27 de julho | 2025

Editor da Folha prepara o lançamento do livro “Zé da Festa”

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O HOMEM E A FESTA!
Obra de Arantes mostra lado humano do criador de uma das maiores celebrações culturais do país. A narrativa reúne memórias, entrevistas e arquivos para reconstruir a trajetória do professor que transformou Olímpia na Capital Nacional do Folclore e revela bastidores da criação do festival que hoje atrai multidões.

Com o 61º Festival do Folclore marcado para acontecer entre 2 e 10 de agosto, Olímpia se prepara para celebrar mais uma vez suas raízes culturais. E é aproveitando o clima do folclore que o jornalista, advogado e professor de Filosofia e Ciências Sociais José Antônio Arantes espera lançar até o final deste ano a biografia “Zé da Festa – O criador do Festival do Folclore de Olímpia pelos olhos de quem o conheceu”.

O livro, que está pronto para ir à gráfica, mergulha na vida de José Sant’anna, o visionário que idealizou o festival e deu identidade à cidade. Arantes, editor do jornal Folha da Região, da rádio Cidade e do site ifolha, além de estudioso do folclore, investiu anos de pesquisa para reconstruir a trajetória de um dos maiores ícones culturais do interior paulista.

Na nova obra, Arantes combina relatos pessoais, entrevistas e documentos históricos para revelar o homem por trás da festa.

UM LIVRO NASCIDO DE UMA PROMESSA

O autor explica que a decisão de escrever a biografia não foi casual, mas fruto de um compromisso assumido com Sant’anna. Durante anos de convivência, Arantes prometeu transformar em livro a trajetória do amigo e mentor.

O resultado é uma narrativa que resgata entrevistas publicadas no Folha da Região, depoimentos colhidos em anuários do festival e conversas inéditas com familiares e colegas.

DEVOÇÃO E MEMÓRIA

A filha do autor, Bruna Arantes Savegnago, destaca no prefácio que viu o pai “entre arquivos empoeirados e entrevistas de personagens de diferentes gerações, buscar nas entrelinhas da memória coletiva aquilo que faz de Olímpia um lugar único”.

Essa devoção, escreve Bruna, transformou o livro em um mosaico de lembranças que revela não só o criador do festival, mas “a alma de toda uma comunidade”. O processo de pesquisa incluiu o cruzamento de fontes e a coleta de histórias que estavam se perdendo.

Em suas páginas, o livro expõe o comprometimento do autor em manter viva a memória de Sant’anna, cumprindo uma promessa que atravessa gerações.

O CRIADOR DO FESTIVAL

José Sant’anna, tema central da obra, era mais do que um professor de língua portuguesa. Educador dedicado, pesquisador incansável e guardião do folclore brasileiro, ele se apaixonou pela cultura popular enquanto lecionava na escola Capitão Narciso Bertolino. Ali organizou a primeira feira do folclore, embrião do festival que cresceria a cada edição.

O carinhoso apelido “Zé da Festa” surgiu naturalmente; “Zé” era diminutivo de José e “da Festa” remetia à celebração que é aguardada todos os anos pela população e que ele comandava com dedicação integral.

PRESERVAÇÃO E RIGOR

Sant’anna levava o festival muito a sério e não gostava que as pessoas se referissem a ele de forma desdenhosa — para ele era uma celebração singular resultante de muito trabalho e pesquisa.

O sucesso do primeiro festival, em 1964, motivou o professor a estruturar um movimento permanente de valorização da cultura popular. Em 1966 ele criou o Departamento de Folclore de Olímpia e passou a organizar cursos, conferências e ações educativas. Reconhecimento oficial veio logo: o governo paulista decretou agosto como “Mês do Folclore” e incluiu Sant’anna na Comissão Estadual de Folclore e Artesanato.

Sob sua liderança, o festival atraiu grupos de todos os estados e se tornou um palco nacional das tradições. Em 1968 a cidade recebeu o título de “Capital do Folclore”, oficializado por lei federal em 2017.

UM HOMEM DE MÚLTIPLOS TALENTOS

O livro revela também facetas menos conhecidas de Sant’anna. Ele era poliglota — segundo depoimentos, falava seis idiomas e chegou a lecionar disciplinas diversas. Sua rotina era exigente: corrigia erros de português com rigor e distribuía tarefas com perfeccionismo durante a organização do festival.

A biografia conta que o professor sacrificou relações pessoais em nome do folclore; em certo momento teve de escolher entre o festival e um relacionamento, e escolheu a festa.

PARTICIPAÇÃO POLÍTICA

Sant’anna também se destacou na política e na gestão pública. Foi vereador por diversos mandatos e presidiu a Câmara Municipal em 1991-1992. Exerceu o cargo de primeiro secretário municipal de Educação, Cultura, Esportes, Turismo e Lazer, ampliando ações em favor da cultura.

Em 1973 fundou o Museu de História e Folclore “Maria Olímpia” e, em 1977, ajudou a criar a Casa de Cultura Álvaro Marreta Cassiano Ayusso. Também publicou livros como “Quadras e Adivinhas” (1995) e “São Pedro na Boca do Povo” (1998).

Ele faleceu em 8 de janeiro de 1999, aos 61 anos, deixando uma lacuna no cenário folclórico nacional, mas seu legado continuou a inspirar gerações.

LEGADO QUE RESISTE AO TEMPO

Arantes contextualiza a importância do festival hoje. Criado por Sant’anna como uma reunião escolar, o evento cresceu ao ponto de atrair cerca de 150 mil pessoas e reunir mais de 50 grupos de todo o país em cada edição. Este ano, são mais de 60 grupos confirmados.

Além de preservar e manter a cultura popular, o festival “fomenta o comércio, o turismo e os serviços na cidade e em toda a região noroeste do Estado de São Paulo”. Olímpia mantém e incentiva grupos locais — são 15 folclóricos e três parafolclóricos — que participam ativamente do evento.

CAPITAL DO FOLCLORE

O reconhecimento como Capital Nacional do Folclore e a rede hoteleira robusta evidenciam como a celebração se tornou motor socioeconômico da cidade.

A biografia esclarece que Sant’anna não criou apenas uma festa, mas um movimento permanente de valorização da cultura popular. Segundo depoimentos, ele transformou conhecimento acadêmico em prática viva, deu visibilidade a grupos tradicionais e criou uma plataforma para que as manifestações folclóricas se encontrassem e se perpetuassem.

VOZES PARA O FUTURO

Ao escrever essa obra, Arantes espera “dar voz ao nosso folclore e à trajetória do professor José Sant’anna”, garantindo que as novas gerações saibam de onde vieram e sintam orgulho de sua história. A expectativa é que “Zé da Festa” seja lançado em breve, possivelmente ainda no segundo semestre.

Ao narrar a vida de Sant’anna, José Antônio Arantes homenageia o amigo e mestre e cumpre uma antiga promessa. A obra reforça que o folclore é, como dizia o próprio Sant’anna, “o retrato da alma brasileira”.

Para Olímpia, a publicação simboliza um convite ao passado e uma ponte para o futuro: mostra como um professor idealista mudou o destino de sua cidade e como suas lições ainda ressoam em cada dança, canto e história contada durante o festival.

 

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