25 de outubro | 2025

Famílias cobram mais rigor na busca por suspeitos de chacina no Paraná: “Medo e impunidade”

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Três homens que saíram de São Paulo para cobrar dívida em Icaraíma e junto com o contratante foram mortos a tiros; suspeitos estão foragidos desde agosto e famílias se queixam de falta de respostas da polícia.

As famílias de dois dos quatro homens mortos no Paraná, após viajarem da região para cobrar uma dívida, pedem maior rigor da polícia nas investigações e na localização dos suspeitos. Duas das vítimas saíram de São José do Rio Preto, outra de Olímpia e se encontraram com o quarto cobrador em Icaraíma (PR).

Os principais suspeitos são Antonio Buscariollo, de 66 anos, e seu filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22. Ambos estão foragidos desde 6 de agosto.

Os corpos de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso, e Alencar Gonçalves de Souza foram encontrados com marcas de tiros em 18 de setembro, em um local coberto por plantas em Icaraíma. O achado ocorreu a 650 metros de onde a picape usada pelas vítimas havia sido localizada seis dias antes.

LUTO E SENSAÇÃO DE IMPUNIDADE

Mais de um mês após os sepultamentos – Robishley e Rafael em São José do Rio Preto, e Diego em Olímpia, todos em 21 de setembro – as esposas de Robishley e Rafael relatam estar sem novas informações sobre o andamento das investigações no Paraná.

Denise Cristina Pereira, esposa de Robishley, afirma temer pela própria vida e de seus familiares, já que os suspeitos estão soltos. Ela descreve uma “sensação de impunidade e medo” por saber do que os suspeitos são capazes e acredita que eles “só estão esperando abafar o caso para se vingar”.

Meire de Souza, esposa de Rafael, revela que tem sido difícil elaborar o luto, especialmente por saber que os principais suspeitos ainda não foram presos. Ela diz que a família entra em contato com a equipe da Polícia Civil do Paraná com frequência, mas não consegue uma resposta além de que o caso “está sob investigação”.

DESCOBERTAS NA ÁREA DE BUSCA

A investigação policial indicou que os corpos estavam em um ponto com plantas jogadas em cima, a 500 metros do local onde a picape havia sido localizada. O secretário de Segurança Pública do Paraná informou que um informante e uma carta anônima enviada ao pai de uma das vítimas ajudaram a localizar o carro e os corpos.

Na mesma área onde o carro e os corpos foram encontrados, a polícia localizou cinco bunkers e 17 esconderijos subterrâneos. A Polícia Civil disse que essas estruturas são frequentemente usadas para esconder drogas e contrabando, especialmente de cigarro paraguaio, indicando uma possível atuação de grupos criminosos voltados ao tráfico na região de fronteira.

A VIAGEM FATAL

Robishley, Rafael, e Diego viajaram de São José do Rio Preto para Icaraíma em 4 de agosto, contratados por Alencar, morador local, para cobrar uma dívida. Os homens atuavam há cerca de 13 anos na cobrança de débitos.

Segundo a polícia, Alencar vendeu uma propriedade rural por R$ 255 mil à família Buscariollo, mas não houve pagamento. Antonio e Paulo Buscariollo foram levados à delegacia em 6 de agosto, e confirmaram a negociação de compra e venda entre Alencar e dois parentes, mas negaram relação direta com a dívida. Estão foragidos desde então.

 

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