31 de março | 2026
Esquema de R$ 129 milhões: polícia prende 18 e atinge rede de fraudes com veículos na região de Olímpia
Operação “Axis” desarticula organização que usava laranjas para financiar carros de alto valor e gerar lucro ilícito; Severínia está entre as cidades com desdobramentos

Uma operação da Polícia Civil desarticulou um esquema milionário de fraudes em financiamentos de veículos que movimentou mais de R$ 129 milhões em cinco anos no interior paulista. Ao todo, 18 pessoas foram presas nesta segunda-feira (30), em uma ofensiva que também teve desdobramento em Severínia, município que integra a Comarca de Olímpia.
A ação ocorreu simultaneamente nas cidades de Catanduva, São José do Rio Preto, Severínia, Paraíso e Pindorama. Durante a operação, os policiais apreenderam 56 veículos, 45 celulares, 198 cartões bancários, um revólver, cerca de 300 munições, além de joias e relógios.
ESQUEMA USAVA “LARANJAS” PARA FRAUDAR FINANCIAMENTOS
De acordo com as investigações, o grupo utilizava pessoas conhecidas como “laranjas” para firmar contratos de financiamento de veículos de alto valor, já com a intenção de não quitar as parcelas. Após o bloqueio dos automóveis pelas instituições financeiras, os investigados negociavam as dívidas por valores menores.
Com a pendência regularizada, os veículos eram liberados e voltavam ao mercado, sendo revendidos pelo valor original. Segundo a polícia, a prática gerava lucro ilícito para a organização e prejuízos significativos ao sistema financeiro.
Entre janeiro de 2020 e janeiro de 2025, a investigação identificou 278 veículos ligados ao esquema, avaliados em cerca de R$ 22,6 milhões.
OPERAÇÃO CUMPRIU MAIS DE 70 MANDADOS
Com base nas apurações, a Polícia Civil cumpriu 21 mandados de prisão temporária e 52 mandados de busca e apreensão. A operação foi batizada de “Axis” e também incluiu pedidos de bloqueio de bens e contas bancárias dos investigados.
Apesar das prisões, três suspeitos seguem foragidos e são considerados peças importantes dentro da organização criminosa.
ORGANIZAÇÃO TINHA DIVISÃO DE TAREFAS
As investigações apontaram que o grupo era estruturado em núcleos distintos e interdependentes, com divisão clara de funções. A liderança ficava responsável pelo comando estratégico e jurídico do esquema, enquanto outros integrantes atuavam na gestão, ocultação e circulação dos veículos.
Essa estrutura dificultava o cumprimento de ordens judiciais e o rastreamento dos bens. Havia ainda um núcleo especializado na falsificação de documentos financeiros, essencial para viabilizar a aprovação fraudulenta dos financiamentos.
LAVAGEM DE DINHEIRO E CONTAS DE TERCEIROS
A apuração também revelou a existência de uma estrutura empresarial voltada à ocultação patrimonial e à lavagem de dinheiro. Segundo a polícia, eram utilizadas contas bancárias de terceiros para dificultar o rastreamento dos valores obtidos ilegalmente.
Interceptações telefônicas e quebras de sigilo bancário indicaram uma atuação contínua, organizada e altamente articulada do grupo, que também utilizava canais segmentados de comunicação para coordenar as ações criminosas.
PRESOS RESPONDERÃO POR TRÊS CRIMES
Os 18 presos foram encaminhados à delegacia e permanecem à disposição da Justiça. Eles deverão responder pelos crimes de associação criminosa, estelionato e lavagem de dinheiro.
As investigações continuam com o objetivo de localizar os foragidos e aprofundar a identificação de possíveis ramificações do esquema em outras regiões do estado.
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