17 de maio | 2026
Salata chama F. Cunha de “ex-prefeito fora da lei” e eleva tom do embate político na Câmara
Em um dos momentos mais tensos do ano no Legislativo de Olímpia, vereador criticou ataques feitos após a rejeição das contas de 2023, desagravou parlamentares e afirmou que parecer técnico aponta falhas graves e reiteradas na administração do ex-prefeito.

O pronunciamento ocorreu depois da repercussão causada por entrevistas, manifestações em rádio e publicações em redes sociais, nas quais o ex-prefeito questionou o trabalho da comissão responsável pela análise das contas.
DEFESA DA CÂMARA E DOS VEREADORES
A situação ganhou ainda mais tensão após vídeos divulgados por um assessor de Fernando Cunha ironizando a leitura do relatório de quase 70 páginas feita pela relatora Sônia Guerra e pelo primeiro-secretário Marcão Coca.
Logo no início da fala, Salata afirmou que seu objetivo era “desagravar manifestações injuriosas” dirigidas aos membros da Comissão de Finanças e Orçamento e aos vereadores envolvidos na condução do parecer.
O vereador fez defesa pública da relatora Sônia Guerra, de Marcelo da Branca e de Marcão Coca, destacando o trabalho realizado durante a análise técnica das contas. Segundo ele, a Câmara não poderia ser tratada como mera homologadora de interesses políticos ou pessoais.
“A Câmara tem uma história que deve ser respeitada”, afirmou. Em outro trecho, declarou: “Não é possível que, na visão do ex-prefeito, esta Casa seja uma carimbadora dos seus interesses exclusivos.”
CRÍTICAS A VÍDEOS E ATAQUES
Salata também endureceu o tom ao comentar vídeos publicados por um assessor ligado ao ex-prefeito. Segundo ele, o autor das gravações teria ultrapassado os limites do debate político ao ironizar os parlamentares.
“Ele está travestido de delinquente verbal”, afirmou. “Faz chacota, faz galhofa e ataca os vereadores.”
O pronunciamento ganhou proporções maiores porque Salata recebeu apoio de outros vereadores para ampliar seu tempo de fala. Além do tempo regimental e da liderança do MDB, o parlamentar também recebeu minutos cedidos pelo líder do Podemos, Charles Amaral, ligado ao governo Geninho Zuliani, e pelo vice-líder do União Brasil, Otávio Hial.
Nos bastidores, o gesto foi interpretado como demonstração de solidariedade institucional e apoio político à Comissão de Finanças e Orçamento diante das críticas feitas após a rejeição das contas.
PARECER TÉCNICO
E APOIO DOS ÓRGÃOS DE CONTROLE
Sem detalhar novamente os apontamentos do parecer, Salata afirmou que o relatório elaborado pela comissão possui fundamentação técnica e está alinhado ao entendimento dos órgãos de controle.
“Não vamos entrar em briga de rua”, declarou. “O parecer da comissão não foi político. Ele é técnico, fundamentado e alinhado com os órgãos de controle.”
O momento mais forte do discurso ocorreu quando Salata afirmou que Fernando Cunha teria acumulado, ao longo dos oito anos de governo, práticas incompatíveis com a legislação.
“É um ex-prefeito fora da lei”, afirmou o vereador em plenário.
“EX-PREFEITO FORA DA LEI”
Segundo Salata, o relatório da comissão apontou problemas persistentes em áreas como planejamento administrativo, controle interno, gestão de pessoal, educação, saúde e assistência social.
O vereador também destacou que o parecer da Comissão de Finanças acompanha o entendimento do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo, que igualmente opinou pela rejeição das contas de 2023.
Ao comentar entrevista concedida por Fernando Cunha a uma emissora de rádio, Salata criticou o fato de o ex-prefeito ter se referido ao Ministério Público de Contas como “perfumaria”.
“É uma coisa absolutamente insana”, declarou.
CLIMA POLÍTICO AINDA MAIS ACIRRADO
Durante o discurso, Salata afirmou ainda que Fernando Cunha estaria tentando minimizar os efeitos políticos da rejeição das contas e desviar o foco das irregularidades apontadas no processo.
“Ele está correndo atrás do prejuízo”, disse. Em seguida, acrescentou: “Está com muita churumela.”
O vereador afirmou que o ex-prefeito deveria concentrar esforços em sua atuação política e não em ataques ao Legislativo.
A rejeição das contas de 2023 ampliou um desgaste político que já vinha se acumulando desde o ano passado. Em 2025, a Câmara Municipal também rejeitou as contas de 2022 do ex-prefeito por nove votos a quatro.
VOTAÇÃO E ENCERRAMENTO DO DISCURSO
Na ocasião, votaram contra a rejeição os vereadores Luciano Ferreira, Sargento Barrera, Lucimara do Povão e Fernandinho Silva.
Ao final do pronunciamento, Salata reforçou que o trabalho da Comissão de Finanças e Orçamento foi resultado de meses de análise técnica e não teve motivação eleitoral ou partidária.
“Ninguém está aqui preocupado com candidatura de ninguém. Estamos cumprindo nosso dever”, afirmou.
Após o encerramento da fala, o vereador foi aplaudido de pé por parlamentares presentes no plenário, com exceção dos vereadores ligados à base política do ex-prefeito Fernando Cunha.
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