28 de outubro | 2026

Pai e três filhos indiciados por chacina no Paraná

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Polícia Civil concluiu investigação sobre assassinato de quatro homens, entre eles Diego Henrique Afonso, morador de Olímpia. Vítimas foram atraídas para emboscada durante cobrança de dívida de R$ 255 mil, executadas a tiros e enterradas. Os quatro suspeitos estão presos preventivamente.

A Polícia Civil do Paraná concluiu nesta terça-feira, 27, o inquérito sobre o assassinato de quatro homens em Icaraíma, no noroeste paranaense, entre eles Diego Henrique Afonso, de 39 anos, morador de Olímpia. Antônio Buscariollo e seus três filhos, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, Carlos Henrique Buscariollo e Carlos Eduardo Cândido Buscariollo, foram indiciados por quatro homicídios qualificados, quatro crimes de ocultação de cadáver, associação criminosa e fraude processual.

O crime aconteceu em 5 de agosto de 2025, quando as vítimas foram atraídas até uma propriedade rural para cobrar uma dívida de R$ 255 mil, relacionada ao desfazimento de um negócio imobiliário. Segundo a investigação, os homens foram surpreendidos em uma emboscada e executados com disparos de armas de diferentes calibres. Posteriormente, os corpos e o veículo utilizado pelo grupo foram enterrados em esconderijos subterrâneos.

OLIMPIENSE ESTAVA ENTRE AS VÍTIMAS

Além de Diego Henrique Afonso, foram assassinados Robishley Hirnani de Oliveira e Rafael Juliano Marascalchi, moradores de São José do Rio Preto, e Alencar Gonçalves de Souza Giron, de Icaraíma, responsável pela contratação dos serviços de cobrança.

Os três paulistas viajaram ao Paraná em 4 de agosto de 2025 para encontrar Alencar e tentar receber o dinheiro devido pela família Buscariollo. A negociação envolvia a venda de uma propriedade rural e estava representada por dez notas promissórias. Caso conseguissem recuperar os valores, os cobradores receberiam uma comissão correspondente à metade da quantia arrecadada.

ÚLTIMAS IMAGENS FORAM EM PADARIA

No dia 5 de agosto, câmeras de segurança de uma panificadora registraram os quatro homens juntos pela última vez. Horas depois, eles perderam contato com os familiares e passaram a ser considerados desaparecidos.

As buscas mobilizaram diversas forças de segurança durante mais de um mês. A caminhonete Fiat Toro utilizada pelas vítimas foi encontrada enterrada em uma área rural, apresentando vestígios de sangue e marcas de disparos. Em 19 de setembro de 2025, os quatro corpos foram localizados em uma vala, encerrando as buscas pelos desaparecidos e reforçando a investigação por homicídio.

POLÍCIA APONTA CRIME PLANEJADO

De acordo com o delegado Thiago Andrade Inácio, responsável pela investigação, os elementos reunidos apontam que os assassinatos foram planejados, com divisão de tarefas e atuação coordenada entre os envolvidos.

A apuração incluiu exames periciais, análises balísticas, extração de dados de celulares, informações financeiras, quebras de sigilo autorizadas judicialmente e depoimentos de dezenas de testemunhas.

Segundo as informações divulgadas sobre o inquérito, Carlos Henrique Buscariollo é apontado como o suposto mandante, por administrar a dívida cobrada pelas vítimas. Os investigadores também identificaram indícios de participação dos demais familiares em diferentes etapas da ação criminosa e da ocultação de vestígios.

SUSPEITOS FORAM PRESOS EM SÃO PAULO

Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo foram capturados em 18 de agosto deste ano, em um sítio na zona rural de Rio das Pedras, no interior paulista, depois de permanecerem foragidos por mais de um ano. Os dois chegaram a integrar a lista vermelha da Interpol.

Carlos Henrique Buscariollo também foi preso em Santa Bárbara d’Oeste. O quarto investigado, Carlos Eduardo Cândido Buscariollo, já estava recolhido em uma unidade prisional por tráfico de drogas, sendo posteriormente alcançado pelo mandado relacionado à chacina. Todos permanecem presos preventivamente.

POLÍCIA SUSPEITA DE OUTROS ENVOLVIDOS

Mesmo com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil do Paraná não descarta a participação de outras pessoas nos assassinatos, especialmente na execução, no apoio logístico e na ocultação dos corpos e de outras provas.

Os investigadores também identificaram possíveis tentativas de eliminar vestígios e dificultar o esclarecimento do crime. As diligências complementares continuarão para verificar se outras pessoas tiveram participação no planejamento ou na execução da emboscada.

DEFESA QUESTIONA DEMORA DO INQUÉRITO

Os advogados Renan Farah e Jéter Tovani, responsáveis pela defesa dos quatro indiciados, divulgaram nota questionando o tempo necessário para a conclusão da investigação.

Segundo os defensores, a demora excessiva, enquanto os investigados permaneciam presos preventivamente, teria configurado constrangimento ilegal. Eles sustentam que a complexidade do caso não afasta a obrigação de assegurar a duração razoável do procedimento criminal.

A defesa informou que aguardará a manifestação do Ministério Público para responder às acusações nos autos e ressaltou que o indiciamento não representa reconhecimento de culpa, permanecendo assegurada a presunção de inocência.

CASO AGORA VAI AO MINISTÉRIO PÚBLICO

Com o encerramento do inquérito, a documentação foi encaminhada ao Ministério Público do Paraná, que analisará as provas e decidirá sobre o oferecimento de denúncia à Justiça.

Caso a denúncia seja apresentada e recebida, os acusados passarão a responder formalmente à ação penal pelos crimes imputados. O indiciamento representa a conclusão da investigação policial quanto à participação dos quatro suspeitos, mas não equivale a uma condenação.

O caso, que provocou grande repercussão nacional e mobilizou familiares das vítimas em Olímpia, Rio Preto e Icaraíma, entra agora em uma nova etapa judicial, mais de um ano depois dos assassinatos.

 

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