17 de agosto | 2025
Delegado descarta “bunker” e mantém homicídio como principal linha de investigação no caso Icaraíma
Quatro homens desapareceram após cobrar dívida de R$ 255 mil em fazenda no Paraná. Polícia analisa imagens de câmeras, busca foragidos e alerta contra boatos. Entre as vítimas está o olimpiense Diego Henrique Affonso, ligado à construtora que enfrentou ações na cidade. ASSISTA AOS ÚLTIMOS VÍDEOS DAS TVs DO PARANÁ.
A Polícia Civil do Paraná reafirmou que trata como homicídio o desaparecimento de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Affonso e Alencar Gonçalves de Souza, vistos pela última vez no dia 5 de agosto em Icaraíma, Noroeste do Estado. O delegado-chefe da 7ª Subdivisão Policial (SDP), Gabriel Menezes, afirmou que não há corpos localizados e que imagens que circulam nas redes sociais como supostos registros das vítimas “a princípio são falsas”.
BUSCAS E “BUNKER” DESCARTADO
Segundo Menezes, equipes já haviam vistoriado, em 8 de agosto, o local denunciado como “bunker” com apoio da Polícia Militar Ambiental e de cão de faro do Corpo de Bombeiros. A diligência não encontrou sinais de corpos ou qualquer vestígio relacionado aos desaparecidos. O delegado reforçou que informações desencontradas têm consumido tempo e recursos e pediu que apenas denúncias verificáveis cheguem até a polícia.
O delegado também desmentiu a existência de um “terceiro mandado” de prisão, como chegou a ser divulgado em redes sociais. Outras denúncias sobre possíveis cativeiros e pontos às margens do rio Ivaí foram verificadas sem resultado.
FORAGIDOS E CÂMERAS EM ANÁLISE
Estão foragidos Antônio Buscariollo, 66 anos, e seu filho Paulo Ricardo Costa Buscariollo, 22, que tiveram prisão temporária decretada. Eles são ligados à família devedora do valor que motivou a viagem das vítimas ao Paraná. A polícia recolheu imagens de câmeras de segurança do Pesqueiro e Restaurante Buscariolo, último local em que o grupo foi visto, e encaminhou para análise pericial.
Um veículo da família também foi apreendido e passou por perícia. As equipes de Icaraíma e Umuarama seguem atuando em conjunto, com prioridade para locais em que haja indícios sólidos.
DÍVIDA DE R$ 255 MIL E NEGOCIAÇÃO
A investigação aponta que a cobrança estava ligada a R$ 255 mil, divididos em dez parcelas, referentes a uma negociação de compra e venda de terras que não se concretizou. O acerto teria sido feito com Carlos Henrique, filho de Antônio e irmão de Paulo Ricardo. Após o atraso nas parcelas, Alencar contratou Diego, Robishley e Rafael para auxiliá-lo na cobrança.
Familiares relatam que, em uma primeira visita à propriedade, um dos moradores estava armado. No retorno, quando os quatro desapareceram, acreditam que o grupo tenha caído em uma emboscada.
ESPOSAS COBRAM DILIGÊNCIAS
As esposas de Rafael e Robishley contrataram a advogada Josiane Monteiro, em Umuarama, para acompanhar o inquérito. Segundo ela, o procedimento não corre em segredo de justiça, mas até agora constam oficialmente apenas o boletim de ocorrência e peças iniciais. As famílias entregaram prints de conversas que mencionariam as mortes e suposta localização dos corpos, além de um áudio em que um homem, se passando por sequestrador, fala com parentes.
Elas também pediram que o cão de faro fosse conduzido por objetos pertencentes a todos os desaparecidos, e não apenas pelos de Alencar. A advogada informou que seguirá requerendo novas diligências e provas ao longo da apuração.
VÍNCULO COM OLÍMPIA
Entre os desaparecidos está o empresário Diego Henrique Affonso, de Olímpia (SP). Ele é proprietário da DC Construtora, que acumulou reclamações e ações judiciais por imóveis não entregues na cidade. O histórico chegou a ser pauta de reportagens de televisão há cerca de três anos. Apesar disso, Diego é tratado como vítima no caso Icaraíma.
Segundo a polícia e familiares, Diego, Rafael e Robishley atuavam havia mais de dez anos no ramo de cobrança de dívidas, sempre sem porte de armas.
APURAÇÃO CONTINUA
Até o momento, não há informações oficiais sobre o paradeiro dos quatro desaparecidos nem sobre a captura dos dois foragidos. A Polícia Civil do Paraná afirma que as diligências seguem em andamento, com análise de câmeras, oitivas de moradores e novas buscas de campo. Familiares e imprensa serão atualizados quando houver avanços concretos.
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