26 de março | 2017

Geninho desbanca Benito e assume paternidade do turismo em Olímpia

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Mais uma vez acreditando no virtual e não na realidade dos fatos, como deveria ser, aliás, o ex-prefeito de Olímpia, Eugênio José Zuliani, utilizou-se de uma revista de circulação nacional para desbancar o mega empreendedor e presidente e criador do Parque Aquático Thermas dos Laranjais, Benito Benatti, com a finalidade de assumir a paternidade do desenvolvimento do turismo na cidade.

Pelo menos é essa a conclusão que se pode chegar a partir da publicação de um texto pela revista que, com base em entrevista com o ex-prefeito, mostra o título: este é o plano de Olímpia para virar a “Orlando brasileira”, dando conotação que tudo aconteceu em Olímpia a partir do início do primeiro man­dato de Geninho e que na­da ou quase nada havia antes.

Além disso, o subtítulo do texto tem o seguinte teor: município do interior de São Paulo apostou no turismo para atrair investimentos, gerar empregos e recuperar a economia.

De acordo com a revista, para transformar o pequeno polo de turismo regional de 2009 em uma estância que recebe cerca de 3 milhões de visitantes por ano – não se trata do número oficial fornecido pelo Thermas dos Laranjais que é bem menor – foi preciso planejamento intenso, algo que não chega perto da realidade.

Cita também que a prefeitura teria contratado uma consultoria para criar um Plano Diretor de Desenvolvimento Turístico para 20 anos (que poucos sabem que existe), e que mobilizou a população e melhorou a infraestrutura para incentivar o investimento privado da rede hoteleira e do comércio.

Em 2009, segundo transmite a revista, o Parque Aquático Thermas dos Laranjais — formado por sócios moradores — já recebia turistas de um raio de 200 km do município, que chegavam em poucos ônibus turísticos e voltavam para suas terras natais no mesmo dia. Naquela época, os hotéis de Olímpia eram antigos e atendiam apenas comerciantes que chegavam na região.

“Em reunião com membros da prefeitura, com empresários e com o parque, a gente descobriu que investir na rede hoteleira poderia ser uma saída para que as 200 até 500 pessoas que chegavam por dia pudessem vir de mais longe e pernoitar”, consta como afirmação do ex-prefeito Eugênio José Zuliani, que geriu a cidade de 2009 a 2016.

Ao que se sabe, realmente a maioria dos empreendimentos tiveram sim a articulação com empresários da área, mas a maioria pelo próprio presidente do parque, o empresário Benito Benatti.

Depois, sempre fazendo alusão a informações passadas por Geninho, a reportagem diz que “quando o turismo ainda se fortalecia como uma fonte econômica em Olímpia, muitos olimpienses viviam um drama pessoal. A queima de cana de açúcar havia sido proibida e o processo, automatizado. Com isso, muitos trabalhadores rurais perderam seus empregos. A solução da prefeitura foi criar um programa de ensino profissiona­lizante para capacitar esse grupo para trabalhar na rede hoteleira. Hoje 10 mil das 23 mil pessoas economicamente ativas do município dependem exclusivamente do turismo”.

Além disso, com uma rede hoteleira pulsante e mais turistas, os diretores do Parque Aquático Thermas dos Laranjais foram a campo buscar inspiração para Olímpia. Viajaram para Caldas Novas, em Goiás, e a parques de Orlando, nos Estados Unidos, onde fica a Disney, para verificar que tipos de atrações poderiam ser adaptadas para a realidade local.

Também de acordo com a revista, o “pulo do gato”, segundo Zuliani, foi conseguir alçar a cidade à categoria de estância turística do estado em 2015, fato que garante uma transferência de cerca de 3,5 milhões de reais por ano dos cofres estaduais para melhorar a infraestrutura e malha viária com vistas a fortalecer o turismo local. Questão, porém, que iniciou quando o atual prefeito Fernando Augusto Cunha era deputado estadual ainda no final do século XX.

Reportagem baseada em Geninho afirma que a cidade é rodeada por áreas verdes


Dentre outras indagações que se pode fazer ao texto que atribuiu o grande crescimento de Olímpia às duas administrações do ex-prefeito Eugênio José Zuliani, uma delas é em relação à parte do texto que informa que se trata de uma cidade rodeada por áreas verdes, quando a realidade, segundo pesquisa da Fundação SOS Mata Atlântica, mostra um resultado absolutamente diferente, ou seja, que pouca coisa resta do que pode e deveria ser considerado como área verde no município.

Nesse trecho a revista questiona como “Olímpia, uma cidade de apenas 50 mil habitantes no interior de São Paulo, conseguiu diversificar a sua economia, que antes era totalmente dependente da agroindústria, gerar empregos e se tornar um exemplo de mudança na administração pública no Brasil” (e o verdadeiro administrador do turismo, o criador do parque, nunca foi administrador público).

E a própria revista responde afirmando ser uma resposta simples: “apostar no Turismo, uma vocação natural da cidade já que o local é dotado de águas termais e rodeado por áreas verdes”.

Como se recorda, em meados de fevereiro deste ano esta Folha da Região publicou uma informação divulgando o trabalho denominado Aqui tem Mata? O questionamento é feito pela Fundação SOS Mata Atlântica, que a partir deste século tem se preocupado bastante com a evolução do desmatamento, principalmente de matas nativas que, além da mata amazônica, compõem o principal ecossistema do país.

Em Olímpia, segundo o levantamento realizado via satélite, a preocupação é maior ainda porque o município perdeu 40% do pouco saldo que tinha de sua Mata Atlântica em sete anos de mandato do ex-prefeito Eugênio José Zuliani.

O levantamento é de 2015, penúltimo ano de Geninho a frente da Prefeitura Municipal de Olímpia, comparado com 2009, o primeiro ano de seu primeiro mandato. Segundo dados da fundação, atualmente há 3.523,48 hectares, incluindo 82 hectares de Vegetação de Várzea, o que representa 189 vezes o tamanho do Estádio Mário Filho, o Maracanã, no Rio de Janeiro.

Em 2009, Olímpia ainda tinha 5.833, ou seja, 11% aproximadamente, de sua mata original, que inicialmente ocupava 55.036 hectares da área total do município de 80.265 hectares. Já segundo o estudo de 2015, que foi divulgado na semana passada, a Mata Atlântica ocupa apenas 4,39% da área total do município.

Vale destacar que no início de sua história o município tinha 68%, ou seja, 55.036 hectares do total de 80.255, que eram cobertos pela vegetação nativa, ou seja, pela Mata Atlântica.

Os dados são originados no “Atlas de Remanescentes Florestais da Mata Atlântica”, projeto que gera relatórios anuais sobre o estado de conservação da floresta.

O monitoramento é feito desde 1990 através de uma parceria da SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), com execução técnica da Arcplan, empresa privada, constituída por geógrafos especializados em Geoprocessamento, com ênfase em cartografia digital, interpretação de imagens de satélite e fotografias aéreas.

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