22 de janeiro | 2017
Investigações mostram que assassinos mataram para roubar

O assassinato do casal aconteceu na madrugada de sábado, 14, na rua Coronel Francisco Nogueira, no centro de Olímpia e desde então a polícia passou a trabalhar intensamente pra elucidar o caso. O delegado Marcelo Pupo de Paula contou os detalhes deste trabalho ao reporte Valter Carucce.
“Ouvimos a dona Railda que era empregada do casal; a Claudete, mãe de L., que teve um relacionamento amoroso com Milton Itavo Neto; e também ouvimos os mototaxistas. O que apuramos através da dona Railda foi que Milton e seu filho eram pessoas bem ligadas e íntimas das vítimas. Frequentavam com frequência o imóvel, almoçavam na residência, tinham um convívio praticamente familiar e diário com as vítimas.
Essa versão também foi confirmada pela Claudete, mãe do L., que diz que o menino estava morando com o Milton aqui em Olímpia e que, inclusive, cursava inglês em escola particular e quem pagava as mensalidades era o senhor Antônio, a vítima”, contou.
Pupo de Paula apurou ainda que do imóvel foi roubado também provavelmente um numerário cuja quantia não teve ainda como ser apurada. “Encontramos uma cômoda arrombada e não sabemos ainda o valor e nem se outras coisas foram levadas. Estamos tentando apurar isto com precisão.”
Na oitiva de dois mototaxistas que levaram Milton Neto e o filho até a UPA na madrugada dos fatos, o delegado mudou a primeira ideia de que estes pudessem apresentar algum tipo de ferimento em razão de uma possível luta principalmente com a idosa que tem sinais de ter reagido. “Pensávamos, inicialmente, que pudessem ter alguma lesão em decorrência de uma suposta luta corporal, mas o laudo que obtivemos foi somente do garoto e não mostrava nenhuma lesão, apenas sintomas de náuseas e enjoos. Já o Milton Neto apenas acompanhou. Os mototaxistas apenas disseram que buscaram a dupla na casa deles na Rua Américo Sampaio, levaram na UPA por volta das três da manhã e depois de uns 30 minutos buscaram de novo e os levaram até a casa deles”, afirmou.
Quanto ao esclarecimento do caso, Marcelo explica que não pode considerar como 100% esclarecido. “Tudo indica que tenham sido eles, pois não posso nem considerá-los foragidos porque ainda não existe ordem de prisão da justiça. Só posso trabalhar com o fato de estarem sumidos; não atendem celular e o garoto que mantinha conversa diária com a mãe através do Facebook e do Whatswap, agora não conversa mais. Tudo isso compõe um conjunto de provas negativas para Milton Neto e o adolescente, porque se, na verdade, fossem inocentes, não tivessem nenhuma relação com este crime bárbaro, seriam os primeiros a se apresentar na delegacia para mostrar que são inocentes”, afirmou o delegado.
Pupo de Paula declarou ainda que Claudete relatou que o “último contato que teve com o filho L. e com o Milton Neto foi no domingo dia 15, dia do aniversário do Milton Neto e ela ligou para dar os parabéns para o ex marido e disse que em nenhum momento tocou no assunto, como se nada tivesse acontecido. L. disse para a mãe que estavam no Rio de Janeiro, na casa de um amigo do pai”.
A respeito dos motivos do crime, o delegado, afirma que a linha de investigação está na questão financeira. “Acreditamos que tinham conhecimento que o contador aposentado pudesse guardar algum dinheiro no interior da casa, na cômoda que ele usava chaves e foi encontrada arrombada. Eles devem ter ido até lá para furtar ou mesmo roubar e alguma coisa pode ter dado errado durante a ação, culminando com a morte brutal e covarde do casal Antônio e Terezinha”.
Sobre ser latrocínio ou não, Marcelo Pupo de Paula disse que tudo leva a crer que tenha havido o roubo seguido de morte, principalmente pelo fato da cômoda ter sido encontrada arrombada. “O crime de latrocínio está no artigo 157 parágrafo terceiro do Código Penal e se dá quando o bandido mata para roubar a vítima e homicídio está previsto no artigo 121 do código penal ele apenas mata por alguma razão ou motivo. O latrocínio é julgado pelo próprio juiz e o homicídio pelo júri popular”, explicou.
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