instituição financeira.
O suposto funcionário ofereceu a regularização da dívida e encaminhou um boleto no valor de R$ 2.911,45. A mulher realizou o pagamento acreditando estar quitando as parcelas pendentes.
Somente depois verificou que o beneficiário indicado no boleto não correspondia à financeira responsável pelo contrato. O dinheiro havia sido destinado a uma empresa sem relação identificada com o financiamento, levando-a a procurar a polícia.
CHEQUE DEVOLVIDO POR FRAUDE
Um terceiro boletim envolve um cheque de R$ 3.943 recebido por um profissional de 51 anos como pagamento por serviços prestados.
De acordo com o relato, o documento foi entregue por um conhecido, mas havia sido emitido por outra pessoa. O cheque foi depositado em 22 de outubro e devolvido quatro dias depois, com indicação de fraude.
O beneficiário tentou realizar novo depósito, mas o cheque voltou a ser recusado pelo mesmo motivo. Ao buscar esclarecimentos, recebeu informações de que a folha teria sido apresentada em uma conta de outra pessoa.
O responsável pela emissão do cheque, conforme o registro, afirmou não reconhecer essa movimentação e declarou que nenhum terceiro havia tido contato autorizado com a folha.
A ocorrência levanta suspeitas de irregularidade na utilização do documento bancário, mas ainda não esclarece como a possível fraude ocorreu nem identifica seu responsável. O valor de R$ 3.943 corresponde ao cheque contestado, não a um pagamento fraudulento comprovadamente concluído.
FALSO ADVOGADO E SUPOSTA DECISÃO JUDICIAL
O quarto caso atingiu um aposentado de 66 anos, que perdeu R$ 4.999 após receber mensagens de alguém que se passou por seu advogado.
Segundo o boletim, o contato foi feito por WhatsApp no dia 4 de novembro. O golpista utilizou o nome de um advogado conhecido da vítima e informou que havia sido proferida uma decisão favorável em um processo judicial, permitindo o recebimento de valores.
Na sequência, outro interlocutor se apresentou como representante da Justiça e passou a orientar o aposentado sobre os procedimentos que deveriam ser realizados para a liberação do suposto benefício.
A vítima recebeu um código QR e, seguindo as instruções, realizou uma operação financeira de R$ 4.999. Posteriormente, ao verificar os dados do beneficiário e conversar com o verdadeiro advogado, percebeu que havia sido enganada.
O aposentado contestou imediatamente a transferência via Pix junto à instituição financeira e registrou a ocorrência por estelionato.
CRIMINOSOS EXPLORAM SITUAÇÕES REAIS
O aspecto que chama atenção nos registros é que os golpistas não dependem apenas de promessas de prêmios ou pedidos genéricos de dinheiro. Eles exploram situações que já fazem parte da vida das vítimas, como parcelas atrasadas de financiamentos, processos judiciais em andamento e dificuldades com aplicativos bancários.
Essa estratégia aumenta a aparência de credibilidade das abordagens. Uma pessoa que realmente possui um financiamento pendente pode acreditar no contato de um suposto funcionário do banco. Da mesma forma, quem aguarda o resultado de uma ação judicial pode ser convencido mais facilmente por uma mensagem que anuncia uma decisão favorável.
O uso de nomes profissionais, informações específicas, boletos e códigos de pagamento também contribui para criar a impressão de que a operação é legítima.
ATENÇÃO ANTES DE TRANSFERIR DINHEIRO
Os quatro casos mostram a importância de verificar cuidadosamente qualquer cobrança ou solicitação de movimentação bancária recebida por telefone ou aplicativo de mensagens.
Contatos que se apresentam como bancos, financeiras, advogados ou representantes da Justiça devem ser confirmados por canais oficiais, utilizando números obtidos independentemente da mensagem recebida.
Nos boletos, é fundamental conferir o nome e o CNPJ do beneficiário antes de concluir o pagamento. Nas transferências via Pix, a identificação do destinatário também precisa ser verificada.
Quem perceber uma operação não autorizada deve procurar imediatamente a instituição financeira, solicitar o bloqueio ou a contestação cabível e registrar boletim de ocorrência.
QUATRO CASOS, UM MESMO ALERTA
Os registros obtidos pelo iFolha apresentam modalidades diferentes de possíveis fraudes, mas possuem um elemento comum: a utilização de informações ou situações aparentemente confiáveis para obter dinheiro ou provocar movimentações financeiras indevidas.
Embora os boletins não permitam estabelecer quantos golpes estão sendo praticados atualmente em comparação com períodos anteriores, a sequência evidencia a diversidade das técnicas empregadas e as dificuldades enfrentadas pelas vítimas para reconhecer as armadilhas.
A recomendação principal é desconfiar de qualquer orientação inesperada que envolva pagamentos, acesso a contas ou transferências, mesmo quando o contato aparenta vir de uma pessoa ou instituição conhecida.
Afinal, a sofisticação dos golpes está justamente em fazer uma operação fraudulenta parecer um procedimento normal e necessário.
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