28 de setembro | 2025

Chacina que matou olimpienses no Paraná teria sido arquitetada por outro filho de Buscariollo

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Documento da Polícia Civil revela que Carlos Henrique Buscariollo foi o mandante, enquanto Roni Nogueira, preso com a Fiat Strada usada no crime, é investigado por participação. Investigações detalham cativeiro, tortura e que uma das vítimas foi morta dias antes das outras.

 Da Redação com Ric TV – Uma reviravolta nas investigações sobre a morte de quatro homens em Icaraíma, no Paraná, aponta para uma trama ainda mais complexa e premeditada. Um relatório sigiloso de inteligência da Polícia Civil, obtido pelo programa Cidade Alerta, da RicTV, identifica um quarto suspeito como o “mentor intelectual” da chacina: Carlos Henrique Buscariollo, filho do foragido Antonio Buscariollo.

A investigação também levou à prisão de Roni Cláudio Nogueira Honorato, encontrado com a picape Fiat Strada branca que, segundo a polícia, foi o veículo utilizado pelos executores no dia do crime.

As novas informações reforçam a brutalidade do caso, que já era tratado como um “tribunal do crime”.

As vítimas — os cobradores RobishleyHirnani de Oliveira, 45 anos, e Rafael Juliano Marascalchi, 40 (de São José do Rio Preto), e Diego Henrique Afonso, 30 (de Olímpia), e o contratante e titular da dívida a ser cobrada, Alencar Gonçalves de Souza, 56 — foram sequestradas, torturadas e executadas.

As certidões de óbito confirmam as causas das mortes como traumatismo cranioencefálico e politraumatismo, evidenciando o extremo sofrimento antes dos disparos fatais.

O CARRO-CHAVE
E A PRISÃO DO CÚMPLICE

A picape Fiat Strada branca, que pertencia à família Buscariollo, tornou-se uma peça-chave no quebra-cabeça. O veículo foi localizado e apreendido com Roni Cláudio, que teve a prisão temporária decretada por suspeita de participação direta no crime.

Para a polícia ele possui, no mínimo, “profundo conhecimento” sobre os fatos, pois sabia do desaparecimento das vítimas antes mesmo de o caso se tornar público. A picape, no momento da abordagem, estava com as placas adulteradas.

Em seu depoimento Roni tentou se desvencilhar, alegando que pegou o carro em uma oficina mecânica no dia 7 de setembro. Segundo ele, os Buscariollo haviam deixado o veículo para conserto no dia 4 de setembro, mas o dono da oficina, assustado com a repercussão do caso, pediu que ele retirasse o carro de lá. A versão não convenceu os investigadores, que o autuaram por homicídio qualificado e desaparecimento de pessoas.

O MENTOR INTELECTUAL
E OS EXECUTORES

Com a nova peça no tabuleiro, a investigação agora trabalha com quatro nomes principais. Além dos já foragidos Antonio Buscariollo e seu filho, Paulo Ricardo, as apurações apontam Carlos Henrique Buscariollo, irmão de Paulo, como o “cérebro” da emboscada.

Com uma extensa ficha criminal por contrabando e tráfico de drogas, ele teria planejado e organizado a execução, mesmo possuindo um álibi para os dias exatos dos desaparecimentos. A polícia acredita que ele foi o responsável por determinar quem participaria do sequestro e da tortura.

Isso reforça a tese de que mais pessoas estão envolvidas, pois seria improvável que apenas dois homens conseguissem render quatro vítimas, mantê-las em cativeiro, torturá-las e, por fim, executá-las e enterrá-las.

CATIVEIRO, TORTURA
E MORTE ANUNCIADA

A perícia nos corpos revelou detalhes sombrios. O cadáver de Alencar Gonçalves de Souza estava em estado de decomposição muito mais avançado que os demais, levando a polícia a crer que ele foi o primeiro a ser assassinado, possivelmente no dia 4 de setembro, data do primeiro encontro, por ser o titular da dívida a ser cobrada.Isso indica que Robishley, Rafael e Diego foram mantidos em cativeiro por dias, onde foram torturados antes da execução final.

Outro fato que chocou os investigadores foi um detalhe encontrado no corpo de Rafael Marascalchi: sua carteira de identidade (RG) estava escondida dentro do seu tênis. A polícia interpreta o ato como um gesto de desespero; ao perceber que seria executado, Rafael teria tentado garantir que seu corpo fosse identificado.

DEFESA CONTESTA
E APONTA CONTRADIÇÕES

O advogado da família Buscariollo, Renan Farah, sustenta a inocência de seus clientes e afirma que eles se entregarão “no momento oportuno”. Segundo a defesa, foram os Buscariollo que sofreram ameaças, e por isso fugiram. Sobre a Fiat Strada, ele alega que a família estava negociando o veículo, mas desistiu da compra após o carro apresentar problemas mecânicos, devolvendo-o antes dos crimes.

Apesar de a motivação principal ser a execução, pertences de valor das vítimas, como alianças, correntes e um relógio, não foram encontrados, o que levanta a hipótese de que os objetos foram roubados pelos criminosos. A Polícia Civil do Paraná segue com as investigações para localizar os foragidos e esclarecer a participação de todos os envolvidos no crime.

 

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