20 de junho | 2011
Delegado diz que Paraná preenchia “filão” aberto com prisão de Peão
O titular da Delegacia de Polícia de Olímpia, delegado João Brocanello Neto, afirmou, nesta sexta-feira, dia 17, que o traficante Gilberto Silva, vulgo Paraná, de 35 anos de idade, preso em flagrante na manhã da quinta-feira desta semana, junto com seu comparsa Flávio Correia Branco, de 36 anos, estava preenchendo o “filão” aberto após o desmantelamento quase que total do traficante Luís Antônio Pereira, vulgo Washington Peão.
“Sabíamos que ele vinha trabalhando timidamente no tráfico, logo que saiu da cadeia no final de maio do ano passado, faz um ano e um mês aproximadamente. Mas com as prisões realizadas de parte da quadrilha do Washington Peão, passamos a detectar que ele se fortaleceu com o filão que se abriu”, afirmou durante entrevista que concedeu ao repórter Valter Carucce.
Após isso, segundo Brocanello, Paraná passou a vender droga com maior intensidade, inclusive o delegado suspeita que a droga apreendida (quase 10 quilos de crack) na residência do traficante Almir Hipólito, vulgo Nico, pertença a ele.
“Estamos trabalhando para provar que é dele (Paraná) também. Só que isso é algo mais complicado porque temos informação fidedigna, mas agora nos cabe provar. Até porque o Hipólito não tem cacife para manter estocada uma droga valiosa como essa. Só para se ter uma ideia, se realmente for verdade que ele pagou R$ 30 mil pela droga que foi apreendida nesta quinta, deve ter pagado pouco mais de R$ 100 mil pelo crack que foi apreendido há quase 60 dias”, explicou.
“Isso é um baque muito grande na estrutura financeira dele e, portanto, provavelmente deva ter trabalhado muito nesse período para poder fazer o resgate e pagar, porque se não paga quem vende acaba matando o traficante”, acrescentou.
PEQUENOS DELITOS
Já Flávio Correia, segundo o delegado se trata de uma pessoa envolvida com pequenos delitos e também já esteve preso por roubo numa zona de meretrício na nossa região.
“É viciado (em droga), mas é uma pessoa que vinha trabalhando para o Gilberto. Era o cara de fazer a entrega. Como o Gilberto é muito visado no meio policial, ele se utilizou do comparsa para fazer a entrega final do produto”.
De acordo com Brocanello, o embasamento jurídico no flagrante realizado na quinta-feira foi o artigo 33, que é o tráfico e o 35 que é associação ao tráfico, da Lei 11.343, sobre o combate ao entorpecente. Eles foram encarcerados na cadeia pública de Barretos.
Mas no caso do Paraná, um velho conhecido, por já ter duas condenações por tráfico de drogas e já ter cumprido pena durante sete anos em cadeia e penitenciárias do Estado de São Paulo, foi enquadrado também no artigo 61, do inciso 1.º do Código Penal, que reconhece a reincidência específica que é uma agravante para a pena.
INVESTIGAÇÃO E ABORDAGEM
O delegado contou que a polícia civil vinha trabalhando a mais de seis meses no encalço do Paraná, fazendo trabalho de inteligência, campanas e obtendo informações que essa sistemática flagrada no dia de ontem (5.ª feira) já vinha sendo feita por um determinado tempo.
Houve alguns acompanhamentos e até tentativas frustradas em que acreditavam que estava ocorrendo a possibilidade da entrega ou transporte da droga: “mas ontem tivemos a felicidade de abordá-lo”.
Segundo o delegado, os dois foram acompanhados até o trevo de Frutal e de lá seguiram no sentido de Itapagipe. “Meu pessoal voltou e arquitetamos uma logística pra surpreendê-lo e realizar um trabalho que desse o sucesso esperado e a partir do momento que ele passou pelo trevo de Fronteira, ele seguiu sendo observado diretamente e assim que percebemos que não havia nenhum problema e que já estávamos no nosso território, no nosso limite de atuação, ocorreu a abordagem”, revelou.
Mas no local da abordagem não houve nenhuma possibilidade de encontrar a droga. “Ele e o Flávio muito tranquilos, frios de mais, acreditavam que não teríamos competência de encontrar a droga e, a todo instante afirmavam que estavam no Pedregal atrás de um tamburão para pescaria e coisa e tal”, disse.
A prisão de Paraná está entre as principais no combate ao tráfico em Olímpia. “As pessoas que tinham mais estrutura para manter efetivamente o tráfico com muita energia e volúpia, estão presos. As prisões que considero mais significativas e não posso deixar de citar é essa do Paraná, a do Washington Peão e do Delei, principalmente o Delei que vinha traficando há mais de 18 anos em Olímpia. Mas a gente sabe que tem muito mais gente envolvida”.
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