20 de abril | 2026

Demanda crescente expõe limites no atendimento ao autismo em Olímpia

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Psicóloga e neuropsicóloga Juliana Ducatti destaca evolução no diagnóstico, mas aponta dificuldades no acesso às terapias, inclusão escolar e suporte às famílias.

BRUNA ARANTES

O aumento dos diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista em Olímpia tem evidenciado avanços importantes, mas também escancarado limitações na estrutura de atendimento. A avaliação é da psicóloga e neuropsicóloga Juliana Ducatti, especialista em autismo, ABA e deficiência intelectual, além de proprietária de clínica voltada ao público atípico.

Segundo ela, o município registrou progressos nos últimos anos, com a criação de estruturas como o Centro TEA e ampliação de serviços. No entanto, a rede ainda não consegue atender de forma adequada a demanda crescente, especialmente na continuidade do cuidado e no acesso às terapias.

DEMANDA CRESCE E ESTRUTURA NÃO ACOMPANHA

Juliana destaca que, apesar do avanço no diagnóstico precoce e da maior visibilidade do autismo, as famílias continuam enfrentando dificuldades significativas, principalmente relacionadas ao custo e à demora para início dos atendimentos.

Outro ponto crítico apontado é a necessidade, em alguns casos, de recorrer à judicialização para garantir acesso a serviços como os oferecidos por instituições especializadas, o que torna o processo desigual e desgastante para muitas famílias.

INCLUSÃO ESCOLAR AINDA É FRÁGIL

No ambiente escolar, a especialista avalia que houve avanços, mas a inclusão ainda não ocorre de forma efetiva. Entre os principais problemas estão o número reduzido de professores auxiliares e a sobrecarga desses profissionais, que chegam a atender mais de um aluno ao mesmo tempo.

Ela também aponta a presença de profissionais sem formação específica, demora na disponibilização de apoio para crianças recém-diagnosticadas e decisões que desconsideram as reais necessidades dos alunos, o que pode comprometer o desenvolvimento e causar desorganização emocional.

FALTA DE SUPORTE E PREPARO NAS ESCOLAS

Outro ponto considerado essencial é a necessidade de inserção de psicólogos no ambiente escolar. Segundo Juliana, esses profissionais poderiam atuar diretamente na identificação de crises, orientação das equipes e construção de um ambiente mais inclusivo.

Além disso, ela chama atenção para a presença de bullying no cotidiano escolar, indicando que a inclusão ainda não foi plenamente compreendida nem pelos alunos nem pela comunidade escolar.

ACESSO ÀS TERAPIAS É LIMITADO

Mesmo com a existência de serviços públicos, o acesso às terapias ainda é insuficiente. Entre as limitações estão a alta demanda, restrições de idade em alguns atendimentos e o número reduzido de clínicas especializadas na cidade.

Juliana ressalta que muitas famílias não possuem condições financeiras para manter tratamentos contínuos na rede privada, o que amplia a desigualdade no acesso ao cuidado.

PRECONCEITO E INFORMAÇÃO SUPERFICIAL

A especialista afirma que o preconceito ainda está presente e impacta diretamente a qualidade de vida das famílias. Muitas vezes, comportamentos característicos do autismo são interpretados de forma equivocada, como simples birra.

Embora a informação tenha se ampliado, ela avalia que ainda é superficial e insuficiente para promover uma inclusão real na sociedade.

CAMINHOS PARA UMA INCLUSÃO REAL

Para avançar, Juliana defende medidas práticas, como capacitação de profissionais, adaptação de ambientes e criação de espaços voltados à regulação emocional. Também destaca a importância de uma rede de apoio que integre saúde, educação e assistência social.

Entre as prioridades, ela aponta a ampliação do acesso às terapias para todas as idades, redução da judicialização e reestruturação do modelo de inclusão escolar, com profissionais qualificados e número adequado de auxiliares.

Na avaliação da especialista, as campanhas de conscientização precisam evoluir para além da informação simbólica, promovendo mudanças reais de comportamento e garantindo, na prática, o respeito e a inclusão das pessoas com autismo na sociedade.

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