02 de julho | 2017

Família quer participar da discussão da preservação de pinturas da Beneficência

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Depois de tomar conhecimento da matéria publicada por esta Folha na edição do sábado da semana passada, dia 24 de junho, através da qual teve a confirmação oficial da existência das obras em Olímpia, a família do artista plástico Durval Pereira, manteve contato com a editoria do jornal comunicando que tem interesse em participar ativamente da discussão da preservação das pinturas em afresco existentes em paredes do prédio da associação Beneficência Portuguesa.

A afirmação é de um dos netos do artista plástico Durval Pereira, Eduardo Pereira, que conversou na quinta-feira desta semana, dia 29, com o editor desta Folha, jornalista, advogado e filósofo, José Antônio Arantes.

“Gostaríamos de participar nesta discussão sobre a preservação da obra”, solicitou Eduardo Pereira que é o responsável pela organização de uma exposição das obras do avô.

De acordo com Eduardo Pereira, a família de Durval Pereira ficou sabendo da matéria publicada pela Folha pela internet, depois de ter sido avisada por um jornalista do Diário da Região de São José do Rio Preto.

Também segundo o neto, todos foram pegos de surpresa, pois ainda não tinham certeza da existência deste trabalho. Eduardo Pereira contou que a mãe e o tio até tinham comentado com ele, recentemente, sobre a possibilidade da existência dos afrescos em Olímpia. Mas eles ainda não tinham se movimentado para ir atrás.

Contou ainda que estão preparando uma exposição da obra do pintor e que por isso a família toda ficou emocionada com a informação.

PREJUÍZO CULTURAL

Por outro lado, embora já existindo até uma estimativa de custo para a recuperação que necessita ser realizada por artistas conhecedores da técnica de pinturas em afresco, o fato é que a falta de conservação dessas pinturas, principalmente em razão de infiltrações, pode gerar um grande prejuízo cultural para o município.

De acordo com a Prefeitura Municipal, o problema é que nada pode ser feito enquanto perdurar as ações que tramitam na justiça local, se não for solicitado pela diretoria da Associação Beneficência Portuguesa de Olímpia.

Por isso, até agora, apenas foi implantado um sistema de calha que possa pelo menos evitar a continuidade de infiltrações de águas de chuvas, medida que foi solicitada pela direção da instituição e que visa evitar que a situação se comprometa ainda mais.

Consta em um dos processos judiciais, que um laudo de vistoria do Poder Judiciário aponta que os afrescos são da década de 50, que precisam ser recuperados e mantidos, mas por pessoas especia­liza­das. Há um valor estimado em R$ 350 mil para a realização desse serviço.

As pinturas são em afresco, técnica de pintura mural, executada sobre uma base de gesso ou cal ainda úmida – por isso o nome é derivado da expressão italiana fresco, de mesmo significado no português – na qual o artista deve aplicar pigmentos puros diluídos somente em água.

Conselho faz reunião 4.ª feira para deliberar

sobre tombamento do prédio da Beneficência

De acordo com uma informação que chegou à redação desta Folha, o Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Turístico – COMDEPHAC, agendou uma reunião extraordinária para o final da tarde de quarta-feira da próxima semana, dia 5, às 17h30, para deliberar a respeito do tombamento histórico do prédio da Associação Beneficência Portuguesa de Olímpia.

De acordo com a pauta, que não foi divulgada oficialmente, seria para pelo menos dar mais um passo para uma decisão e transformar o tombamento em uma situação definitiva.

De acordo com as datas pesquisadas pela reportagem desta Folha, a Beneficência Portuguesa de Olímpia foi o primeiro hospital da cidade.

Essa informação foi encontrada pela reportagem desta Folha, durante uma pesquisa realizada com a finalidade de publicar matéria alusiva ao Dia do Padroeiro de Olímpia, São João Batista, que é comemorado neste sábado, dia 24.

Pelo menos é isso que consta no 1.º volume do relato da história da cidade entre os anos de 1857 e 1941, com o nome Olím­pia, Cidade Menina Moça. Lançado em 2001, pelo professor e historiador, José Maria de Jesus Marangoni.

Consta que, inicialmente construído para abrigar a Prefeitura e Câmara Municipal da cidade, pelo então prefeito Geremia Lunardelli, em novembro de 1928, e depois de sofrer grandes transformações, o prédio já abrigava um departamento de atendimento médico chamado Casa de Saúde Santa Cecília.

Antes disso, não há informações disponíveis sobre como a questão da saúde, pública principalmente, era tratada. No entanto, a pesquisa aponta para a confirmação que, em outros tempos, a cidade chegou a contar com três unidades hospitalares.

Além do início das atividades clínicas na edificação da Beneficência Portuguesa em 1928, em novembro de 1930 surgiu a Casa de Saúde Lopes Ferraz (que antecedeu o Socorros Mútuos) e em abril de 1937 foi inaugurada a Santa Casa de Olímpia.

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