05 de maio | 2013

“Máfia do Asfalto” comemorou lucro de meio milhão em Olímpia em 2010

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Um dos grampos telefônicos realizados com autorização judicial pela Polícia Federal (PF), Ministério Público Federal (MPF) de Jales e GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), de São José do Rio Pre­to, aponta para a possibilidade de que a chamada “Máfia do As­fal­to”, liderada pelo empresário O­lívio Scamatti, de Votuporanga, tenha lucrado meio milhão de reais em uma obra realizada em Olím­pia em 2010.

Em uma das interceptações, no dia 17 de julho de 2010, junto com o irmão Pedro, o chefe comemorou o lucro que o grupo obteve no município de Olímpia. Nela os do­is estimam um lucro total entre R$ 11,5 milhões e R$ 12,5 milhões e ainda falam em faturamento de R$ 25 milhões só a construtora.

“Fala também de lucros de R$ 400 mil em uma obra na usina No­roeste e em um loteamento em Jales. Pedro diz: “é impressionante, até falei pro Mauro, tem hora que desanima e tem hora que anima de novo”. Olívio pergunta sobre os recapes e Pedro responde: re­cape pelo amor de Deus! de Bastos R$ 500 mil, Olímpia R$ 500 mil, teve quatro recapes que foi de 500 pau de margem (de lucro)”, consta em outro trecho do grampo divulgado ontem pelo jornal Diário da Região, de Rio Preto.

Mas o nome do município de Olímpia aparece em outra conversa, esta gravada no dia 17 de ma­io de 2010: “Denise, chefe de gabinete parlamentar, conversa com Olívio sobre obra de aterro em Olímpia, afirmando que “ele” (provavelmente o deputado para o qual ela trabalha) tem o recurso e quer que eles indiquem alguém”.

De acordo com o que foi divulgado recentemente, durante a gestão do prefeito Eugênio José Zuliani, as empresas do Grupo S­camatti receberam R$ 30,5 milhões. Ele afirmou ao jor­nal que as empresas do grupo ganham as licitações “porque tem preço baixo”.

O prefeito lembrou ao “Diário” que o Ministério Público investigou possíveis irregularidades, mas o caso foi arquivado, e que Olímpia não esteve na mira da operação Fratelli – apesar de várias citações envolvendo a cidade nas escutas.

Por outro lado, o prefeito admitiu que teve uma conversa com Olívio Scamatti, mas apenas para falar sobre o acidente envolvendo uma assessora de um deputado do PT.

“MÁFIA DO ASFLATO” MONITORA ELEIÇÕES

Também segundo trechos de gravações divulgada nesta sexta-feira, dia 3, pode se depreender que a Máfia do Asfalto monitorou as eleições municipais do ano passado, nas cidades da microrregião, dentre elas Olímpia.

“Dia 07/10/2012 às 17:52h – Olívio liga para Jair e lhe cobra o resultado das eleições em algumas cidade da região. Jair responde que Jaiminho (pode ser erro de escuta e ser Geninho) estourou na sua cidade sem dizer qual seria (Jair reside em Olímpia); mais à frente Olívio pergunta de Severínia e Jair responde que Ca­macho ganhou”.

GENINHO INTERMDIOU LIGAÇÃO TELEFÔNICA ENTRE “CHEFE” E DEPUTADO FEDERAL

Além da empresa de parentes, o próprio Eugênio José Zulini aparece em grampos telefônicos conversando com o dono da Demop Participações Ltda., Olívio Scamatti, que é apontado pelo Ministério Público como o chefão da denominada Máfia do Asfalto. Na o­casião ele faz uma ponte entre o empresário e o deputado federal Vicentinho, do PT.

De acor­do com o Diário da Região, o prefeito de Olímpia liga pa­ra Olívio e fala sobre o acidente sofrido pela assessora de deputado Vicentinho. Conta sobre o estado de saúde das vítimas e passa o telefone para o deputado Vi­cen­ti­nho, que agradece o apoio que Olívio dispensou às vítimas, consta em inter­cepta­ção telefônica feita com autorização judicial.

“Olívio liga para Isabela e esta diz ter sofrido um acidente no trevo de Olímpia, juntamente com uma mulher de nome Ana, assessora do Deputado Vicentinho. Ge­ninho (prefeito de Olímpia) liga pa­ra Olívio e fala sobre o acidente citado em áudios anteriores. Conta sobre o estado de saúde das vítimas e passa o telefone para o deputado Vicentinho, que agradece o apoio que Olívio dispensou às vítimas”.

CONVERSAS ENVOLVEM A­TÉ ALOYSIO NUNES

O senador Aloysio Nunes (PS­DB) pediu uma perícia em áudio de interceptação telefônica do Ministério Público para provar que não é ele que aparece em conversa comprometedora com o chefe da Máfia do Asfalto, Olívio Scamatti, preso desde o dia 18 de abril acusado de chefiar esquema de fraude em licitação na região noroeste do Estado. Nas interceptações telefônicas feitas com autorização da Justiça, um determinado “Aloisio” liga para Olívio e recomenda que ele não feche um contrato de R$ 2,2 milhões em Mirassol porque “vai ter problema com a fiscalização.”

O tal “Aloisio” ainda pede ajuda a Olívio para resolver “problemas na Integração”, além de perguntar se tinha alguém “ligado ao Temer mexendo”.

São citados ainda os deputados federais José Mentor e Cândido Vaccarezza, ambos do PT. Apesar de nesse trecho o tal “Aloisio” ser identificado como “senador atualmente” pelo Ministério Público, A­lo­ysio Nunes negou com veemência ser interlocutor do empresário, a quem garante não conhecer.

O tucano criticou a atuação do MP e disse que já se reuniu com o procurador-geral de Justiça Már­cio Elias Rosa para esclarecer qual­quer mal entendido. Afirmou ainda que Rosa lhe teria pedido desculpas pela inclusão de seu no­me na investigação.

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