07 de janeiro | 2026
Mulher trans denuncia discriminação e impedimento de trabalho em hotel de Olímpia por uso de banheiro
Vítima registrou boletim de ocorrência alegando que contratação foi negada por funcionário de empresa terceirizada sob a justificativa de que ela não poderia usar o banheiro feminino. 
Uma moradora de Olímpia registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil, denunciando ter sido vítima de transfobia e constrangimento ilegal ao tentar assumir uma vaga de emprego em um resort da cidade. O caso teria ocorrido nas dependências do Resort, envolvendo um representante de uma empresa terceirizada responsável pela contratação de diaristas.
Segundo o relato contido no registro policial, a vítima, que utiliza o nome social de Isabella, soube da vaga para a função de “Steward” (limpeza e organização de utensílios de cozinha) por intermédio de sua mãe, que já presta serviços no local. Ao entrar em contato com o funcionário responsável pela seleção, identificado apenas como Luiz, da empresa Vero, ela teria sido informada de que não seria contratada devido à sua identidade de gênero.
JUSTIFICATIVA SOBRE O USO DE BANHEIROS
De acordo com o depoimento prestado à polícia, o recrutador teria justificado a recusa afirmando que a contratação não seria possível “por ela ser uma mulher trans”. O argumento utilizado seria a questão do uso do banheiro, alegando que ela teria que utilizar o sanitário masculino, situação que, segundo o funcionário, “não seria aceita” no ambiente de trabalho.
Ainda conforme o boletim, após a negativa inicial, a mãe da vítima conversou com um chefe de setor do próprio hotel, que autorizou o trabalho. Isabella chegou a prestar serviços por três dias, mas foi dispensada posteriormente. A situação se agravou no dia 05 de janeiro, quando, após ser informada por um colega sobre novas vagas, tentou retornar ao trabalho acompanhada da mãe.
IMPEDIDA DE ENTRAR E AGUARDO NA CALÇADA
Ao chegar à portaria do estabelecimento, a vítima relata ter sido barrada pelo mesmo funcionário da empresa terceirizada. Ele teria dito: “Você não foi dispensada? Não vão te deixar entrar aqui”, determinando que ela aguardasse do lado de fora. A denunciante afirma ter permanecido na calçada por cerca de uma hora enquanto sua mãe entrava para trabalhar.
Posteriormente, Isabella conseguiu ingressar no local para buscar informações e conversou com os responsáveis, sendo informada de que não havia vagas, apesar de um funcionário ter confirmado a existência das mesmas pouco antes. A vítima declarou às autoridades que se sentiu constrangida, humilhada e discriminada, caracterizando o episódio como transfobia. O caso foi registrado como preconceito de raça ou de cor (praticar discriminação), enquadrado na Lei 7.716/89, e será investigado pela Polícia Civil.
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