02 de junho | 2013
Presidente da Câmara afirma que não quis dizer o que disse
O presidente da Câmara Municipal de Olímpia encaminhou ofício à redação desta Folha, direcionado ao jornalista, advogado e filósofo José Antônio Arantes, contestando matéria publicada e comentada na edição do dia 18 de maio último, sobre afirmações feitas por ele, enquanto sentado no lugar que ocupa sempre quem preside as sessões ordinárias, dando conotação de uma ordem para que os descontentes deixassem a cidade. No entanto, ele apenas diz o que não quis dizer o que disse.
“Vossa senhoria disse a meu respeito, entre outras coisas, que na condição de Presidente da Câmara, na sessão ordinária da Câmara Municipal de Olímpia no dia 13 de maio do corrente ano, eu teria demonstrado certo destempero em meu pensamento, dando a entender que seria o “dono da cidade” e mandado os “descontentes” irem embora de Olímpia ou simplesmente passear, expondo que talvez eu estivesse tentando imitar algum ídolo dos tempos da ditadura, ou simplesmente tentando desviar a atenção da população e mostrar serviço para o prefeito, de quem eu seria seguidor declarado”, iniciou o ofício.
“Sem embargo do respeito que temos pela opinião alheia, posso lhe garantir que a sua conclusão a respeito das minhas palavras na mencionada sessão está totalmente dissociada do que realmente quis dizer”, acrescentou.
Inicialmente, Puttini diz que “gostaria de deixar claro que minhas palavras foram proferidas em tom de desabafo, de quem busca incessantemente a melhoria de nossa cidade, não me cansando de participar de discussões que beneficiem, dentro do possível, a todos os munícipes”.
AO INVÉS DE
Alega o presidente que “infelizmente” (sic), entretanto, não são todos que pensam assim: “Há sempre a turma do quanto pior, melhor. De sorte que meu pronunciamento tinha a marca do desabafo, não de dono da cidade, contra aqueles que estão contra tudo e contra todos, que não respeitam quem pensa diferente, mesmo quando o interesse comum está em baila. Minha intenção era e é no sentido de pedir a essas pessoas que não torçam contra o desenvolvimento de Olímpia”.
No seu discurso agora escrito, ele citou situações envolvendo o Parque Aquático Thermas dos Laranjais, que ficou com os poços lacrados durante 30 dias, e o Olímpia Futebol Clube, cujos cargos de presidente e vice estão preenchidos por pessoas que vieram de outra cidade, que afirma ter visto pessoas “torcendo contra” (sic). “Outros exemplos poderiam ser citados, mas penso que já deu para entender o sentido que quis dar às minhas palavras quando as proferi na referida sessão plenária”, reforça.
Puttini se garante democrático afirmando que está na política local há 12 anos e que nesse período disputou e venceu quatro eleições, “democraticamente” (sic).
“Assim, ao contrário de suas conclusões no que toca a ditadores que eu teria imitado, minha trajetória política e pessoal é marcada pelo respeito aos mandamentos democráticos, reconhecidos por nossa população ao eleger-me pela quarta vez consecutiva, Vereador”, acrescentou.
Negou também que suas palavras teriam sido no sentido de defender a atual administração da cidade: “mas sim em benefício de ilustres Olimpienses e de pessoas de outras cidades que aqui escolheram viver, que lutam incansavelmente pelo progresso de nossa população”.
O desabafo autoritário do Humberto Putini
José Antônio Arantes, ao considerar o ofício encaminhado por Puttini disse: Em que pese suas preocupações em esclarecer o que considera ter sido um equivoco do jornal, restou ao longo do texto a confirmação de que o seu desabafo ressuscita discurso de ditadores do passado tão presentes na vida pública brasileira E deixa a impressão que não foi compreendido perfeitamente bem nem por vossa senhoria.
Em primeiro lugar, no entendimento deste jornalista, não houve e não há ídolos em nenhum tipo de ditadura. O que houve e o que há exposto na mídia mundial, são ditadores saqueadores dos cofres públicos, aves de rapina, assassinos, bandidos de terceira categoria que utilizaram a força do Estado para imporem crueldades a cidadãos que estavam sob a tutela deste Estado, por divergirem de seu autoritarismo.
O que houve e está demonstrado e fartamente comprovado foram sanguinários que covardemente ceifaram a vida dos que manifestavam seu pensamento ou acenavam para que deixassem o país com frases idênticas a que a infelicidade verbal do presidente pronunciou da Tribuna da Casa de Leis local.
Em que pese o respeito à manifestação, que não pode e nem deve ser confundido com o autoritário “direito de resposta” requerido, aqui publicado, não se pode furtar, mesmo ao observador comum, a observação do ranço contido na explanação que a título de se mostrar razoável aponta casos isolados para justificar o excesso de autoritarismo e cita situações com que os envolvidos no sistema democrático deveriam estar preparados para administrar.
Independente de quem quer que esteja à frente do que quer que seja será alvo de criticas e comentários contra os quais pode se insurgir ou se sentir melindrado o que não lhe conferirá, como não confere a vossa senhoria, o direito de se julgar o superior juiz de todas as causas para sugerir que a pessoa deixe a cidade.
Primeiro que a cidade é de todo mundo e não de um só dono como parece pretender demonstrar o discurso da arrogância e da prepotência de alguns.
Segundo, se o homem é público deveria saber a primeira lição do manual das coisas publicas, está sujeito a criticas já que a unanimidade além de ser vista pelo Nelson Rodrigues como prova de burrice, não existe.
Em que pese o enorme respeito as diferentes posições, em nenhum momento as justificativas do ilustre presidente nega o discurso tosco proferido, ao contrário reafirma através do eufemismo do “desabafo”, o que não deixa de ser autoritário e vinculado aos discursos do tempo da ditadura, razão pela qual fica mantida a posição expressada pelo colunista.
Caso queira dar uma contribuição melhor para esta cidade profira discursos de fácil compreensão que sirvam de exemplos a sua geração e a geração vindoura.
Privilegie o direito de ir e de vir, o direito de se ausentar e de ficar caso o cidadão se sinta bem e feliz, além de respeitado no direito de se manifestar a favor e contra aquilo que entender houver necessidade de manifestação, sem que ninguém que se entende “ungido de poderes” aponte a direção do trevo.
Comentários
Os comentários não representam a opinião do iFolha; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Você deve se logar no site para enviar um comentário. Clique aqui e faça o login!
Ainda não tem nenhum comentário para esse post. Seja o primeiro a comentar!






