17 de outubro | 2026

Flávio Olmos e três assessores seguem presos após audiência de custódia

Compartilhe:

Presidente da Câmara, Renan Balatori, Camila Gorita e Luma Oliveira tiveram as prisões temporárias mantidas nesta sexta-feira. Investigação sobre suposta “rachadinha” teve quebra de sigilo bancário e relatório do Coaf apontando movimentações consideradas incompatíveis e operações financeiras atípicas.

DA REDAÇÃO

O presidente da Câmara Municipal de Olímpia, vereador Flávio Augusto Olmos, e os assessores Renan Gustavo Balatori, Camila Renata dos Santos Gorita Domenico e Luma Oliveira Torres continuam presos temporariamente no âmbito da Operação “Caixa Frio”, que investiga um suposto esquema de “rachadinha” no Legislativo olimpiense.

Os quatro passaram por audiência de custódia ne sexta-feira, 16, e tiveram mantidas as prisões temporárias decretadas por cinco dias pela Justiça. Com isso, fica confirmada a informação que até o fechamento da edição impressa ainda era tratada pelo iFolha como apuração de fonte ligada ao sistema prisional.

Flávio Olmos e Renan Balatori estão recolhidos em Colina, enquanto Camila Gorita e Luma Oliveira estão na unidade feminina de Bebedouro.

DEFESA DIZ QUE PRISÕES SÃO “ILEGAIS”

O advogado Lucas Biscegli, que representa Flávio Olmos, manifestou-se na sexta-feira e classificou as prisões como “ilegais”.

Até o momento, não foi divulgada decisão determinando a soltura dos quatro investigados. As prisões são temporárias, possuem caráter cautelar e não representam condenação.

O processo tramita sob sigilo.

MANDADOS SAÍRAM DA VARA DAS GARANTIAS DE RIO PRETO

Os quatro mandados de prisão temporária e os oito de busca e apreensão foram expedidos pela Vara Regional das Garantias da 8ª Região Administrativa Judiciária, sediada em São José do Rio Preto.

A Operação Caixa Frio foi desencadeada na manhã de quinta-feira, 15, pela Delegacia Seccional de Polícia de Barretos, com participação de equipes da DIG, DISE e Central de Polícia Judiciária, além do apoio operacional da Força Tática da Polícia Militar.

As buscas ocorreram em residências dos investigados, no gabinete parlamentar ligado a Flávio Olmos e em outros endereços relacionados à apuração.

JUSTIÇA JÁ HAVIA AUTORIZADO QUEBRA DE SIGILO

Novas informações divulgadas após a operação revelam que a Justiça já havia autorizado, antes das prisões e buscas, a quebra do sigilo bancário dos investigados.

A medida permitiu aprofundar a análise das movimentações financeiras relacionadas ao grupo e acrescentou novos elementos ao inquérito.

Segundo a Polícia Civil, a investigação foi instaurada há cerca de três meses depois que informações recebidas pelo Ministério Público indicaram a possível existência de um esquema envolvendo o presidente da Câmara e assessores vinculados ao gabinete.

COAF APONTOU MOVIMENTAÇÕES ATÍPICAS

Um dos elementos que ganha importância nesta nova fase é um relatório elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

De acordo com informações obtidas pelo Diário da Região, o documento apontou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada dos investigados, além de sucessivos depósitos em dinheiro e utilização de mecanismos financeiros classificados como atípicos pelas instituições que comunicaram as operações.

O relatório também identificou movimentações envolvendo Pessoa Politicamente Exposta (PEP), classificação utilizada no sistema financeiro para agentes públicos que, em razão dos cargos exercidos, estão sujeitos a controles específicos nas operações financeiras.

Esses elementos se somam a depoimentos, documentos, extratos bancários e outras informações financeiras reunidas durante o inquérito.

POLÍCIA APURA SUPOSTA “RACHADINHA”

A principal suspeita da investigação é de que servidores comissionados vinculados ao gabinete realizassem, de forma sistemática, o repasse de parte das remunerações recebidas da Câmara.

Segundo a Polícia Civil, esses valores teriam posteriormente como destino o agente político investigado.

A prática é popularmente conhecida como “rachadinha”. No inquérito, os fatos estão sendo investigados sob a ótica dos crimes de peculato e associação criminosa.

Ainda não foi oficialmente divulgado o montante total que teria sido movimentado nem quanto cada servidor eventualmente teria repassado.

QUATRO NOMES ESTÃO ENVOLVIDOS NAS PRISÕES

Além do presidente da Câmara, Flávio Augusto Olmos, foram presos temporariamente os assessores Renan Gustavo Balatori, Camila Renata dos Santos Gorita Domenico e Luma Oliveira Torres.

Os três mantinham vínculo com o Legislativo. Renan foi nomeado assessor parlamentar em janeiro de 2025; Luma assumiu o cargo em abril daquele ano; e Camila foi nomeada assessora parlamentar em maio de 2025.

Depois das prisões em Olímpia e dos procedimentos policiais realizados em Barretos, Flávio e Renan foram encaminhados para Colina. Camila e Luma seguiram para Bebedouro.

SORVETERIA APARECE NA INVESTIGAÇÃO

O nome escolhido para a operação está diretamente relacionado a um dos pontos apurados pela Polícia Civil.

Segundo a investigação, um estabelecimento comercial do ramo de sorvetes pertencente a um dos investigados teria sido utilizado como local de entrega de valores relacionados ao suposto esquema.

Daí surgiu o nome “Caixa Frio”.

Até agora, a Polícia não revelou quanto dinheiro supostamente teria sido entregue no estabelecimento nem durante qual período essas entregas teriam ocorrido.

CELULARES E COMPUTADORES ESTÃO SENDO ANALISADOS

As buscas realizadas na quinta-feira resultaram na apreensão de celulares, computadores, notebooks, documentos e outros materiais que podem contribuir para o esclarecimento do caso.

Os equipamentos deverão passar por extração e análise técnica. A expectativa dos investigadores é verificar mensagens, arquivos, registros financeiros e outros dados que possam indicar como funcionaria o suposto esquema, quais valores teriam sido movimentados e qual teria sido a participação de cada investigado.

A Polícia Civil também já afirmou que a investigação pretende identificar eventuais outros envolvidos.

OLMOS FOI LEVADO DE VIATURA PARA BARRETOS

Flávio Olmos foi preso em Olímpia e levado no compartimento destinado a presos de uma viatura policial para Barretos, onde foram realizados os procedimentos da operação.

Imagens registraram sua chegada à unidade policial.

A prisão do presidente da Câmara ocorreu menos de dois meses depois de a Comissão de Ética do próprio Legislativo concluir pela improcedência de uma denúncia envolvendo suspeitas semelhantes, sob o entendimento de que as provas disponíveis naquele procedimento eram insuficientes para responsabilização político-administrativa.

A investigação criminal, no entanto, prosseguiu de forma independente e contou com instrumentos que não estavam à disposição da comissão parlamentar, entre eles quebra de sigilo bancário e relatórios de inteligência financeira.

INVESTIGAÇÃO CONTINUA SOB SIGILO

A Polícia Civil prossegue com a análise do material apreendido e das movimentações financeiras. Os investigadores não descartam novos desdobramentos ou a identificação de outras pessoas que eventualmente tenham participado dos fatos.

Flávio Olmos, Renan Balatori, Camila Gorita e Luma Oliveira não foram condenados. Os quatro mantêm o direito à defesa, ao contraditório e à presunção de inocência.

A próxima etapa deverá depender tanto da análise do material recolhido quanto das decisões judiciais relacionadas ao prazo das prisões temporárias.

Compartilhe:

Comentários

Os comentários não representam a opinião do iFolha; a responsabilidade é do autor da mensagem.

Você deve se logar no site para enviar um comentário. Clique aqui e faça o login!

Ainda não tem nenhum comentário para esse post. Seja o primeiro a comentar!

Mais lidas