23 de agosto | 2025
Hospital de Amor registra 1º caso brasileiro de câncer associado a implante de silicone
SAÚDE PÚBLICA EM ALERTA!
Paciente de 38 anos faleceu 10 meses após diagnóstico em caso raro de tumor associado a implante.

Segundo o especialista, o estudo reuniu todos os casos documentados mundialmente e acrescentou o primeiro registro brasileiro. A partir dessa análise, os médicos concluíram que o diagnóstico tardio e procedimentos inadequados em alguns casos agravaram o quadro das pacientes, espalhando células cancerígenas.
SILICONE E DIAGNÓSTICO TARDIO
A paciente, que tinha implante de silicone de longa data para fins estéticos, procurou o hospital após perceber inchaço e dor em uma das mamas. Inicialmente seria realizada apenas a troca da prótese, mas a equipe detectou alterações suspeitas na pele que recobria o implante. O exame de biópsia confirmou o tumor maligno.
Idam de Oliveira Júnior alerta que os sintomas costumam ser confundidos com complicações comuns de próteses, como contratura capsular ou rejeição. O atraso no diagnóstico, somado ao comportamento naturalmente agressivo do tumor, compromete o tratamento.
NOVO MODELO DE TRATAMENTO
Com base na revisão de 17 casos documentados mundialmente e no atendimento da paciente brasileira, o estudo propõe uma nova conduta para aumentar a sobrevida. A recomendação é realizar a capsulectomia total, sem extravasamento do conteúdo, seguida da retirada do tecido adjacente.
De acordo com o artigo, entre os 17 pacientes avaliados, nove tiveram recorrência e seis faleceram entre dois e 17 meses. Os que apresentaram maior sobrevida foram submetidos a cirurgias mais extensas, como mastectomia e ressecção da parede torácica. A média de sobrevida global foi de 15,5 meses.
ALERTA PARA MULHERES COM PRÓTESES
Embora raro, o caso serve de alerta. Desde 1992, menos de 20 ocorrências semelhantes foram registradas no mundo. Os sintomas que merecem atenção são: inchaço repentino, dor, acúmulo de líquido ao redor da prótese e aparecimento de nódulos. Mesmo anos após a cirurgia, esses sinais não devem ser ignorados.
Os especialistas recomendam que mulheres com implantes procurem avaliação médica caso percebam alterações, com exames de imagem e análise do líquido ao redor da prótese.
CAUSAS AINDA DESCONHECIDAS
A hipótese mais aceita é que a cápsula formada em volta do implante, com o tempo, sofra inflamações crônicas capazes de gerar alterações celulares. Os casos, em geral, surgem após mais de 10 anos da cirurgia, mas não há evidências de que um tipo específico de prótese seja responsável.
Apesar do alerta, Idam ressalta que o implante de silicone continua sendo considerado seguro. O procedimento, no entanto, exige acompanhamento médico constante e atenção redobrada das pacientes a possíveis sinais de complicações.
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