17 de novembro | 2025

Golpistas se passam por advogados e tiram R$ 242 mil de viúva de Olímpia

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Quadrilha simulou reuniões por vídeo, usou jargão jurídico e manteve a vítima por três dias em chamadas orientando transferências bancárias.

A Polícia Civil registrou, na tarde de sexta-feira (14), um caso de estelionato que resultou em um prejuízo de R$ 242.895,46 para a viúva COL, de Olímpia, que foi enganada por golpistas que se passaram por advogados e agentes do Judiciário. O crime ocorreu entre os dias 10 e 13 de novembro, quando a vítima recebeu mensagens e ligações via WhatsApp informando falsamente que havia ganho a ação judicial referente ao falecimento do marido, ocorrido meses antes.

Os envolvidos utilizaram nomes falsos, simularam uma equipe jurídica e mantiveram a vítima em longas chamadas de vídeo e áudio, orientando-a a realizar dezenas de transferências bancárias para contas de supostos prestadores de serviços financeiros.

CONTATO VIA WHATSAPP
E GOLPE COMEÇA COM FALSA SENTENÇA

Segundo o boletim de ocorrência, a viúva relatou que, no dia 10 de novembro, recebeu mensagem do número que se identificava como sendo de sua advogada, “Dra. M”. A pessoa afirmava que havia sido proferida sentença favorável em seu processo e enviou um arquivo em PDF simulando documentos judiciais.

Em seguida, o golpista passou a enviar novos recados, afirmando que o inventário do marido estaria concluído. Como a vítima demonstrou não compreender as informações, recebeu ligação de voz, onde o criminoso continuou se passando pela advogada.

REUNIÃO FALSA POR VÍDEO
COM TRÊS GOLPISTAS

No dia seguinte, o número utilizado pelos golpistas realizou uma chamada de vídeo. Apenas a câmera da vítima estava ativada. A quadrilha simulou uma conversa entre três supostos profissionais: a falsa advogada, um homem que se apresentou como “Dr. Bruno” e a própria vítima.

Durante a conversa, informaram que seria necessário fazer diversas movimentações bancárias para suposta “proteção de saldo”, incluindo contas pessoais da vítima.

VIÚVA É MANTIDA EM LIGAÇÕES LONGAS
E ORIENTADA A TRANSFERIR VALORES

A vítima declarou que, por confiar que falava com profissionais ligados ao processo real, forneceu dados bancários e seguiu todas as instruções. Os golpistas permaneciam em ligação por horas, orientando passo a passo as transferências.

Os valores foram enviados para contas de diversos indivíduos: T.D.S.D., H.C.U., G.A.S., M.E.S., N.F.A., A.S.P., E.A.S., J.S.S., A.C.S., entre outros. Os repasses foram feitos por meio de PIX, TED e pagamentos de boletos.

Também houve envios para empresas de crédito, carteiras digitais, intermediadoras de pagamento e prestadores de serviços financeiros, sem identificação ou detalhamento público, conforme solicitado.

GOLPE CONTINUA ATÉ
O LIMITE DIÁRIO DAS CONTAS

No dia 11, parte das transferências não pôde ser concluída devido ao limite diário das instituições bancárias. Os golpistas orientaram a vítima a continuar no dia seguinte. A viúva, que não tinha experiência com operações financeiras – responsabilidade antes assumida pelo marido – relatou que sua dificuldade fez com que os criminosos prolongassem ainda mais as ligações.

Em 12 de novembro ela recebeu nova mensagem marcando outra chamada. As orientações foram retomadas e novas transferências efetuadas até novamente atingir o limite.

GOLPISTA SE PASSA
POR “PRESIDENTE DO JUDICIÁRIO”

No dia seguinte, às 7h, a vítima recebeu ligação de uma mulher que se identificou como “Patrícia”, dizendo ser “presidente do Judiciário”. Orientou as últimas movimentações, incluindo pagamento de um boleto que a viúva identificou ser da Magalu. Ao questionar, a golpista disse que se tratava de engano.

Foi esse erro que levantou a suspeita definitiva.

VIÚVA DESCOBRE O GOLPE
E ACIONA A VERDADEIRA ADVOGADA

Após a ligação, a vítima contatou a secretária da verdadeira advogada. Em poucos segundos ficou confirmada a fraude: nenhuma das informações, documentos ou solicitações tinha relação com o processo real.

Abalada, ela procurou a delegacia ainda no dia 13, mas o sistema estava fora do ar. Foi orientada a ir ao banco, onde também não conseguiu medidas sem o boletim. As filhas auxiliaram no bloqueio de contas e mudança de senhas. O registro formal foi feito em 14 de novembro.

PREJUÍZO TOTAL SUPEROU R$ 242 MIL

Ao todo, foram identificadas mais de 25 transações, somando R$ 242.895,46 em prejuízo, incluindo pagamentos para contas de pessoas físicas e instituições financeiras de diferentes regiões do país.

 

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