03 de agosto | 2025
Iquegami revela o sucateamento da saúde, denuncia rombo e apresenta plano de reconstrução do sistema
CAOS HERDADO, SISTEMA SOBRECARREGADO!
Em entrevista ao podcast “Pod Pai e Filha”, o vice-prefeito e secretário da Saúde de Olímpia, Márcio Iquegami, detalhou as dificuldades enfrentadas nos sete primeiros meses de gestão, denunciou problemas herdados da administração anterior e anunciou investimentos para ampliar UBS, reformar a UPA, modernizar a Santa Casa e retomar o foco na atenção básica.

Em entrevista concedida na última quinta-feira, 31 de julho, ao podcast “Pod Pai e Filha”, Iquegami fez um balanço dos primeiros sete meses à frente da pasta e apontou os principais gargalos da área, além de apresentar um plano de ação para reorganizar a rede municipal.
Logo no início da gestão, segundo Iquegami, foi constatado que apenas 9 das 28 ambulâncias da rede estavam em funcionamento. Desde então, a prefeitura investiu cerca de meio milhão de reais em consertos e conseguiu reativar 20 veículos. “Não existe um programa de renovação de frota na prefeitura. Isso precisa mudar”, alertou.
No que se refere ao orçamento, o secretário revelou que a pasta recebeu uma previsão de R$ 12 milhões para repasses à Santa Casa em 2024, valor bem abaixo dos R$ 22 milhões repassados no ano anterior. “Não sei se o secretário anterior achava que não precisaria gastar mais, mas a conta não fecha”, comentou.
UPA SOBRECARREGADA
POR FALTA DE ESTRUTURA NAS UBS
A UPA de Olímpia é atualmente a unidade mais pressionada do sistema, com cerca de 7.500 atendimentos mensais. O problema, segundo Iquegami, é que cerca de metade desses atendimentos são classificados como casos não urgentes, que poderiam ser resolvidos nas UBS.
Para tentar reverter esse quadro, a prefeitura implantou o horário estendido em três UBS da cidade, oferecendo consultas com clínico geral até as 20h, totalizando 1.200 atendimentos mensais adicionais. Mesmo assim, a demanda na UPA continua inalterada. “É um hábito da população. Mudar isso exige tempo e investimento”, explicou.
EXAMES E CONSULTAS DEMORADOS
PREJUDICAM A RESOLUTIVIDADE
Iquegami também apontou que a lentidão para marcar e realizar exames contribui para a procura direta pela UPA. Um paciente que passa por consulta em UBS, dependendo do caso, pode levar até 30 dias para concluir o ciclo entre exames e retorno ao médico.
Para resolver esse gargalo, está sendo reformado um prédio que abrigará o novo laboratório central da cidade. Com ele, exames poderão ser coletados por livre demanda, com funcionamento das 7h às 19h. “O paciente vai sair da UBS e poderá ir direto colher sangue, sem agendamento”, disse o secretário.
INFORMATIZAÇÃO
AINDA ENGATINHANDO
Apesar de uma portaria do SUS de 2016 determinar a informatização da rede, Iquegami revelou que até hoje não havia computadores sequer nas salas de atendimento do Postão. Segundo ele, o cabeamento foi finalizado em julho e os equipamentos devem ser instalados até o final do ano.
A proposta da nova gestão é integrar todos os dados de saúde, educação e finanças em um sistema único. “Hoje não temos como cruzar informações ou entender o custo real de cada unidade. Sem dados, é tudo achismo”, destacou.
INVESTIMENTO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA
E PREVENÇÃO
A nova estratégia da secretaria é focar na atenção básica como forma de reduzir internações e agravamento de doenças. “Você só infarta e vai parar na Santa Casa se antes alguém não cuidou da sua pressão e do seu diabetes”, declarou.
O município contratou 20 novos agentes comunitários e projeta aumentar a cobertura da Estratégia Saúde da Família, hoje em 50%, com a criação de duas novas equipes. Também está prevista a ampliação de grupos de acompanhamento de hipertensos e diabéticos.
NOVA INFRAESTRUTURA EM UBS
E POSTÃO MODERNIZADO
Além de reformar todas as UBS até 2028, a gestão planeja inaugurar uma nova unidade na Cohab IV até o fim do ano. Há ainda obras em andamento para uma UBS no Parque Residencial e uma terceira prevista para a região da COHAB III.
O antigo Postão será transferido para um novo prédio de 3 mil m², onde funcionarão os setores de fisioterapia, odontologia e radiologia. A previsão é de que a nova estrutura comece a operar no início de 2025.
AMPLIAÇÃO DA UPA E REFORÇO
NA ATENÇÃO INFANTIL
A UPA será ampliada com uma nova ala exclusiva para atendimento infantil. A obra prevê 550 m² de construção nova e a reforma de mais 400 m² do prédio atual. Também será criada uma área para pacientes em observação, especialmente os que aguardam vaga para internação.
A alimentação dos pacientes em observação será fornecida pela Santa Casa, que gerencia a unidade. Pacientes psiquiátricos, que às vezes permanecem até sete dias na UPA, também terão atenção especial com novos protocolos em parceria com o psiquiatra João Cristofolo.
PROJETO DE AMPLIAÇÃO DA SANTA CASA
COM VERBA DO DAEMO
Um dos principais anúncios da entrevista foi o início das obras de ampliação da Santa Casa, com investimento previsto de R$ 36 milhões oriundos da venda da DAEMO. Serão construídos 50 leitos SUS, 5 salas cirúrgicas e uma nova UTI.
Segundo Iquegami, o projeto anterior era inviável e inconstitucional, pois previa a concessão da estrutura à Santa Casa antes mesmo de ela existir. “Foi um erro jurídico e técnico. Vamos revogar as leis anteriores, fazer os distratos e usar o terreno da própria Santa Casa, que tem mais de 12 mil m²”, explicou.
PROJETO DO NOVO HOSPITAL
FOI DESCARTADO
O plano original de construção de um novo hospital com sete andares e mais de 10 mil m² foi abandonado. “A proposta era faraônica e não se sustentava com os recursos disponíveis”, comentou o secretário. Em vez disso, a gestão optou por ampliar e modernizar a estrutura já existente, com foco no atendimento pelo SUS.
Iquegami destacou que a Santa Casa precisa conquistar a confiança dos usuários de planos de saúde para ampliar seu público. “Hoje a demanda de convênio está toda em Rio Preto. O paciente particular só vem pra cá se acreditar no serviço que a Santa Casa oferece”, afirmou.
USO DA UPA POR TURISTAS É BAIXO,
SEGUNDO ESTATÍSTICAS
Ao contrário do que é dito com frequência, Iquegami garantiu que apenas 10% dos atendimentos na UPA são de turistas ou moradores da região. A maior parte dos casos se refere à população olimpiense.
Entre os principais sintomas relatados estão a tosse persistente e sintomas respiratórios. Já entre as doenças, hipertensão e diabetes continuam sendo os maiores vilões da saúde pública local.
VACINAÇÃO EM BAIXA
E CAMPANHA NO FEFOL
O secretário também alertou para a baixa cobertura vacinal na cidade, especialmente entre crianças. Olímpia está entre os três piores municípios da região no índice de imunização.
Durante o Festival do Folclore, a Secretaria da Saúde terá um estande exclusivo para aplicação de vacinas contra a gripe. Iquegami pediu que os moradores aproveitem a oportunidade e levem a carteirinha para atualizar a proteção.
OUVIDORIA E NOVAS FORMAS
DE AVALIAÇÃO DO SERVIÇO
Por fim, o secretário informou que foi implantado um sistema de QR Code na UPA para que os usuários possam avaliar o atendimento com perguntas objetivas. Além disso, ouvidorias formais na prefeitura ou nas UBS são essenciais para que o setor possa agir.
“Sem denúncia formal, não temos como responsabilizar ou corrigir. E os elogios também são bem-vindos”, finalizou o secretário.
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