19 de julho | 2026

Em entrevista exclusiva, Otávio Hial revela detalhes de denúncia de suposta “rachadinha” na Câmara

Compartilhe:

Vereador afirmou à Folha que reuniu extratos bancários, fotografias, conversas de WhatsApp e gravações durante oito meses antes de procurar o Ministério Público. Ele também classificou como “ridícula” e “infeliz” a nota divulgada pela Câmara mencionando a possibilidade de denunciação caluniosa.

Em entrevista exclusiva à Folha da Região ao ifolha programa Pod Pai e Filha, o vereador Otávio Hial revelou detalhes da denúncia encaminhada ao Ministério Público sobre uma suposta prática de “rachadinha” envolvendo um parlamentar e servidores da Câmara Municipal de Olímpia.

Hial, que também é policial militar, afirmou que reuniu informações durante aproximadamente oito meses e entregou ao Ministério Público extratos bancários, fotografias de dinheiro, capturas de conversas de WhatsApp e gravações feitas com uma das pessoas que teriam participado dos repasses.

DENÚNCIA FOI PROTOCOLADA NO MINISTÉRIO PÚBLICO

Segundo o vereador, a representação foi protocolada aproximadamente 15 a 20 dias antes da entrevista, concedida na sexta-feira, dia 17. Ele declarou que o Ministério Público teria recebido o material e iniciado a averiguação dos fatos.

Por se tratar de um procedimento que, conforme o parlamentar, tramita sob sigilo, os nomes das pessoas supostamente envolvidas não foram divulgados. Hial também ressaltou que não realizou uma investigação criminal, mas reuniu os elementos apresentados a ele e os encaminhou às autoridades competentes.

“Eu fiz o que tinha que fazer da forma correta, preservando as pessoas. Peguei o relato do envolvido, as provas que eu tinha em mãos e levei ao Ministério Público para eles averiguarem”, declarou.

EX-ASSESSOR TERIA APRESENTADO OS PRIMEIROS DOCUMENTOS

De acordo com Hial, comentários sobre uma possível devolução de salários já circulavam nos corredores da Câmara e em outros setores da cidade. A apuração ganhou força após a exoneração de um assessor e a procura de uma pessoa que afirmou ter participado do esquema.

Essa pessoa, conforme o relato do vereador, apresentou extratos bancários e explicou como os pagamentos teriam sido realizados. Hial disse que apenas reproduziu às autoridades aquilo que lhe foi contado e documentado pelo denunciante.

“Ele começou a me apresentar extratos bancários e contou como funcionava todo o esquema. Só estou repassando o que ele me passou”, afirmou.

O vereador disse ainda ter informado previamente ao denunciante que as conversas entre os dois seriam gravadas. Além dos áudios, teriam sido preservadas mensagens trocadas pelo WhatsApp, fotografias e registros de movimentações financeiras.

TENTATIVA DE FLAGRANTE NÃO SE CONCRETIZOU

Hial relatou que procurou um delegado de polícia e que chegou a ser considerada a realização de um flagrante no momento em que o dinheiro fosse entregue. O suposto repasse, porém, não teria sido solicitado na data esperada.

Segundo o parlamentar, havia a possibilidade de que alguém tivesse alertado o suspeito sobre a movimentação. Como o flagrante não se concretizou, ele decidiu organizar os documentos já reunidos e encaminhar a representação diretamente ao Ministério Público.

“Se é verdade ou não, isso não cabe a mim. O Ministério Público vai investigar. É com o órgão competente que está a averiguação”, ressaltou.

Hial afirmou ter conduzido a coleta das informações sem comunicar previamente os demais vereadores ou o Poder Executivo. Segundo ele, o objetivo era impedir que uma eventual divulgação antecipada comprometesse a apuração.

“Quando puxei um fiozinho, achei que era um fio, mas era um novelo de lã inteiro”, comparou.

UM VEREADOR E VÁRIOS SERVIDORES

Questionado sobre a quantidade de envolvidos, Otávio Hial afirmou acreditar que somente um parlamentar estaria diretamente ligado à exigência dos repasses. Vários funcionários, porém, teriam sido utilizados para devolver parte dos salários recebidos.

Durante a entrevista, ele mencionou uma estimativa de oito a dez servidores, mas deixou claro que não poderia confirmar o número exato. Os funcionários teriam sido indicados para ocupar cargos no mesmo grupo político ou gabinete.

O vereador também não confirmou o valor total supostamente arrecadado. Segundo ele, os repasses mensais poderiam alcançar entre R$ 10 mil e R$ 12 mil, abaixo dos valores de R$ 20 mil a R$ 30 mil mencionados em comentários que circulavam pela cidade.

Hial ressaltou que a eventual configuração do crime não dependeria do montante arrecadado.

“O crime é o mesmo. Se você me der R$ 1 ou R$ 10 mil, o ato é o mesmo. É injusto, é desumano e é crime”, afirmou.

HIAL CRITICA NOTA DIVULGADA PELA CÂMARA

Uma das partes mais contundentes da entrevista ocorreu quando Otávio Hial comentou a nota oficial divulgada pela Câmara Municipal. No documento, o Legislativo informou que não havia recebido comunicação formal sobre investigação e mencionou a possibilidade de responsabilização por denunciação caluniosa caso acusações falsas fossem apresentadas.

Hial classificou o comunicado como “ridículo”, “infeliz” e equivocado. Segundo ele, antes de divulgar a nota, a presidência da Câmara deveria ter procurado o Ministério Público para verificar se a representação realmente havia sido protocolada.

“Antes de soltar uma nota, tinha que ver se realmente existe a denúncia. E foi acatada. Não me senti ameaçado, mas a nota foi infeliz”, declarou.

O vereador afirmou que a denúncia já estava no Ministério Público havia semanas quando o Legislativo divulgou o comunicado. Para ele, a nota acabou transmitindo uma reação precipitada diante de um caso que deveria ser tratado com cautela.

Apesar das críticas ao posicionamento institucional, Hial pediu que a população não responsabilize todos os integrantes da Câmara pelo episódio. Segundo ele, os demais parlamentares não tinham conhecimento das informações reunidas.

VEREADOR DEFENDE OS DEMAIS PARLAMENTARES

Hial afirmou considerar a atual composição da Câmara uma das melhores já formadas e destacou que cada vereador atua em áreas específicas. Ele citou trabalhos relacionados à segurança pública, cultura, inclusão e defesa das pessoas com autismo.

“Os vereadores não sabiam de nada. E, se sabiam, era fofoca de corredor. Não ataquem os vereadores”, pediu.

O parlamentar também afastou qualquer participação do prefeito Geninho Zuliani no episódio. Segundo Hial, o assunto não foi levado ao Executivo porque os fatos relatados estariam restritos ao Poder Legislativo.

Ele disse ainda não temer eventuais retaliações políticas ou consequências para o seu mandato. Afirmou ter entrado na política com o objetivo de agir de maneira diferente e que está preparado tanto para disputar uma nova eleição quanto para retornar integralmente à carreira na Polícia Militar.

CONSELHO DE ÉTICA PODERÁ ANALISAR O CASO

Otávio Hial declarou acreditar que a Câmara deverá adotar providências internas depois do retorno do recesso parlamentar, previsto para agosto. Entre as medidas possíveis estaria a abertura de procedimento no Conselho de Ética.

A eventual criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito também poderá ser discutida, dependendo do andamento da apuração conduzida pelo Ministério Público e das informações oficialmente encaminhadas ao Legislativo.

Durante a entrevista, Hial lembrou que a Câmara de Olímpia já enfrentou outras suspeitas de “rachadinha”. Ele mencionou um caso ocorrido em 2005, que terminou em absolvição por falta de provas, e outro registrado em 2016, no qual houve flagrante e condenação.

DENUNCIANTE TERIA PRESTADO DEPOIMENTO

Segundo Hial, a pessoa que apresentou os documentos já teria prestado depoimento às autoridades. O vereador demonstrou preocupação com a segurança do denunciante e com a possibilidade de pressões para que ele altere sua versão.

Ele afirmou que qualquer mudança repentina no depoimento, desaparecimento ou tentativa de intimidação deverá ser comunicada às autoridades como possível retaliação.

Ao encerrar a entrevista, Otávio Hial pediu que a população aguarde o trabalho do Ministério Público e evite condenações antecipadas. Segundo ele, caberá ao órgão analisar os documentos, ouvir os envolvidos e concluir se existiu ou não a devolução ilegal de parte dos salários.

“Eu não estou acusando ninguém. Eu levei os fatos e as provas que chegaram às minhas mãos para o órgão competente. Agora é preciso deixar o Ministério Público trabalhar”, concluiu.

 

Compartilhe:

Comentários

Os comentários não representam a opinião do iFolha; a responsabilidade é do autor da mensagem.

Você deve se logar no site para enviar um comentário. Clique aqui e faça o login!

Ainda não tem nenhum comentário para esse post. Seja o primeiro a comentar!

Mais lidas