20 de fevereiro | 2011

Delegado pode requerer reconstituição do crime do motorista morto com tiro na boca

Compartilhe:
 
Com o objetivo de dirimir qualquer dúvida sobre a autoria do assassinato do motorista/comerciante Francisco Basílio Ruiz, de 50 anos, o delegado João Brocanello Neto, se necessário for, deverá requerer a reconstituição do crime.


Anteontem, dezessete dias depois do crime, foi divulgado que o menor D.V.C.S., de 17 anos, morador na avenida Fernando Costa, em São José do Rio Preto, confessou o crime. “Neguinho” e “Carroça”, moradores daquela cidade, também teriam participado do crime.


Segundo o delegado Brocanello, que está comandando as investigações com o objetivo de esclarecer o crime, por enquanto, a polícia Civil conseguiu descobrir a autoria. No entanto, oficialmente, tem apenas as declarações do menor, que confessa o assassinato, com riqueza de detalhes.


O delegado espera conseguir encontrar o outro envolvido, “Neguinho”, que tem 27 anos e já está identificado, assim como, o “Carroça”, que estão foragidos, para confrontar as declarações. Caso as versões apresentem contradições, Brocanello pretende fazer a reconstituição, para afastar qualquer dúvida quanto a autoria.


De acordo com o delegado, a versão do menor tem que ser valorizada, pois foi prestada acompanhada do seu advogado Marcelo Alves de Oliveira, da cidade de Uberaba/MG. “A presença do advogado afasta qualquer possibilidade do menor ter sido forçado a confessar o crime ou que tenha sofrido qualquer tipo de coação ou agressão. Mas, também é fato que o seu depoimento teve a orientação do advogado”, enfatizou Brocanello Neto.


Declarou o delegado, que pelas circunstâncias do caso, especialmente o tiro na boca, foi criada na população a expectativa de que o crime teria sido praticado por vingança. Mas, pelas declarações do menor, Brocanello Neto afirmou que, por enquanto, acredita no crime de latrocínio (roubo seguido de morte). No entanto, seu convencimento final, apenas acontecerá depois de ter ouvido todos os envolvidos.


A CONFISSÃO


O menor de 17 anos, que já tem passagens pela policia, é natural de Uberlândia/MG e reside em São José do Rio Preto há cerca de um ano. Ele contou na delegacia de polícia de Olímpia, que foi convidado por “Nequinho” para roubar uma caminhonete em Barretos. Saíram de Rio Preto, em um Logus, mas quando passavam pelo trevo de Olímpia, resolveram entrar na cidade e praticar um roubo aqui mesmo.


De acordo com o menor, Francisco Ruiz, foi visto, por acaso, em um bar na esquina da rua Síria com a Andrade e Silva. Segundo o menor, o que chamou a atenção deles foi um cordão, possivelmente de ouro, que ele tinha no pescoço. Com isso, pararam próximo do bar e aguardaram Ruiz ir embora. Ele foi seguido e quando parou o carro para entrar na garagem de sua casa na Joaquim Miguel dos Santos, foi abordado.


O menor afirma que foi ele que fez a abordagem, armado com um revólver calibre 22. No entanto, quando anunciou o assalto, a vítima saiu do carro e reagiu desferindo socos, aparentando estar sob efeito de álcool. Foi quando o menor diz que efetuou o disparo, que casualmente, atingiu a boca de Ruiz. Então, resolveu fugir com o carro, abandonando-o na rua São João, coincidentemente, próximo da delegacia.


Foi quando o menor, entrou no Logus, dirigido por “Neguinho”, que dava cobertura e seguiram até próximo a Cecap, onde o veículo apresentou defeito mecânico. Os dois acusados utilizaram um telefone do posto de combustível, para pedir para o “Carroça”, vir buscá-los, sem saber que eles haviam cometido um crime em Olímpia.


Sobre a arma, o menor disse que jogou na represa em Rio Preto, que fica próxima de sua casa.  Um frentista do posto reconheceu os dois. Depois de prestar depoimento, o menor foi liberado.

Explicou o delegado Brocanello, que não existia mais estado de flagrância e também, nenhum mandado de busca e apreensão expedido pela justiça.

OPINIÃO DE
ESPECIALISTA

O renomado advogado criminalista de Olímpia, Galib Jorge Tannuri, comentou esta semana na delegacia de polícia local que, quando um crime é passional ou vingança, normalmente, o autor descarrega a arma na vítima, para ter certeza que ela morreu e, ainda, para se sentir vingado, comenta com duas ou três pessoas, o que acaba deixando a autoria do crime pública.


Também, de acordo com o comentário do advogado, quando um crime é praticado por profissionais contratados, sempre é com arma de grosso calibre e vários tiros, também para ter a certeza da morte da vítima. No assassinado de Francisco Ruiz, ele foi morto com um tiro de revólver calibre 22.
Compartilhe:

Comentários

Os comentários não representam a opinião do iFolha; a responsabilidade é do autor da mensagem.

Você deve se logar no site para enviar um comentário. Clique aqui e faça o login!

Ainda não tem nenhum comentário para esse post. Seja o primeiro a comentar!

Mais lidas