20 de abril | 2026

Mãe reúne gravações e denuncia agressões contra filha com autismo dentro de escola

Compartilhe:

Mãe afirma que a criança passou a chorar, ter medo da professora e se recusar a frequentar as aulas. Gravações e vídeo mostram falas de professora auxiliar em tom elevado, cobranças constantes e comportamento retraído da aluna.

BRUNA ARANTES

Amanda Regina Guimarães denunciou a esta Folha, esta semana, agressões verbais contra sua filha, uma criança de 6 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), dentro de uma escola municipal. Para sustentar a denúncia, ela reuniu áudios , que segundo afirma, mostram de forma clara o tratamento recebido pela criança em sala de aula, com falas em tom elevado, repreensões constantes e ausência de abordagem adequada.

Segundo Amanda, o ponto central do caso não envolve agressão física, mas sim a forma como a filha vinha sendo tratada verbalmente. Ela afirma que a criança passou a relatar, de forma repetida, que “levava bronca toda hora”, que a professora falava “brava” e que sentia medo dentro da sala de aula, o que teria provocado mudanças significativas em seu comportamento.

RELATOS DA CRIANÇA INDICAM MEDO E RECUSA

De acordo com a mãe, a filha começou a apresentar resistência crescente para ir à escola, chorando antes de sair de casa e dizendo que não queria mais frequentar as aulas. Em diversos momentos, segundo Amanda, a criança afirmava que tinha medo da professora e que não se sentia bem naquele ambiente.

Ainda conforme relatado, a menina demonstrava dificuldade em explicar detalhadamente as situações, mas repetia frases indicando incômodo com as broncas e com a forma como era tratada. A mãe afirma que, ao ser questionada, a criança ficava abalada emocionalmente, chorava e evitava continuar falando sobre o assunto.

DENÚNCIAS ANTERIORES E POSSÍVEL REPRESÁLIA

Amanda Regina Guimarães também afirmou que os episódios teriam ocorrido após ela procurar a Secretaria Municipal de Educação para fazer reclamações formais sobre a ausência de professora auxiliar para recepcionar a filha, que, segundo ela, ficava sozinha até a chegada da docente responsável.

A mãe relata ainda que também fez outras denúncias envolvendo a escola, como pedidos de materiais e transferência via pix. Após essas manifestações, segundo Amanda, a escola não resolveu a situação e teria ocorrido uma mudança no tratamento dispensado à criança, que ela classifica como represália por parte da dita professora.

SECRETARIA FOI PROCURADA PELA MÃE

De acordo com Amanda, ela buscou atendimento junto à Secretaria de Educação e à gestão municipal de Olímpia, onde afirma ter sido bem acolhida. Segundo seu relato, as orientações foram repassadas à escola para que o atendimento fosse realizado de forma adequada.

No entanto, conforme a mãe, mesmo após essa intervenção, os problemas persistiram por parte da escola e a situação se agravou, culminando nos episódios registrados nos áudios e no vídeo apresentados à reportagem.

ÁUDIOS REVELAM TOM RÍSPIDO E COBRANÇAS

Nos áudios apresentados, é possível identificar falas dirigidas à criança em tom elevado, com repreensões feitas de maneira mais dura por parte da dita professora. Em alguns trechos, há comandos e cobranças constantes, sem suavização, o que, segundo a mãe, não condiz com o tratamento esperado para uma criança com TEA.

Amanda destaca que não se trata de situações isoladas, mas de uma forma recorrente de abordagem. A criança, nesses momentos, reage com silêncio, respostas curtas e hesitação, comportamento que, segundo a mãe, demonstra intimidação.

VÍDEO MOSTRA CRIANÇA RETRAÍDA EM CASA

O vídeo anexado à denúncia, gravado pela mãe falando com a filha, reforça os relatos apresentados. Nas imagens, a criança aparece com postura corporal fechada, sem espontaneidade, evitando contato direto e demonstrando insegurança.

Segundo Amanda Regina Guimarães, esse comportamento não era comum anteriormente. Ela afirma que a filha sempre teve, dentro de suas características, uma postura mais tranquila, e que a mudança foi percebida de forma gradual até se tornar evidente no dia a dia.

MUDANÇAS NO COMPORTAMENTO FORAM PROGRESSIVAS

A mãe relata que, ao longo dos dias, a criança passou a apresentar sinais claros de sofrimento emocional, como ansiedade, medo, insegurança e choro frequente, principalmente nos momentos que antecediam a ida à escola.

Além disso, Amanda afirma que a filha demonstrava alívio ao retornar para casa, o que reforçou a percepção de que o problema estava relacionado ao ambiente escolar. Com o passar do tempo, a situação evoluiu para a recusa em frequentar as aulas.

GRAVAÇÕES SUSTENTAM A DENÚNCIA

Para Amanda, os áudios mostram exatamente o que a filha vinha enfrentando em sala de aula, por parte de uma professora auxiliar. Ela afirma que os registros reforçam os relatos feitos pela criança em casa e evidenciam um padrão de comportamento que considera inaceitável.

Secretaria de Educação afirma que já apura a denúncia e oferecerá suporte

Pasta informa que Divisão de Educação Especial e Supervisão de Ensino analisam o caso e que atendimento da criança será reorganizado após apuração.

A Secretaria Municipal de Educação de Olímpia se manifestou sobre a denúncia envolvendo uma criança de 6 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em uma escola da rede municipal e informou que foi procurada pela mãe nesta semana.

Segundo a nota encaminhada a esta Folha, ao receber a denúncia, a Secretaria deu início imediato às ações cabíveis relacionadas ao caso.

APURAÇÃO ESTÁ EM ANDAMENTO
De acordo com o posicionamento oficial, a Divisão de Educação Especial e a Supervisão de Ensino estão averiguando as informações prestadas pela mãe.

A Secretaria também informou que todo o conteúdo das gravações será analisado assim que for disponibilizado oficialmente.

SUPORTE FOI OFERECIDO
Ainda conforme a nota, foi oferecido suporte à estudante, à família e aos profissionais envolvidos no caso.

A Secretaria não detalhou quais medidas específicas foram adotadas nesse suporte.

FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS É CITADA
No comunicado, a Secretaria destacou que a formação dos profissionais da Educação é uma prioridade da gestão.

Segundo o texto, essa formação contribui para a adequação e qualificação do serviço prestado, especialmente no atendimento a crianças atípicas.

ATENDIMENTO SERÁ REORGANIZADO
A nota informa ainda que o atendimento da criança será reorganizado, com o objetivo de buscar sua adaptação no contexto escolar.

Por fim, a Secretaria afirmou que os envolvidos serão devidamente ouvidos e que as medidas cabíveis serão adotadas após a apuração dos fatos.

Compartilhe:

Comentários

Os comentários não representam a opinião do iFolha; a responsabilidade é do autor da mensagem.

Você deve se logar no site para enviar um comentário. Clique aqui e faça o login!

Ainda não tem nenhum comentário para esse post. Seja o primeiro a comentar!

Mais lidas