21 de setembro | 2025
Delegado tem certeza que morte de adolescente no Thermas foi suicídio
CONVICÇÃO APÓS ANÁLISE!
“Agora temos certeza de que garoto cometeu suicídio”. A investigação, liderada pelo delegado Marcelo Pupo de Paula, apurou, por meio de vídeos e testemunhos, que o jovem de 15 anos, de Campos do Jordão, atentou contra a própria vida ao cair do brinquedo Kamikaze na última segunda-feira, dia 15.


O delegado de polícia titular do município, Marcelo Pupo de Paula, concluiu pelo suicídio após analisar detalhadamente as provas colhidas no inquérito, formando sua convicção de que o jovem, morador de Campos do Jordão e que visitava o parque com primos, cometeu suicídio.
PLATAFORMA DO KAMIKAZE
A queda da plataforma de acesso, de aproximadamente 13 metros de altura, do popular brinquedo Kamikaze, aconteceu por volta do meio-dia e mobilizou imediatamente as equipes de segurança e socorro do complexo.
Desde os primeiros momentos após o ocorrido, a hipótese de um ato deliberado já era considerada a principal linha de trabalho da Polícia Civil, embora todas as possibilidades fossem mantidas em aberto por prudência processual.
EVIDÊNCIAS LEVARAM À CONVICÇÃO
A confirmação oficial veio na sexta-feira, após dias de um trabalho investigativo silencioso e minucioso. Para o delegado, o conjunto probatório não deixou margem para dúvidas, descartando as possibilidades de acidente, de um mal súbito após subir no guarda-corpo (o gradil que protege a escada que tem mais de um metro de altura) ou de um ato de imprudência isolado.
A convicção de suicídio foi baseada em uma teia de evidências que incluiu laudos periciais, imagens de segurança e, crucialmente, o relato de pessoas próximas ao jovem.
UMA INVESTIGAÇÃO
DETALHADA E METÓDICA
Para elucidar as circunstâncias exatas da morte, o delegado Marcelo Pupo de Paula adotou uma abordagem metódica. Um dos primeiros passos foi requisitar formalmente à direção do Thermas dos Laranjais todas as gravações do circuito interno de monitoramento que pudessem ter registrado não apenas o momento da queda, mas também o comportamento do adolescente nos minutos e horas que a antecederam.
O objetivo era reconstruir sua trajetória dentro do parque e identificar qualquer sinal de angústia ou comportamento atípico. A análise minuciosa dessas imagens foi decisiva para verificar que não houve falha humana de terceiros ou qualquer outro fator externo que pudesse ter contribuído para a tragédia. As câmeras confirmaram que o jovem estava sozinho em sua ação final.
APARELHO CELULAR
Paralelamente, a investigação aprofundou-se na vida pessoal do adolescente. O laudo necroscópico foi solicitado para determinar a causa exata da morte e apontar o estado de saúde do jovem no dia do incidente.
Outro elemento que se tornou peça-chave no inquérito foi o aparelho celular da vítima. O dispositivo foi entregue pelos familiares para uma perícia completa, com o objetivo de identificar mensagens, conversas em aplicativos, áudios ou postagens em redes sociais que pudessem ajudar a esclarecer seu estado mental.
A SEGURANÇA DO BRINQUEDO
E O DEPOIMENTO FAMILIAR
Um dos pontos centrais da investigação foi a análise da estrutura do brinquedo Kamikaze. A perícia técnica realizada no local logo após o incidente já havia liberado a estrutura, atestando sua conformidade com as normas de segurança.
A polícia, no entanto, foi além, avaliando a própria concepção do equipamento. A plataforma de onde o jovem caiu é protegida por um gradil de proteção robusto e consideravelmente alto, que, em uma pessoa de estatura média, chega aproximadamente à altura entre o peito e os ombros.
BRINQUEDO É SEGURO
Essa característica de design tornou a hipótese de uma queda acidental, como um simples escorregão ou desequilíbrio, extremamente improvável. Nas palavras de analistas que acompanharam o caso, seria como um “muro de ferro”, projetado justamente para evitar acidentes.
Diante da segurança estrutural, as investigações se concentraram em duas possibilidades: um ato de extrema imprudência, no qual o jovem teria deliberadamente escalado a alta proteção, ou suicídio.
Foi nesse ponto que os depoimentos colhidos pela polícia se tornaram cruciais. Em alguns dos testemunhos foi relatado que, nos dias que antecederam a viagem, o garoto vinha mencionando com certa frequência o tema da morte.
UM ALERTA SOBRE
A SAÚDE MENTAL NA ADOLESCÊNCIA
O Thermas dos Laranjais, por meio de sua assessoria, lamentou profundamente o ocorrido. Em nota, o parque afirmou que prestou socorro imediato com sua equipe completa, composta por médico, enfermeiro e guarda-vidas, e transportou a vítima com a ambulância do clube para a Santa Casa de Misericórdia de Olímpia, onde, apesar dos esforços médicos, o jovem não resistiu.
O clube reiterou que também prestou assistência psicológica e de amparo à família e que permaneceu à inteira disposição das autoridades para quaisquer outros esclarecimentos.
O trágico evento, no entanto, transcende as páginas policiais e serve como um doloroso alerta para uma crise de saúde mental que afeta jovens e adolescentes de forma cada vez mais intensa e silenciosa.
SETEMBRO AMARELO
A discussão levantada pela fatalidade conecta-se diretamente a campanhas como o Setembro Amarelo, que visa à prevenção do suicídio. Especialistas apontam que o aumento de casos entre os mais jovens é um fenômeno preocupante que precisa ser abertamente debatido em todos os âmbitos da sociedade, principalmente dentro das famílias e das escolas, ambientes onde os adolescentes passam a maior parte de seu tempo.
A tragédia em Olímpia destaca a necessidade urgente de se criar redes de apoio mais fortes e de se estar atento aos sinais, muitas vezes sutis, que os jovens em sofrimento emitem.
O sofrimento da família do jovem é incalculável, mas sua história deixa um chamado à reflexão sobre a importância de discutir abertamente a saúde mental e o bem-estar da juventude.
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