24 de maio | 2026
Iquegami detalha investimento de R$ 35 milhões e anuncia mudanças no atendimento da Saúde
Secretário afirma que município prepara reformulação do sistema para reduzir filas, controlar faltas em consultas e exames, impedir duplicidade de procedimentos e reorganizar o transporte sanitário. Audiência também expôs dificuldades da frota, dependência de exames estaduais e gargalos no atendimento especializado.

Durante a audiência, o secretário municipal de Saúde e vice-prefeito, médico Márcio Iquegami, apresentou os números do primeiro quadrimestre de 2026 e afirmou que a Prefeitura prepara mudanças no sistema de consultas, exames, transporte sanitário e controle de atendimentos.
Segundo os dados apresentados, Olímpia investiu R$ 35,6 milhões em Saúde entre janeiro e abril deste ano. Desse total, R$ 26,9 milhões foram aplicados com recursos próprios do município, o equivalente a 25,96% da receita municipal, percentual acima do mínimo constitucional obrigatório de 15%.
FALTAS E DESPERDÍCIOS VIRAM PREOCUPAÇÃO
Ao comentar os números da Saúde, Iquegami afirmou que um dos maiores problemas enfrentados atualmente é o índice de faltas em consultas e exames agendados. Segundo ele, aproximadamente 20% dos atendimentos marcados acabam não sendo realizados por ausência dos pacientes.
O índice, segundo ele, chega a ser ainda mais elevado em algumas especialidades. Na dermatologia, de acordo com os dados apresentados, cerca de 48% das consultas acabam desperdiçadas devido às faltas dos pacientes.
NOVO SISTEMA DEVE CENTRALIZAR AGENDAMENTOS
Para tentar reduzir o problema, a Secretaria de Saúde anunciou a implantação de um novo sistema integrado ao aplicativo Conecta+ Olímpia. A proposta é permitir que os pacientes façam solicitações, acompanhem exames e controlem agendamentos diretamente pelo celular.
Segundo Iquegami, a intenção é que os pedidos médicos passem a entrar automaticamente no sistema, reduzindo falhas operacionais e acelerando os encaminhamentos.
“Daqui a alguns meses, a hora que o médico solicitar o exame, ele vai cair diretamente no sistema”, afirmou.
A reformulação também prevê travas eletrônicas para impedir exames e consultas repetidas, situação que, segundo o secretário, vem ocorrendo com frequência na rede municipal.
“Semana passada o ortopedista me mostrou um paciente que fez dois ultrassons do mesmo ombro em 15 dias. Essa falha é nossa”, comentou.
FILA DE RESSONÂNCIA CONTINUA SENDO GARGALO
Durante a audiência, o secretário afirmou que a fila para exames de ressonância magnética continua sendo um dos principais problemas da rede pública municipal. Segundo ele, a oferta de vagas depende do Estado e ainda permanece insuficiente para atender a demanda existente em Olímpia.
“O ano passado nós passamos meses fazendo 10 ou 12 exames por mês. Agora melhorou, estamos em torno de 40, mas ainda precisamos de ajuda”, explicou.
Ele acrescentou ainda que o município também enfrenta dificuldades com o não comparecimento de pacientes aos exames já autorizados. Segundo o secretário, cerca de 20% dos pacientes agendados para ressonância acabam faltando, o que provoca perda de vagas já disponibilizadas.
TELECONSULTAS DEVEM GANHAR NOVAS FUNÇÕES
Outro ponto abordado durante a audiência foi a ampliação da TeleUPA, sistema de telemedicina implantado no município e que atualmente realiza cerca de mil atendimentos mensais.
Segundo Iquegami, a proposta é ampliar o uso da ferramenta não apenas para consultas básicas, mas também para triagens e interconsultas entre médicos da atenção básica e especialistas.
O secretário também declarou que pretende reduzir, ao máximo possível, a emissão de atestados médicos por meio das teleconsultas, buscando evitar o uso inadequado do sistema.
TRANSPORTE SANITÁRIO ENTRA NA DISCUSSÃO
Questionado pelos vereadores sobre o transporte sanitário, Iquegami afirmou que o serviço deve ser utilizado exclusivamente para pacientes em tratamento e não para deslocamentos considerados particulares.
Durante a audiência, o secretário criticou situações em que usuários utilizariam ambulâncias e veículos da Saúde para atividades sem relação direta com atendimento médico.
“Se a pessoa está dentro do supermercado fazendo compras, ela não está precisando de ambulância”, declarou.
Segundo ele, existem casos registrados inclusive nos distritos do município. “Tem usuário chamando a ‘uberlância’ com sacolas de supermercado na mão. Assim não dá, né?”, comentou.
FROTA DA SAÚDE ESTAVA PARCIALMENTE PARADA
Ao abordar a situação da frota municipal da Saúde, Iquegami afirmou que encontrou grande parte dos veículos sem condições de funcionamento no início da atual gestão.
“Quando eu cheguei, nós tínhamos 28 veículos no setor de frotas e apenas nove estavam rodando”, afirmou.
Segundo o secretário, aproximadamente R$ 800 mil foram investidos ao longo do ano passado na manutenção e recuperação de veículos da Saúde, incluindo ambulâncias e unidades adquiridas recentemente.
A Prefeitura informou ainda que já iniciou processo para aquisição de três novas ambulâncias e uma unidade de suporte avançado.
MAIS DE 90 MIL CONSULTAS EM QUATRO MESES
O balanço apresentado pela Secretaria de Saúde aponta que, entre janeiro e abril deste ano, o município realizou 90.839 consultas médicas, 169.192 exames laboratoriais, 29.600 atendimentos odontológicos e 28.254 atendimentos na Farmácia Central.
Os dados apresentados também registram 1.427 viagens para outras cidades, 7.002 deslocamentos de ambulâncias dentro do município, 113 casos positivos de dengue e 38 confirmações de Covid-19 no período.
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